terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Palavrear

Adoro poetar!
Quem foi que inventou este tal de trabalhar!
Pernas pro alto,
quero é palavrear!!!!!!!!!!!!

k.t.n.

E ...

E se eu disser amanhã que naõ teremos Natal?
E se eu disser que é tudo mentira?
E se eu disser que Papai Noel não existe?
E se disser, ainda, que tudo não passou de lenda?

E se eu disser?!

Vc acreditará?!

Eu não acredito!

Paz e luz!!

Bjs no coração!

Da Katita!!!

:)).... :))

domingo, 20 de dezembro de 2009

a l i m e n t o

Eu te alimento,
eu te alimento do pão bento,
alimento mais que o bolorento
alimento
alimento
alimento a alma
a mais doce calma
o trajeto feliz
seu olhar aprendiz.

Alimento.
Fermento.
Contentamento.

Todo dia.
Toda hora.
Sem minuto.
Só segundo.

Alimento.
Alimento
Alimento.

k. a

Vida boa, vida à toa...

Adoro poetar!
Quem foi que inventou este tal de trabalhar!
Pernas pro alto,
quero é palavrear!!!!!!!!!!!!

Natal

Eis que te levo o Natal em forma de Luz
Muita paz e o Menino Jesus
Levo-te a lembrança e as crianças
A festa doces serestas.
Levo o figo, o assado, as uvas, doces pavês.
O terno dobrado, a roupa passada, o linho da vez.
Ainda, o coração compungido, a testa pesarosa...
A alma sedosa..... ............levo-te em Cristinho,
Meu doce alento alinho... meninos pequeninos.
Nos bolsos dos vestidos enlaçados e guardados.
Bem cuidados o bem mais precioso.
Esperando a hora de se presentear.........................!

domingo, 15 de novembro de 2009

Alma poetisa

Reflexão

O que o poeta precisa para escrever? Nada, além de um ponto escrito.
Nesta procura insana, o que escreve é quase nada, é o que lhe chega de mansinho, de soslaio, invade a alma e não se cala.

O que o poeta necessita para viver? Não muito, a não ser palavras compostas, em sequências dispostas, em alterações, altercações e imbricações,...

A mente, ah, esta mente poetisa é algo que não se profetiza, pois nasce não só do acaso, mas do perfil que lhe vem de rastro, nas horas dos dias, dos dias do meio, dos dias recheio, dos milênios atrasados.

De onde vem a insistência do poeta? Vem da mente em burburinho, que não consegue lhe deixar sozinho, vem da mensagem, das imagens, das rosas púrpuras do Cairo, dos alexandrinos esquecidos, dos decassílabos oitavados, dos sextavados em quartetos, ou dispostos sem nenhum jeito.

De onde vem a audácia do poeta? Vem do amor, do engano, da paixão. Vem da solidão, da emoção emporcalhada da sua razão, vem dos pés que tocam o alto e da cabeça que revira o chão!!

k.t.n.

mariscando



Chover mais que a alma pequena,
mais que o pranto marejado dos olhos, chover.

Chuva que cai e me rega.
Chuva que me tenta a correr.
Chuva que no barro escorrego ...

Como é bom e doce o meu viver!!!

k.t.n.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

p a z


A paz veio me visitar.

Fico com ela!

Acendo a vela

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A fita e o laço

E a fita perguntou ao laço: _ E agora, o que faço?
Sutilmente, mais que esperto e faceiro, o tal laço costumeiro
deixou claro seu papel: _ Aperte as pontas, faça um círculo, volteie e revolteie e encontrará o nó perfeito, as medidas exatas e a composição adornada.

Mais que ligeira, a fita entornou... em instantes e temerosa em laços se deixou.
Para sua alegria, mais que venturosa, constatou ao enfeitar o mais belo adorno do lugar a diferença que tanto faz.

Finalmente, encontrara o espaço destinado às fitas desatadas em laços oportunos, jamais desfeitos em mau agouro e silêncio inoportuno.
O lacinho se ajeitou, em seu colo, em seu olhar, em seu jeito, em bem-feitos...
São laços de enfeites, são presas, são ilhas, são filhas dos teus olhos embotados de desejo...

esata o nó, ajeita o laço, recomponha-se, venha para a mesa resfetelar-se do lauto banquete, regado a vinho, à champagne, à água pura da cristalina esfera
em altos muros, o tal laço navega profundo em imagens, retina pura.

k.t.n

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

c h u v a . . .

Sentada sob a soleira, esperando a chuva passageira...
Eis que a noite desce sorrateira e lembra dos instantes tão fugazes...
Eis que o encanto bate em lua cheia e rebate e se rebate em instantes...
E a menina em desacerto também acode, a primavera dos seus dias passageiras..

Então a brisa costumeira companheira se achegou deste espanto e riu-se tanto.
E saiu a buscar os ventos brandos a lhe afagar os cabelos fartos de brilho encanto.
Então o homem se deixou levar e na noite a cantiga dobrou, então o menino se pôs a cantar...
E a primavera acomodou seu lavor... e em esferas, em círculos, em rodas, estava ainda a menina toda prosa... dizendo dos seus, dos seus ais, seus pedidos:

_Ò chuva branda, não se aquiete comigo!!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Noite

Hoje a noite chegou cedo, trazendo um briho mais que especial,

o dia em si desvelando, revelando, preparando novos motivos para sorrir.

A noite escureceu branda e fiel... num palco cruel ... animador!

Prosseguidor de passagem, de malas prontas a viragem...

A emolução se faz presente, lembranças de mãe, contentamento.

de quem nunca erra na assertiva... confiar, esperar, vivenciar, experenciar!!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Mimos**



Em construção...

Fugidia, tardia... sempre em dia!

sábado, 31 de outubro de 2009

Luís Serguilha, o clássico-contemporâneo



{Ensaio Literário }

A poesia de Luís Serguilha revela o que há de novo na Literatura Contemporânea do século XXI. Impressiona pela evolução do pensamento, seqüencial, circular ou helicoidal; não é de fácil entendimento, pois apresenta citações e vocabulário peculiar pertencente ao jargão da biologia, da dinamicidade dos organismos até a interação da vida, das profundezas abismais, das reentrâncias da terra e de suas inflorescências quase pubianas à denúncia da eroticidade plasmada na natureza primordial, elemento-chave de toda a sua escrita, que é do subsolo, da floresta, do rizoma. Um estilo novo que veio para ficar e incomodar; reflete posturas atuais na linha do tempo-espaço, do exagero das informações a que somos submetidos diariamente, da necessidade de atualização constante, deste ir acelerado e contínuo. Certamente, pós-contemporânea, o que se pode observar nas imagens evocadas nos neologismos compostos à feição de um Guimarães Rosa urbano, como: nas expressões “corais-bosques-microfotográficos, espáduas-gulas das iluminuras, plâncton-quadrângulo, anfiteatros-CURANDEIROS, estômago-cachimbo” (Processionárias, p. 72 ), na disposição das palavras, e também, dos recursos visuais da pontuação em forma de linha, que permite ao leitor retomadas e momentos de descanso ou análise, para prosseguimento da leitura , que é novamente interrompida com palavras grafadas em caixa-alta, um grito, uma chamada de atenção, uma necessidade.

Podemos verificar, no texto-trecho de O externo tatuado da visão, o que se afirmou acima, através da presença sutil, erótica e apeladora da sua biológica e imagética linguagem-escrita:

“Aceitar as luzes vindimadoras do tropel como uma rosa desorientada

nas palpitações abertas do membros felizes

Um rosto marinho adere à confidência duma vertigem subtil

e a semente da penugem deslumbra-se na frescura solitária da boca

esta origem incandescente a escancarar-se na terra desfolhada

este caminho de sopros reservado à nascente asfixiada das palavras

Os insectos azuis quebram a designação inocente dos seios sobre os perfumes embrenhados nas ruínas maternas

para completarem os barcos finíssimos de resina

e nas tuas mãos novamente os fulcros

das hortênsias parecem um fluxo de sol apressando as esperanças dos

chocalhos nas areias sumptuosas da sombra

como uma construção minúscula dos lábios a

curvar-se no fulgor redobrado da claridade

e uma lâmpada respira repetidamente na perfuração perpétua

dum valado

onde os carris líquidos da constelação se erguem infiltrados na

infinita árvore.”



As hortênsias suntuosas ao sol, a sombra em antítese curvando-se à claridade e a rosa que sucumbe aos impiedosos insectos azuis, feições de leão-marinho recortadas. Além do destaque para as palavras que ‘iluminam’, brincam com o sol, fazem despontar as outras cores existentes no texto.

Na p. 11 de Processionárias encontramos os mesmos elementos-cores, com destaques também, para o azul, céu, infinito dando ao escritor-mergulhador a escolha da direção do seu trajeto, neste vai-e-vem contrário em “ ...as herbáceas, plantações... as borboletas traçam o efeito cortante neste azul, delineando a paisagem, dando local e voz às processionárias...” inferimos, então, que os pássaros evidenciam outro corte, masculino e objetivo, ao contrário das borboletas, vivazes, mas que sem destino ‘volteiam’.

Sua escrita é revelada, ininterruptamente, num só fôlego, contemplando com freqüência a linguagem da luz, das metáforas, das palavras evocadoras dos sentidos, numa imensa 'sinestesia de cores' e termos relacionadas à natureza, em especial flores, frutos e matizes que lembram o ocaso, bem ao gosto Simbolista. Há pontos de contato entre a escrita do livro A Jangada de Pedra de Saramago e a Singradura do Capinador, no devir circunstancial, na fluência catalogadora dos sentidos e fotográfica das geografias presentes, sem paradas, num imenso ir, prescindindo ponto final. Apresenta uma linguagem forte, verdadeira, com recorrência às metáforas, como se vê, circunstancialmente, na palavra-metáfora caleidoscópio, utilizada no livro A Singradura do Capinador e em passagens de outras obras. Caleidoscópio é a multiplicidade das imagens e das combinações de cores e formas, é inquietador, mágico, fascinante, passível de observação, requintado e simples, como é a obra de Luís Serguilha, poeta português atual. São faces do mesmo olhar em constante renovação e atualização, sem ter sido diferente.

Não é reticente, suas pausas são ousadas, oportunizam reflexões, através dos grandes traços simbólicos. Apresenta literatura diferenciada, com evidências para o que há de humano, coletivo, embora se ignore sua representatividade em traços pontuados, através dos versos derramados nas páginas de sua poesia-narrativa-feiticeira que aprisiona, atordoa, levando-nos ao esquecimento do próprio eu, em busca de uma identidade criadora única, irrefutável e irreconhecível e ao mesmo tempo social, pois permite a reflexão. É uma leitura que intimida, invade, amedronta, como se perdêssemos a respiração natural e compassada, para deixarmo-nos atravessar golpeados pelas suas palavras imagens; é uma invasão geográfica-psicológica-emotiva-racional, com sentidos à boa violência em momentos de imersão, tão ao gosto do poeta. Enfim, demanda conhecimento, leitura prévia, pelo vocabulário específico que apresenta, embora a essência seja voltada para TODOS, num sincretismo e agregação humanas indescritíveis. Ao mesmo tempo em que usa o termo jacaré, substantivo simples, comum e concreto, também pode se dar ao luxo do uso do adjetivo cosmogónico e da palavra grega ‘Symballein’, conferindo ao natural a metafísica ampliada.

A palavra “Symballein” (símbolo) significa compôr, reunir, juntar. Na antigüidade, após o objeto ser quebrado, reunia-se e identificava-se o grupo através da posterior união dos seus pedaços, desta forma, o símbolo foi sempre para o homem um elo do visível com o invisível, do natural com o sobrenatural. Por isso, a linguagem simbólica é a linguagem da religião, pois trata a realidade que escapa à compreensão humana. Nos textos de Serguilha este ato ‘Symballein’ é feito e refeito várias vezes na dinâmica do texto poesia-narrativa, em que se fragmenta e se espalham as idéias e, posteriormente, percebe-se que lá estão unidas em novo e caudaloso rio de versos. Cria, nega, recria, positiva, recolhe.

Luís é hipnótico ( . ) e encanta, quando abre um universo de possibilidades ao pensamento, na leitura imensurável e, de certa forma, atlética de suas antíteses, paradoxos e paralelismos. Quando “anestesia os sentidos”, pela enxurrada de imagens, quando deixo de ser eu-leitor-condutor, para ser leitor-conduzido por estes caminhos e desvãos. Na obra A Singradura do Capinador há um número maior de metáforas que tratam da luminosidade, em relação às outras obras do autor. Há a presença forte das cores que vão do amarelo ao vermelho, passando pelo laranja. Ainda há momentos de intensa beleza e leveza, como na passagem abaixo, sem esquecer do azul, também recorrente nos textos, como forma de remissão, tranqüilidade, contrapondo-se à luz que cega, desnorteia, paralisa, eis o recolhimento, o aconchego neste barroquismo evidente e sinestésico:

“...para isolarem os trampolins acústicos dos manequins atlânticos

e as lanternas das bailarinas espontâneas modelam

as libações das borboletas submarinas ...”

Ainda:

" ...Os nardos das cogitações desenfaixam as sinfonias-pastos... nas movimentações dos gladíolos das bailarinas.” ( Processionárias, 2008 )

A palavra nardo possui muitos significados, dos quais óleo aromático extraído de uma planta da Índia, o qual era de grande preço (Mc 14.3 a 5 - Jo 12.3 a 5). Nalgumas passagens do A.T. há referências ao seu uso como sendo um perfume (Ct 1.12 - 4.13,14). Nos mencionados textos do N.T. a palavra grega, com um qualificativo, tem a significação de 'nardo pistico'. Espiscanardo vem da expressão da Vulgata Latina 'Spicati nardi', uma referência às espiguetas que se encontram na base da planta, e das quais se extrai o perfume. Também é província da Itália, além de se acreditar que o seu perfume atua eficazmente sobre a consciência dos artistas. Onde quer que haja arte e beleza a sua fragrância deve estar presente. E não é por acaso que Luís evoca o nardo; pede à consciência a todo momento a sua presença avassaladora, por meio das palavras que escolhe para a composição do texto-pretexto. O aparente acaso das palavras, como disse, é aparente. Não há acaso, há disposição experimental de texto na união de cada termo ou expressão, que se junta no grande agrupamento do grande texto ÚNICO, como única é a visão que Serguilha tem da humanidade e dos caminhantes nas terras que lhes cabe. A individualidade só se presentifica na união. A individualidade só faz sentido na composição do todo harmônico fragrante, sensual, táctil e vibrátil das energias cósmicas totalizadoras.

Alça-se vôo do pequeno ao grande mundo, da geografia das pequenas cidades à intensidade povoada da metrópole , são as processionárias intercontinentais, assumindo o volante e a poluição sonora ao crânio sazonado ( antropofagia ), à destruição, "onde a dentadura alcoólatra dos turbilhões degola as polpas das úlceras dos arranca-pinheiros fugitivos." E termina, nesta passagem, com o gladíolo das bailarinas”.

Serguilha utiliza, em seus textos, palavras portuguesas, tais como chochorrubiar e belígero, sendo que esta última remonta a Camões, o grande épico universal da Literatura Clássica Portuguesa. Acredita que a Literatura Brasileira e Portuguesa devem se afinar, através da transmigração das idéias, do conhecimento, da partilha, do diálogo, das urgências no combate à involução, das reaprendizagens mútuas, onde se possa interrogar os mistérios da Natureza e a condição humana, sem nos sentirmos sós, ou onde possamos nos sentir e perceber como parte do rizoma, humano e desumano ao mesmo tempo, ameaçador, estonteante, desafiador, criador e criatura.

Faz apontamentos analíticos, tais quais: "Ficamos mais ricos quando o dialogismo se abre à intimidade pura, à heterogenidade, ao desassombro selvagem e à metamorfose poética para regressar à gênese, ao mistério, à vida absoluta. Afirma que “nesta gestação de processos interrogativos que reactualizamos a força da linguagem. É urgente combater a vulgaridade, o esvaziamento, a banalidade com o corpo resistente da essência da palavra que tenta buscar o infinito e desvendar a esfinge que persegue a humanidade.”, ainda, pontua com severidade e determinação que “É urgente o diálogo, a partilha neste mundo de barbáries..., o confronto e a sintonização com o outro enriquece-nos... literariamente, humanamente.” E reitera: "... sei apenas que tento transformar a vida, o subsolo da vida, com as armadilhas da luz, as subducções da lava do corpo e da energia da palavra."

E politiza com traços de reflexão e visão social, sobre o que nos incomoda e nos toca no cotidiano, vítimas da organização vigente, ao qual estamos inseridos sem escolha, ou com pouca escolha e vítimas da resistência ao comum e já acabado, ao que consumimos e que nos leva por estes desvãos, longe da luz e da beleza-natureza pontuada em suas obras, em reticentes paradas e retomadas da biologia, da constituição humana, da pessoa, como se pode observar nesta citação apontada por ele, em uma de suas entrevistas: "Alguns meios da comunicação social fomentam o voyeurismo cavernoso e miserabilista, estimulando os instintos vampiristas da barbárie e da crueldade. Este parasitismo sensacionalista provoca o medo e angústia nas pessoas. A depressão e a tragédia vivem num terreno comum."

Este é o ponto de convergência de sua obra: a essência e a razão. A procura dos vários significados da palavra, da expressão, dos versos e a certeza de que se tem a chave. Pergunto:_Onde está Luís Serguilha neste exato momento do texto? Que viagem onírica e intensa processa e o projeta ao infinito e útero fecundidade de todas as mães? Tento acompanhar o seu pensamento, a sua interioridade profunda. Sinto-me, confesso, um pouco perdida, é vastidão, é o Universo como a criação conspirando e lançando faíscas para todos os lados, se há lados. E o próprio me afirma, que anda sempre meio perdido, porque procura o que não existe. Não se pode acreditar no que não existe, pois seus textos questionam a todo momento o que existe. Uma constante busca, entre achar-se e se perder.

Ainda, afirma o escritor: “É URGENTE A TRANSMIGRAÇÃO E A REVOLUÇÃO DO IMAGINÁRIO”

Então vamos com ele, em suas obras, descobrindo como transmigrar e como revoluzir a imaginação fecunda, que está em nosso íntimo esperando a chama de uma tocha reluzente, que nos faça em fogo atravessando países e fronteiras, voltando ao princípio, ao grande poema original do Criador, na sua força imanente e pronta para desabrochar em cada ser. Podemos encontrar em Embarcações e em O Externo Tatuado da Visão semelhanças em sua forma e conteúdo; já Lorosa'e possui um ritmo mais acelerado e intenso, mais emotivo, substancial. No entanto, Processionárias, além de lírico é audacioso em sua forma e linguagem viscosidades, gelatinas, fluidos, lodacentos, cartilagens, suculentas, a própria processionária. Em Hangares pode-se observar as palavras portuguesas funambulismo, grafonola, manadeira, ainda palavras como chochos..........neologismos..........borboletas..........libélulas..........As lantejoulas-feiticeiras..........da virgulação das roseiras......... odontíase...........fivelas nas ombreiras de luz a desencadearem a sombra incerta da cravagem da locomoção.............olhares-dicionários-de-turbinas-zodiacais, ... moscardos ..., num interminável rio de apontamentos. Enquanto isso, as ameixoeiras fartas florescem e, generosamente, rendem seus frutos açucarados e suculentos, fazendo a peregrinação do colibri amplificar o batimento mais interior do vendaval. E as faúlhas cravam-se no céu, imensamente, acolhedor e transatlântico de Serguilha.

Há um início, há começo, não há fim. Na parte III de Embarcações há, como em toda a obra, a presença da luz, muito amor, erotismo e reverência à amada. É cuidadoso, atencioso e humano. Brinca com o ser e o não-ser. Parece coadunar-se com a idéia de que “é preciso observar que tudo surge do nada e tudo segue para o nada. E que se trata de valor eminentemente positivo. Somos peixes nas ondas do Nada. O Ser é a rede.O Céu na Terra e a Terra no Céu.” Como disse um místico, se a matéria é espírito denso, o espírito é matéria sutil, por isso mesmo, Rûmî não abandona a enumeração, a 'ladainha', pois na raiz dessa diversidade revela-se mediante imagens incessantes a presença do Amado: “ (Marco Lucchesi - Rio-Petrópolis, 17 de novembro de 1999 ) E Luís Serguilha não abandona o seu interminável texto, que passa de página em página, de livro a livro, compondo a sua grande obra. Como o ‘fiat’ do Gênesis criou-se um mundo de possibilidades, o autor lançou-se de um fogo de imagens passando pela ótica da LUZ, numa interminável ladainha, como no trecho abaixo:

" O esforço do fogo volátil ordena a indolência calamitosa das árvores

O esforço do fogo volátil desenraíza as irregulares fisionomias das perguntas

O esforço do fogo volátil emudece as genuflexões dos mamilos

O esforço do fogo volátil embranquece as correspondências das marchas - sustentadas pela abundância das víboras hipnóticas

A inteligência do fogo permanece nos êmbolos salitrosos das trepadeiras

ininterruptas...”( pág. 59 de A Singradura do Capinador)

A repetição acima reforça a idéia do passageiro, do movimento, a fixação do momento fugaz, o que te consome e alenta num barroquismo evidente da obra de Serguilha, o contraditório, o ser e o não-ser, os espelhos que se contrapõe, numa visão ora distorcida, ora real e não imaginária. Um espelho que não permite reflexos, só reflete.

A sua obra é única, indivisível, com breves pausas, para que o leitor respire e tenha a sensação ilusória de que há parada. Perde-se a respiração, fica-se mudo com vontade de voltar, a imensidão é tamanha, inexplicável como o próprio Deus e as vontades humanas de nomeá-lo e entendê-lo. De tudo, sabemos que há um início e o segredo está na contradição das antíteses, que reverberam a própria vida no jogo luz/sombra primordial ao silêncio construtor das idéias, dos sentidos, das formas humanas, do jogo intelectual, das discórdias, das brincadeiras, das manipulações, o eu/tu (branco/preto... tinta/página) as luzes do sol, as rendas, a maciez, o rugoso, presente. Em Embarcações o sol surge como um coador, regador, num inominável silêncio, os motivos da criação os amplifica, dando-lhes sentido, neste orbe confuso, de tantos desencontros, o encontro da divindade em elementos da natureza, codificando a página discreta e elemental da vida, como o é discreto e silencioso o próprio autor, repudiando barulhos e desnecessidades.

A busca de explicação traduz-se em palavras a serem lidas e fruídas sem ordem, somente vividas, aliviando o trauma de uma existência sem sentido, todo dia igual e, enormemente, diferente. Tão individual e tão coletiva, tão singular e tão plural, tão significativa e ao mesmo tempo carente de significação. A saída é a luz, o voltar-se para esta transparência, que só é possível pela mesma ausência. É o foco desmistificado, é a dura realidade, é a necessidade da sombra, para a projeção de radiosa luz. Estamos imersos na Sombra em busca constante, motivo de revelação das outras cores, a princípio diferentes, mas que no prisma confundem-se e são iguais. Não existe cor, somente a ilusão de muitas cores e quanto mais palavras, mais cores.

Voltemos à transparência radiosa para entendermos a não-cor presente no texto colorido do poeta português. O não-existir, o ser e o não-ser, caminho de possibilidades, tentativa de imersão e emersão na obra de L.S., leitora acuada pela possibilidade das imagens, pela enormidade do texto difuso e ambivalente, pontuado de significações, como disse o escritor e poeta Cláudio Daniel, a obra de Serguilha “é uma selva de signos”, que me ameaçou, que me amendrontou e que quero desvendar, descobrir, pois há muita informação, muita riqueza em cada página, que livro a livro se apresenta num contínuo. Ilusório dividir a sua obra, os seus livros, os seus escritos, eles ou elas são ÚNICOS E INDIVISÍVEIS, somente contínuos, somente contínuos, somente.

Professora Kátia Torres NEGRISOLI



Bibliografia:



- LUCCHESI, Marco (org. e tradução do Farsi); IN:"A Sombra do Amado - Poemas de Rûmî"(2000:Fissus Editora)


______ IN:"A Memória de Ulisses" (2006:Civilização Brasileira) Rio-Petrópolis, 17 de novembro de 1999

- SERGUILHA, Luís; IN “Embarcações”, Vila Nova de Gaia, Portugal: Ausência, 2004.

_______ “O externo tatuado da visão”, Vila Nova de Gaia, Portugal: Ausência, 2002 .

_______ “Lorosa’e - boca de sândalo”, Porto, Portugal: Campo das Letras, 2001.

_______ “Hangares do vendaval”, Intensidez, 2007

_______ “A singradura do capinador”, Lisboa, Indícios de Oiro, 2005

_______ “Processionárias”, Editora Demônio Negro, 2008

Biobibliografia:

Kátia Torres NEGRISOLI, 1964, natural de Ubiratã-PR, reside em Adamantina, interior de São Paulo, formada em Letras e Pedagogia, fazendo especialização em Língua Espanhola, professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira há 23 anos na Rede Oficial de Ensino, Diretoria de Adamantina. Afastou-se para atuar como: Coordenadora da Escola Cefam, Coordenadora do Ensino Médio Noturno, Diretora nas escolas Prof. Elmoza Antônio João, Professor José Édson Moisés e atual Diretora da EE Profª Fleurides Cavallini Menechino. Publica, esporadicamente, crônicas e textos de opinião e participa do Painel Cidadão do “ Jornal da Cidade”. Participou de publicações no Jornal Impacto de Adamantina, com reportagens e entrevistas, através de textos dissertativos elaborados em trabalho de produção de textos de opinião com alunos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Lisboa

Viva Lisboa!

Saudades de Portugal que nunca vi
Exílio conquistado em pátria própria
Transmigração ensimesmada em alforria enganada.

Saudades do que não vi
Saudades do que não vivi.

Portugal, irmãos de História, amigos de instantes, palavras constantes.
Volta ao círculo e leva os meus textos nas ameixoeiras carregadas,
nos fados, na antiguidade dos azulejos, nos quitutes preparados
por mãos de boas quitandeiras das praças de Lisboa.

Das saloias, das mulheres, das alvisseirareiras costureiras, camareiras, lidadeiras, lânguidas, transparentes em carmins de herbáceos jasmins.
Dos patrões e patroas, empregados e mandatários do teu nome a singrar mares.

O que não vi e o que não sei estão em mim, assustadoramente, em mim!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Borboleta professora

PROFESSORA BORBOLETA

Borboleta voadora, borboleta sonhadora,
borboleta voa em circulos e não para de voar.
Uma hora ela se cansa e seu colorido avança,
piruetas que crianças, borboletas quer pousar.

Se parar com esse voo,
algo doce será o consolo,
borboleta colorida ta na hra de pou´sar.

Bom mesmo é o néctar de flor
uma gota do orvalho
vai muito bem sim senhor.

Quando falta um jardim, uma planta rasteira
a borboleta circuleja como quem vai a igreja
pedir milagre de amor.

Seu voo é uma ladainha vai e vem e nunca termina.
Sua prece quase fascina ela pede com fervor:
_"Deixem de lado as guerras, parem com as mazelas.
Replantem o mundo por favor"

TropporJ em 22/10/09.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Minha irmã

Minha irmã é garota de cinema,
Isto dá o maior problema
É aplauso que não acaba mais


Minha irmã... abusou em Ipanema!
Agora é só telefonema,
Ai meu Deus, o que se faz!

Minha irmã é roteiro de polícia
Se ficar o bicho grita,
Se correr o bicho pega!

Minha irmã... um problema profissional
Além de tudo, mulher fenomenal,
É artista de revista!!

Minha irmã...estou indo de fininho,
Dizer às todas todinhas
O quanto eu sou a sua irmã!!!Dilema!

k.t.n.

Ensinamento

Se pudesse te ensinar, ensinar-te-ia o caminho da paz.
Em se podendo ensinar, quereria aprender mais e mais da sabedoria.
Tendo o poder do giz, escreveria o nome que falta à tua mesa.
Resvalando frente à lousa, traçaria desejos de esperteza e finezas de textos sóbrios.

Seria tão correta e tão discreta, que ajeitaria os óculos e descoberta,
Desvendaria à classe incerta que não sou dona de saber profundo..
Só mais uma criatura neste mundo, partilhando a sala, respirando o pó,
Encrespando a arte do crescimento, enganando com palavras e expressões,
Copiando o que outros já escreveram, passando a cola do que li e reli,
Dando essa esmola que também recebi.

Mestre ou professora, criadora ou copista, tenho um nome, uma marca
Um carimbo em minha testa, o fazer a pensar, o fazer o sonhar, o moldar, modelar...
A preocupação é grande, o mundo é indiscreto, sem rumo, incerto.
Enquanto isso dois e dois são quatro na esperança matemática em meio às Letras performáticas esquadrinhadas num navio.

... cuja fumaça se espraia em horizonte efeminado
como são das mulheres as palavras...........
como são das fêmeas os atritos,
como assexuada é a linguagem
pertence a todos e não tem reino,
pertence a muitos, embora sem treino, empreste às letras, às sílabas, os termos,
para compôr num gesto obSceno, nada sereno, palavras de AMOR.

K.t.N.

16/10/2009

Para Many

Seu vestido rosê
De perfeito ar 'blasé'!
Finge-se de morto,
mas nem um pouco torto!
Configura, faz figura,
Deixa fina a madame.

Seu vestido rosê,
Adereço para quê?
É sutil figurino.
Faz platéia imagina,
A prateada feminina
Que figura nos altares.

Seu vestido rosê,
Deu um choque pra quê?
Para tirar o ar chinfrin,
daquele que tirou ponto em mim.
Curvaturas, formas finas.
Figurino de menina rosa antigo faz figura.

Seu vestido rosê!
Chama o charme,
Chama o champagne,
Chama rosas e dengos,
Chama finura e lisura,
Chama Many em pose serena.

Katita

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Desculpas

Aos que postaram comentários em meu blog o meu muito obrigada!

Não consegui responder a todos, em seus respectivos blogs.
...não sei o que acontece, talvez, inexperiência ao postar!!!
Amei os novos amigos, bem-vindos!! Fico lisonjeada e feliz!!

Este blog é o meu rascunho pessoal online, ao vivo e a cores... há muitas poesias que não transcrevi aqui e falta reedição, revisão, etc e tal. Tudo, neste espaço, é saído do forno..............................!!!

Thank you!!!

Kisses....

domingo, 4 de outubro de 2009

impulso

o pulso impulsiona
em direção de vento ligeiro
o vento contraria o pulso
que corre prazenteiro
em direção ao relógio
poemas de um dia inteiro.

a cerimônia é chata
cansou, entendiou.
sem cerimõnia pedimos
textos voltem. melhor que o discurso.

***
20/10/08

teus textos não são pobres
nem de marré de si
seus textos são um pouco arte

um pouco fato, um pouco contraste

teus textos, oras, são teus textos!!

15/10/08

D:
meus textos, pobre deles, sem ventura na correnteza do vento

sem ser cerimônia
o pulso ainda expulsa

:***

diogo

***

Amanhã poesia...
Todo dia poesia...
Em grande fantasia...
Faz festa e folia,
Difícil de dizer...
De várias formas dizer,
temos muitas,
somos... poetas

Antenados, fisgados, enraizados neste sentimento, nestes pensamentos...
Nestas entrelinhas... não somos sozinhos, somos muitos... são muitas as horas e os dias .... são muitos os sentimentos, intensos, incompreensíveis, arrasadores.... às vezes, tormentos... em outras horas, leves intentos,,, sempre poetas, amadores, amantes, questionadores, sofredores, imitadores, na arte, ....

Hoje poeta, amanhã poeta, ontem poeta, ... e daí?! Somos!! É muito bom... dose de loucura, dose de fantasia, nada que a vida não cure...mulher um tanto arredia... à procura e se esquiva e não se acha... e se mostra... e se insinua... e se parte... e se parte, e se comparte e faz arte...

...

pó da percepção:

a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z

nó da razão.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Dispnéia

Tensa hemoptise que acompanha cadavérica todos os canais.
Estranha história que não se repete, embora pareça as atitudinais.
Liso o fardado que te escapa pelas mãos toscas e tortas.
Tontura, dispnéia... mais nada fala no corpo que cala.

Carece de informação de tolos as distorções de todos os arranhões.
Plenifica a hora bendita e 'maldisseja' a benfazeja certeza.
Enrubesce e em vil carnificina história e arte é capítulo e faz parte.
Entontece, desmaia e cai, levanta e vai, arranha e cura.

Lá na porta do planeta as estrelas contam contentes.
Com as mãos espalmadas o agito e o aceno pendente.
Como agulhas felpudas entram em sortilégio e acreditam.

Nas preces das bruxas e nas esferas das santas.
Esperam nos anjos, nas escórias das beatas.
As bestas-feras do seu alcance, misericórdia perfil relance.

k.t.n.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Às irmãs...

Irmã de alma,
reconheço a sua palma
reconheço o seu enleio
enlevo-me em puro amor.

Irmã de alma,
reconheço quando chegas,
entristeço-me quando partes,
navegam meus olhos tristes dores.

Irmã de alma,
é tarde, não se vá.
Tão cedo para partir,
figura séria sempre a sorrir.

Irmã de alma,
o desvelo guardo um tanto
do suor gastei o meu pranto,
o meu dizer aqui reguei.

P. vc. presente d'alma.

k.t.n.

sábado, 19 de setembro de 2009

p e q u e n a

Entre-cortes - entre-beijos,
Entre-gestos - entre-queijos,
Entre-manhas - são manhãs.

Entra e sai
Sai e entra
Sol e sal
São e cais

Leva e traz
Trejeito breve
Livra a testa
Beijo livre

Faz festa
Em fios fiapos
Fica limpo
O banho, o trato!

k.t.n.

Ao amigo

Perdão, pela falta de tempo, pela falta de coragem, pela ausência tão sentida.
Perdão, amigo, pela falta de tato, pela falta de singeleza, pelo escondido.
Perdão, pelo que não entendi, pela falta que cumpri, pelo que deixei partir.
Ainda, peço-te, mais uma vez, perdão em nome dos que erram, em nome dos pequenos acertos.

Há uma esfera inatingível, tão buscada, tão perdida...
Há um país a desvendar, viagens, flutuações, grandes mergulhos em águas sazonais.
Há o teu mistério e leve breve esta necessidade urgente de perdoar.
Há a infinita misericórdia em desdita, tão em prosa, nas fagulhas do teu olhar.

Perdão, meu amigo, perdão.
Chegou a hora de entender-te, chegou a hora de render-se.
Hora e hora e hora e hora...
Muitas horas, muitas presenças, enormes ausências, em confuso neste enorme caleidoscópio virginal dos meus seios maternais...

É a leitura do dia! é a cruel fantasia, é o deixar-se e lamentar-se, é o ficar e se bastar.
É a remissão de si mesmo, é a presença do teu texto, é a dificuldade da interpretação.
Ainda, faz, mistério e desejo, desassossego e chamego, ainda me chama ao teu cais.

Amigo, é a hora... espera mais um pouco, é chegada!!!

k.t.n.

Ao amigo de tão longe,
em dias de sol e chuva Brasil.*

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Quando

Quando escrevo, uma parte de mim permanece, a outra vai-se embora...

Quando penso, todas a mim tornam e se somam e se desencontram.

Quando esqueço, é profundo este pesar, não há o que fazer, nem onde buscar.

Quando pereço, estou a preço de baratear o mais caro do altar.

Quando enlouqueço, é que me humanizo e cresço.

E nesta transformação encontro-te, em rosto meu.

Profundos eus.

k.t.n.

imaginação

A minha memória transitória pede-te de passagem,
não envies vãos em viragem,
não elimines espinhos e estirpes
das folgadas espinhadeiras constantes dos meus navios.
Não te faças obsoleto sem a minha presença, sem o meu esteio.

Há um mundo a descobrir, lindas primaveras, imensos porvir.
Há a abelha que tece o rude mel nas diversas pétalas escancaradas.
Há os nacarados encrespados, rudes em idéias fugidias.

Há o bendito fruto a ser cozido em fogo brando, lento,
lento alento do meu pensamento.
Querem calar a voz, querem roubar de forma atroz.

Então, quando é mais?
Então, quanto é mais?
Então, a vida segue e a marcha prossegue.
Nada divino ou efêmero, somente a bagagem antes aliviada,
agora dividida, nas esferas do teu enlace.
Em perpétuo desafio,
Em robusto parapeito, são as pedras, são os eitos,
São as formas, os direitos... os perfeitos... na ilusão.
Na imensidão do seu céu, do seu cais... na trilha obscura,
Chantagem pura.

I m a g i n a ç ã o.

Ação.
Sou eu sozinha,

dividindo

O caminho.


ninho.

k.t.n.
de quando me quebrei.

7 de setembro, sem toques de tambores

Minha terra tem palmeiras, tem caju e manacá
Pés de jaca, maracujá, muita gente é o que há.
Tem pré-sal, pai sem açúcar, presidente e "menas laranjas"
Um povo esguio, asmático e assovio.

A preguiça da verdade na mentira que passa lá
Tudo é mais cor e mais amores...
Com muito dengo, cortesia e esperança
LÁ não conheço, do pouco que sei
Há grosseria, gestos dissonantes, contradições, pavilhões
Foi o que vi.

Cá é o meu lugar, cá tenho que ficar, um dia lá
E hei de resgatar esta tal integridade
Que ficou em própria indignidade.

Minha terra tem palmeiras muito cá cátias há.
Tem passeio de bicicletas, tem Martim, Iracemas,
Bolos, festas, serestas, violões e canções de gestas.
Tem Moacir, sofrimento, a loira afoita e a morena casta.
Tem a inversão sadia, muita tristeza e muita ALEGRIA!

K.T.N.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

;;;;;;

O que é feito de ti, que roteiros ocupam os teus mapas?
Que caminhos trilhas ocupados de ti?
Quantos de ti resumem o que não existe?

Para onde vais, para onde o caminho em teus meandros de coloração difusa?
Onde deixaste a disseminação do espectro das 7 cores?
É assim... quando se vai, é assim quando se encerra...
é mais que assim, é perder-se de vista... é ruptura e fuga...
É encontro sem permanência... abstinência!

Congruência inexata de formas, de pernas, de braços, de rostos...

Parte só, parte leve ... e em levas a pergunta.
A de sempre, sem resposta.
Posta atrás da porta.
Quase morta.
t o r t a.

tu.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

.saudades.

Saudade é uma conta pequenina
Rola dos olhos tão menina...
Busca em botão teu olhar tão meu.

Saudade é uma foice traiçoeira
Chega mansinho, sai ligeira...
Não se comove de quem se doeu.

Ah, saudade, tão palavra, tão incerta
Rouba o tempo às bonecas...
Empresta ao rosto o filho teu.

Saudades são só tristezas em meio à cânticos.
São altiplanos afundando em pranto.
São alegrias que não morreram.

Porque em meu nome e em meu ser
Há de viver e reviver instantes.
Cada passado recordado como o mais fino dos bordados...
Da fina linha, retrós em fio........... de saudades costumeiras.

Enfim, das tardes das Marias dezoito horas.
São, no momento, heroínas lembranças.
São vãos tormentos em baú remexido.
É a certeza de que o futuro chegou.
É a beleza da vida que foi...
... e a alegria da vida presente.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Das antigas...

Lavraram o campo.
Puseram a mesa?
Chove com certeza,
Novo jardim em crescendo

Homem se refazendo
Olhar contempla, coração sustenta.
'Vai que vai' não se arrebenta.
Não se arrepende.
Só surpresa!

k.t.n.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Renovação

Há um projeto eficaz que permeia uma mente por certo audaz.
Há esta audácia de mudar, esperança na chegança, uma poesia em luz do dia.
Uma chuva fina regando os olhares, flores esperando em semente o plantio.
São mudas, são caladas, são esperançosas da escolha.

Estão secretas e bem guardadas a muitas chaves em tesouro compartilhado.
Trouxe uma delas, segredei em meus cofres, tranquei em meus armários.
Não podes esperar, talvez haja pressa na transmudação das flores das 9 horas.
Uma incógnita pressente a iminente solidão, um malfadar de escolhas, uma presença estranha, um amassado de embrulhos, são sementes aturdidas, esperando breve escolhida ...

A terra se rebate em pedregulhos espalhados, envereda pelos olhos, termina pelo olfato.
Assiste o 'embrólio'e sortilégio, generosa, só padece à espreita da boa escolha.
São sementes são somente variedades, muitas cores, dissabores, muitas formas, vãos amores.

Ajeita o trato, afina a cova, não morre, não... o inverno conserva sementeiras fartas para em próxima primavera dar a cor, o seu tom enveredado pelo arco-íris de cores remotas, passado próximo, primavera pressente.

Serão flores de dia inteiro, de olhar longo e faceiro, sem chuvas passageiras,
sem delongas, sem firmeza, trocarão seu arrebol, seu matiz e seu fuzil,
espargirão sementeiras e fecundidade e esta terra tão bem lavrada,
produzirá fértil, agora bem cuidada, dos teus olhos, dos teus desejos,
teu intento concretizado.

Sonhar? Não.
Realizar? Sim.

Chega de melodramas, brincadeiras de pião.
Ó menina, entra na roda, levanta a saia, faça o gingado, olhe de lado,
São as pétalas das cores suas a nevar sozinhas na rua.

E espreitam e como espreitam e esperam e como esperam.
E enlarguecem e como enlarguecem e envelhecem remoçando em flor.
Laços e fitas, verdes e outros, do mesmo autor.

k.t.n.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Para Marie Thereze - O violão

Entre a corda e o violão
Entre o samba e a canção
Seu olhar enternecido, encoberto pela ferida.
Sem entrever-se o guarnecido, ensaia a flauta dos dedos no violão embevecido.

Espera e canta.
E canta e espera.
A doce quimera, o dia que passa, o Norte que amanhece, o mote que não esquece.

Tem Fernando, tem Pessoa, tem meus lagos enormes lagoas
de minhas lágrimas derramadas, tem meus versos e meus tristes jeitos.
Entre as proas enormes cinzas, enormes fagulhas a saltar dos olhos.
A embotar-lhe os sentidos, a arrancar do dedilhado, meu nome, meu doce nome sentido.

k.t.n.

sábado, 27 de junho de 2009

Para Fabrício

Saudades de um filho que não partiu, mas como parte o peito!
Saudades do meu pedaço, das mãos mais lindas que estes olhos puseram vista.
Saudades do seu rosto, dos seus olhos, do seu andar, da sua indiferença em atenção

Saudades de Fabrício já sentidas. Saudades do meu pedaço, anjo louro.
Branquinho, sorridente, criança meiga, alegria presente...
Saudades, meu filho, saudades imensas, nem bem te ausentas e já sinto.
Nem te vais e já pressinto.
Nem te apartas e já invito a imensa volta ao coração materno.

Soltar laços, desfazer contratos, assumir novos retratos, meu filho amado, és prenúncio de homem em barba por fazer, em riscos por correr....
Volta pra casa, antes da partida, volta pra casa, antes da despedida...antes do anoitecer.

Põe os teus olhos mais umas vezes em tua mãe...
Acerca-te os teus lados, ajeita os cabelos desalinhados...
Provoca em riso minha fúria em brincadeira adoslescente.
Joga-me no chão, puxa-me, dá-me tua mão... as mãos mais lindas que estes olhos puseram vistas.

Amo-te por toda a vida, primavera dos meus dias!

Mama

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Título

Sem título, sem tempo, com muitos livros,
atordoada, informações, conformações, saudações
pela saudade imensa do exílio, expatriada fui!

Na longevidade dos teus olhos, do tempo que esparramaste no caminho,
na quietude de teus passos, o homem, o sonho, a razão perpetua, alfineta-me,
torna-me esguia, esquiva e admirada da tortura fria.

É uma pressa, é um compromisso, é um firmar, é nada, é tudo.
é o exílio, é o exílio, é esta doença fria,é esta dor vazia,
é o inesperado, o sangue fraco, a anemia gotejada de tuas mãos
a tarefa, a tarefa reinante em passos amantes, o desejo e o belo,
tuas barbas sedosas, teus lábios mais que carnais,
frutíferos anzóis pescando macios, rendendo-me em noite fria, fantasia...

Por quê? por que eu? por que tu? por que névoas ensandecidas neste marrom febril, por que rosa em teus dedos frágeis, porque tuas pernas torneadas fraquejaram no suporte quando fortes suspenderam o gozo e o grito amoroso desvão.

És fatídico, és pontual, és humano e serial. és desprotegido, acarinhado e em afetos guardado,
resistência,
algo mais,
urgente,
não têm pressa, o fazer é poético, a ansiedade é passageira, mas o amor, ah, dele costumeira, deste peito, deste ombro, trejeito, colo, deste cheiro, desta limpeza enorme, deste susto, posso dizer na forma mais profana, mais desumana de um instante.

E as frutas todas de todas as estações em pote dividido compartilharei mais uma vez, num escondido, num vitral, numa fome de horas, saciados, encrespados pelos lençóis, pelo aconchego, pelo calor, pelo divino tão bem humano da libertação.

Mais uma vez, mais um dia, o eterno se pronuncia e em artimanhas cria e nos põe em poesia o eu e o tu em vós e nós em eles compartilhados em corpos sós.



PARA MEU QUERIDO,
um bem guardado
protegido
prateado
em saúde e alegria.
´

Kátia Negrisoli

sábado, 13 de junho de 2009

Palácio Real dos bem-aventurados

Ei, meu?! Você, que se acha demais,
Olhe para trás, o que está aí?
Provavelmente, nada, nada antes de 'su persona'.

Olhe para a frente, rapaz, oriente-se.
Olhe onde nasce o Sol e perceba que não é um.
Olhe para a multidão, encaixe-se nesta solidão, tome um gim, uma tÕnica.
Se não for suficiente, um bom gole de aguardente e mande embora a presunção.
E a sua forte enganação.

Caia na real, no palácio não passa de servil, nem dá para lhe emprestar um bom-bril... nem forças para as panelas, quanto mais o fosso dos jacarés, sua habilidade já foi de primeira, deixou-o sozinho a virar camareira.
Ajeite os lençóis reais, o edredon da rainha, acomode as almofadas da princesa, se é meu camarada para isto ainda serve.

Aproveite o espelho, o grande espelho Real e mire-se de frente, de trás e de trejeito, analise o perfil, veja a magreza da sua vileza, esta leveza não passa do seu grande vazio.

Ainda dirá:_ Estou com frio!

Conselho: 'se fosse bom, não daria de graça', pague primeiro e à vista!

k.t.n.

Reconstrução


O sono tirado, o perfume roubado, o passeio inacabado, o afeto atrasado
foram resgatados e administrados em dias de sol, em passeios outonais, em matinais poesias, em rendas de alquimia, em estados de fantasia.

Na pele o sol, no rosto o lar, nos olhos os azuis oceÃnicos das estrelas-do-mar.
Na perna o segredo, nos dedos o gosto, na boca a frescura dos ares de junho.
Nos braços o terno sagrado do encontro amigo, a magia da hora,
Da campina breve.

Trouxeram-me tudo, o rei e a rainha, trouxeram-me a côroa e o cetro de ouro,
Deram-me embalados em caixinha de música o eterno sentimento, a ternura, a infância.
Nas flores dos teus cabelos, na barba do seu asseio, os pequenos ajeitos, o gesto canino, festeiro e preguiçoso, pedindo carne e osso, entregando meus segredos.

Nas crianças das passarelas, nas calçadas indiscretas, rola a roda da bicicleta,
Vai de festa em festa, de pedal a pedal, no caminho das buganvílias, rosas de jardins aromáticos, esquecidos nos canteiros.

Vai, a menina, vai!

k.t.n

mistral

Um mistral de poetas a cantar suas festas,
a embalar em giestas doces serestas de palavras frescas.
Doce aroma de café, de perfume exalando florais e madeiras,
de sentidos de nervos, de estanques hoteleiras.

Um mistral de poetas, uma figura, uma festa, uma orgia, palavras em profusão.

Um agito, uma peneira passando pelo poros os melhores dos sentidos,
rasgando em olhos vistos as belezas e as grandezas das nossas pequenezas...
Todos loucos, todos loucos!
Cheirando a melhor droga da fantasia: a poesia de todo dia.
A poesia dos recitais, a poesia dos meus Natais, a harmonia dos casais, a euforia dos iguais, a diferença das senhoras, a diferença dos senhores.
Tão iguais em nossos olhos. Contemplação.

Recitação. Excitação. Sem palavrão.

O corpo pede à palavra o destino correto.
O corpo pede em silêncio pela palavra exuberante, rainha das atenções.
Pede a magia do encontro, a ressonância no companheiro, a distância das incertezas e a proximidade do que se é libertação.

Aos poetas, vida dura, morte certa, vida longa, poema breve, vida insana.

Palavras em frases, expressões e sinais, alegria e fantasia onde domina a Senhora realidade, dona das dores, dona da essência que o impulsiona à caneta, dona das esferas, de todas elas, uma gentil dama, uma valorosa mulher, és o nome de poesia, Mulher, cantada na boca dos gentis cavalheiros de cabelos emplastados, de cabelos em desalinho, de olhares difusos e intrigantes, de palavras em baixo-alto falante.

Ó poetas, que passam por São Paulo, que fazem escalas noutras cidades!
Ó poetas caminheiros, de países os trigueiros estão em festa, estão poetas de ar em ar, estão aflitos, vivendo o mais profundo dos seus ais.

É hora, vamo-nos embora, deixemos as palavrórias, busquemos a poesia do dia a dia, da sobrevivência, busquemos a irmandade consciente, a labuta insistente, o perdão impossível e a carícia escondida no ato vergonhoso da moça gentil.

O poeta busca, sabe onde está, reluta, vê, recusa-se a levar tudo, . . . enlouqueceria. . .
O que vê está além das naus, atravessa um portal, é exangüe e castrador .......... vida pulsando, planeta girando, estrelas cadentes queimando-lhe as mãos a pedir digitação.

É muita poeira, é muito mágico, é muito instante, é muita hora, é preciso paciência, desmistificar todos os sentidos, delimitar-lhes, dar-lhes partido.
Estão todos misturados, PROFUSÃO.
Hora de separar joio e trigo, água e fogo, sombra e luz, branco e breu, dos olhos teus.

Kátia Torres Negrisoli,

Adamantina

À miséria arrogante

Oração n.º 01

Às misérias cotidianas, às misérias dos arrogantes,tudo embalo e tudo calo e
peço aos tolos que não me enganem, mostrem logo os dentes.
Afinem o incisivo mais um pouco e atraquem no sangue das gentes
A fúria da arrogância permanente.

Trarei a seringa em punho, furarei tuas veias impunes, trarei-te o trato dispensado.
O bom trato que mereces em festas de bacantes, o ereto, repousante, edificante, para a alma do assassínio do estado arrogante.

Matarei teus ais, teus sais, teus cais, dirimirei tuas dúvidas e espargirei tuas urdiduras, tuas comensais mordeduras, devolverei!
Não és meu, não sou tua, fica com tua certeza, tua vileza e carne crua!
És cruel, maledicente, lobo em pele de serpente, demônio vil a espalhar
o fel engana-te que de longe vejo-te e espalho o mel.

Engana-te e de perto olho teus olhos, firo teus brios e vou-me embora em meus navios, tu ficas a atracar, a fundar nas águas negras turvas dos teus ais,
procurando a estrela-guia, procurando no lume frio a lamparina do bom regar.

È tarde, adeus, a volta foi dada, perdeste a beleza, voltas para casa, limpa a soleira, guarda no armário toda a poeira..........pó cósmico elemental, de fúrias soltas, de próprias narinas, a versejar o nada e o vazio.

Tua palavra é arrogância.
Teu consolo, a piedade alheia.
k.t.n

Sufoco

A hora pede, a hora grita.

Hora de voltar!Passar a porta, atravessar soleiras,

Estancar a correnteza, conter os diques, amainar em lago o fluxo.

Respirar compassada, respirar e aspirar o ar fresco da manhã,

A pleno pulmões no café salutar e improvável da metrópole.

Há café. Há pão. Há queijo. Há presença e há ausência revisitadas.

Todas.

Não te assustes, não te atemorizes................ a veia original verteu o essencial, à continuidade salutar.

Não temas, há café.

Não temas, há metrõ, há metros de filas, todas esperando o torrencial sinal de passagem, o destino da imensa viagem.

Protagonistas, segunda classe, todos estaremos de viagem. Pára a estação, para as Embarcações, para as infrutescências, para as malemolências produzidas no coletivo.

Só, entre todos. Não só, uma visagem! Bela paisagem. Coisas do Brasil!

k.

sábado, 16 de maio de 2009

Alegria

Hoje a alegria em festa, beijo em testa, muita paz, muito ar, muita vida.
Hoje respeito dobrado, de vinte e cinco anos guardado, a hora chegou.
Demorou, concretizou!
Na imensa fome de gente, na imensa ternura.
No acentuado da singeleza um bem cuidado tornando às faces,
................a liberdade.

Dia pleno, certeiro, alvissareiro, inesperado, nos óleos tropicais do teu olhar.
Na bagagem leve de se levar.
Na inutilidade do que há de no caminho de se deixar.

Embalando as friorentas, emprestando ao corpo às bocas sedentas,
do guardado especial, para dias de festa.
Somente tênis e camiseta. Somente.
Nada dos oficiais, dos vestidos de tafetá afetados.
Nada.

Tudo deixado.
O beijo levado para sempre.
No teus lábios de promessa.

Hoje, só hoje e para todo o amanhã.
Esta grandeza, este conquistado está, enormemente, trancado!

k.t.n.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Vôo

Hoje irei de 'poetinha', alma leve, fluindo no ar.
Hoje nada de complicação, frases simples, frases feitas.
O mesmo lugar, o mesmo passado, os mesmos sentimentos.
As notas soltas, os laços, as luas, as nuvens...

Hoje irei de 'poetinha'!Copo na mão, amores e teores.
Mar, violão e paixão. Hoje!
Principalmente, hoje, deixarei os melodramas, as cintilantes
Descruzar os navios, encaixar no cais âmbar-citrino da flor da manhã.


Guardarei os pesados, os estalidos, as estridências, o entre-dentes,
o sobrancelho, as pestanas.
Abrirei os olhos enormes, os cílios cingidos de par em par.

Hoje sentirei esta paz, esta rede de deitar, o aroma cacau da delicadeza.
A certeza da beleza.
Hoje estarei Vinícius, poeta de bar em bar!

k.t.n

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Resedá in rose

Cortaram o meu resedá, sentenças em flores!
Cuidado desvelado, um rosado de facções;
Uma parte em pedaços alternativos de chuvas torrenciais,
Esparramados e tão sozinhos jogados pela calçada...

Penitentes, embora o caminho seqüencial
Revele a tua face, o soturno birrento, a preguiça premeditada.
O divino bizarro, o menino atrevido das calçadas e dos muros.
Das manhãs e das noites e das tardes dormideiras.

Enrubesce e se ergue em prece atitudinal, longitudinal...
As mãos acima, vertical nas rosáceas que acenam,
Das lágrimas das espirradeiras, da beleza contornada,
Esculpida pelas tuas mãos nem sempre serenas.

Era de muitas flores, de muitos sentidos, fantasia
Em plena luz do dia, realidade morna, um propósito ...
Que a ti torna, em teu contorno, em teu alento,
Em tua paz e em teu tormento, meu resedá em flor!

Das nuances do amor, do controverso bem e mal,
resedá rosa de rua!

K.t.N


{Kátia Torres Negrisoli}

domingo, 26 de abril de 2009

Blindado

Santo do Blindado

A~e meu Santo do Blindado,
Venho te pedir muito mais cuidado,
Mais atenção e participação,
Livra-nos dos males e de tanta confusão!

Cuida das 'Katitas', das intempéries, das visitas.
Também, cuida dos nossos sonhos na realidade constituídos.
Permanece em atenção, de Norte a Sul, passe pelo Sudeste.
Aqui, não parece, mas há cabra da peste.

Leva os inauditos, as esquisitices, as fanfarrices.
Deixa o tempo certo, a agenda cuidada, o trabalho dobrado.
Não tem jeito, meu santo, não tem jeito!
Pedimos tanto, Katitas em prece, mas o Senhor, parece que nos esquece.

Mais uma vez, em teu louvor e em nosso favor,
Não brinques em serviço, faze tua parte, tira de nós a arte.
É hora de estudo, de muita concentração.
Leva, para lá do céu, esta tamanha confusão.

Em nome de todas as Kátias do Brasil.

K.t.N.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Meninas


As meninas de 12 anos

Sorriem felizes as meninas de 12 anos
Tiram suas fotos, compartem seus sentimentos,
São pueris, risonhas, saudáveis...
Têm em seus olhos sonhos, desejos, felicidade.

Estas meninas possuem a saúde, o mistério da futura mulher.
O encanto alvissareiro, a magia feiticeira, as maçãs domingueiras.
São meninas, são garotas, são mulheres em construção.
Dentro de si o germén da gostosa revolução,
Da menarca a donzelas também sofrem crianças belas.

Perdem o sono, sonham acordadas, olham ao derredor,
Não estão sós, acompanham-nas o fértil materno,
o orgulho paterno e a dispusta fraterna.
Sofrem as meninas, pululam de incerteza a incerteza,
Mas são somente meninas e já inteiramente mulheres.
Como são belas!

k.t.n.

sábado, 18 de abril de 2009







As flores das 9 horas

Em degradê generosas
Atravessam tuas grades
Pronunciam-se nas frestas
Cantam alegres as manhãs

Flores das 9 horas
Sorriem felizes seus matizes
Neste instante, engrandecem
Vertem preces as infelizes

Do relógio da matriz
Mostram o rosto e faceiras
Encantam pobres passantes
Beligeram longe dali

Frágeis e singelas
Esperam pacientes
A hora de dormir
São flores de esquinas,
pequeninas engrandecem
e floriem para ti.

k.t

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Comentários.........!

Desculpem-me por não responder aos comentários que me enviam e nem comentar os respectivos textos em seus blogs, porém não consigo publicá-los, não sei o que acontece.
Kátia


Os textos aqui postados ainda estão em fase de reedição. São esboços...

Obrigada, pela visita.

Deixe seu comentárioro, para o aprimoramento.

Kátia

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Cantinela

S'imbora entoar uma canção de ninar gente grande
Embalar os sonos de breves instantes.
Passear em teus olhos, pernoitar em tuas faces,
Cantando ajeitados os derradeiros.

E nesta cantilena preservar o tempo,
Configurar a névoa, em frias cadências,
Identificar o gosto, o alácre formado
Na açucena que reverbera no teu céu palatal.

E cantando e vociferando o cântico
Cantar-te-ei ligeiro e embalar-te-ei docemente,
Observando o balançar da cortina,
Deixando as réstias ornadas de sol
na frágua manhã, ainda, primaveril!
Ornar os teus lábios, os teus seios, teus navios.

Há um sabor alácre, há um adocidado.
Há o som do vento.
O imaginar-se, o fechar de olhos,
O barulho tênue que atravessa a vidraça.
Há o teu semblante, a rua, as alamedas.
Há o teu perfume sutil atravessando esquinas.
Hà o citrino da manhã de abril.
E também o desmaio um quase febril. Um encanto. Uma atmosfera.

Há o adormecer, o pertencer a esta imagem evocada do acaso.
Da plena e intempérie bonança.
A palavra, a miragm. Há a fim a risada, o vinho decorado de champagne.
Sem ornelas, sem azeitonas, há cerejas.

Há as ligeiras, as farpas, as domingueiras, as muitas manhãs do teu nome, os muitos desdobramentos de menina um tanto.
Há neste algoz um bom dia, neste trato tua tinta, neste abraço tua menina, uma jardineira em flor. Uma camélia desmaida, uma figura, um traço, um perfil. Um sobrancelho, um cartaz, um aviso.

Há esta parada que não se sente.
Doce lado envolvente e a canção.
Que fica a martelar, a canção alegre. A canção.
Só há cançao. Só há canção. Só há canção.

Só há ... muita festa, muito jeito, muita ligeireza, esnobando a estreiteza.
Um teu pensamento em meu volátil verso.
O meu acamado e doce espanto, o ar de abril adamantino.
A espetacular presença de uma mesma outra vez mais jogada aqui, metaforizada na cantiga e neste luto adormece,
Uma paz e ... apraz.

K.T.N.
16/04/2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

10/01/08

Para além da escuridão
A chama da vela.
Para além de cortinas fechadas,*
A mais nova arandela.

Novidade?

Agora sou eu quem leva a vela
Agora sou eu kem velo o sono
Agora sou eu kem ilumina a rua.
Agora a tarde é toda sua.

k.t.n.

09/01/08

É noite, é noite certa...
Nesta noite preciso voar...

É noite, é noite deserta,
Nesta noite preciso buscar...

Estas flores são ofertas raras
Estas flores são simples ofertas.
Vc pode ficar com elas de cara.
Ou pode, na medida, descartar.

'Uma rosa com amor'
Um chavão em muita cor...

Kisses,,, welcome...

06/01/08

Pontilhada de cristais
Assim tu levas longe
Todos os meus ais.

k.t.n.

Minha primavera não tem datas
Minha primavera é perene
Acontece todos os dias
È carícia plena...

Minha primavera não tem pressa
Demora-se em meus jardins
Não tem pressa de vc, nem de mim
Aguarda em seus botões
Hora certa
Desabrochar febril
Com borboletas discretas.

Minha primavera não é só minha
Repartida entre os espaços ela ficou
Coitada... não tem descanso a pobre
Fica a mercÊ do capricho, zelo meu.


.kátia

06/01/08excluir

HOJE A 'ARTE' É MINHA

ME ADONEI DA TUA IMAGEM
E COMPUS MINHA POESIA.

Ontem me vi assim...
Pensando em vc. pensando em mim
Triste conclusão de fatos passados
Felicidade pelo erro tratado.
Imaginaçao fértil
Medos detonados.

Assim seguimos,
Assim partimos...
Deixando para trás
Os fantasmas guardados
Levando esta beleza incontida
Este coração ke nem se mostra
De beleza escondida.

Este estar lânguido
Estes olhos guardados
Esta preciosidade
No vaso estampado
Na leveza do vestido

Um novo sentido.



Fico na dúvida
Entre orquídeas e rosas
Fico na dúvida
Qual delas mais pode!?

by kati


"

Esta rosa que nem se mostra
È uma rosa assim
Simples, nascida ao léo...
Sem vento, só papel

Uma rosa sem referência
De pouco trato e muita simplicidade
Uma rosa de perfume
Uma rosa de canteiro

Uma rosa de ano inteiro
Uma teimosa, sem adubo
E viceja,,, em meio às pragas
Empragueja... é forte...

Não é Príncipe-Negro
Nem Dama-da-noite...
Nem a orquídea branca
Em espaços bem tratada...

É uma rosa singela
Roubada pelos meninos
Pulando gradis
Em tardes juvenis

É a mais doce, mais resistente
Embora pisada, rejeitada...
Nem adubada,,, viceja...
Perfuma tranqüila e mais nada...

Em suas mãos docemente ajeitada.

By Kátia.


Pegue o seu coração...
Pegue-o... e faça dele
Uma linda canção...

bY kATI.

http://i248.photobucket.com/albums/gg188/mercinha11/Art/leaveme.jpg


Encarnando a própria Primavera
Fiz-me de flores
Encantos quimeras
Fiz-me mulher
Desabrochada
Fiz-me sacana...
Um tanto debochada...

Olha o regaço,
Olha o instante...
É um apenas...


Os espinhos são para aqueles ke vieram
Roubar das pétalas o doce odor...
Os espinhos são para àqueles que se revestem
De falsas dádivas, falso amor...

Os espinhos que plantastes
Serão os mesmos que levarás...
Os espinhos que deixastes
Foram removidos da minha haste...

Bom domingo!!

Para Anna Lúcia Tavares

Para Anna...

Sou uma menina levada da breca
Sou meio assim, levada, sapeca.

Sou uma menina levada moleca
Sou uma garota sem jeito.

/By Kati/

Novo dezembro

Novo Dezembro

O meu mais Novo Dezembro, consagro a ti
Á mãe das mães, a superior, a que sabe do coração
o sofrimento humano, e aconchega nos seios os seus filhos.

O meu mais Novo Dezembro, consagro a ti.
Á mãe que me acolheu em seu colo, ensinou-me os caminhos, amparou-me,
Deu seu corpo como abrigo, oportunidade de estar e ser.

O meu mais Novo Dezembro, consagro a mim, que buscando
em ti, posso nos teus passos renascer, continuar, desvendar, estudar, desvelar.

O meu mais Novo Dezembro é assim, um pouco denso, um pouco leve...
Mais nova cor, em novo amor, em novas esferas,,,
De cores respingadas de florestas, de opiniões, de fantasmas, de fantoches, de entrevistas dos bordados, das serpentinas, das meninas, dos colegas, alpercatas, rotas novas, novos mares, novo prato.

Enfim... é Dezembro, novo dez em doze! Em tantos anos juntas.
Uma nova era de um, de cada um em seu lugar.
Em nova vez de continuar, em alta

01/12/07

Cometa Azul, um Reino!

.

Em minhas borboletas há um mundo ,,, visível somente para quem tem olhos de ver ... e coração de sentir,,, um mundo todo especial, colorido, vigoroso, iluminado... do sol, ke passa pela noite e acorda majestoso e se mostra, msm depois de qq e todo vendaval ...k.t.n.
24/11/07

O tempo

VIRANDO, VAI VIRANDO,,, ASSIM VÃO AS HORAS, OS DIAS, OS MESES, OS ANOS... ASSIM, COMO UM GDE RELÓGIO, KE ORA ALTERNA O IRRITANTE TIC-TAC COM O MONÓTONO TAC-TIC... COMPONDO A LONGA HISTÓRIA DAS HORAS, DOS DIAS,,, DO MEIO-DIA... HORA EXATA... CUJA SOMBRA NÃO SE ENCONTRA... ESTÁ CENTRADA NA PRÓPRIA IMAGEM,,, TIC-TAC, TIC-TAC, TIC-TAC....

Novembro

# @ # @ # @ # @ #

NOVEMBRO (Em construção...)

Nova era... quem era novembra.
Nova era de heras... emaranhadas
primaveras...

Nova me lembra, lembra, lembra...
Novembros idos, novembros perdidos...
Esquecidos...entre partidos os entes queridos.

Novembro em membros, em mãos calejadas.
Novembro saído dos setembros...
Aguardando o mais novo Dezembro.

Novas eras... espera... vale a pena,
Não serão novembros apenas!!

K.t.N.

04/11/07
# & # & # & # * # $ *

domingo, 12 de abril de 2009

p a i x ã o

Apaixonada?? De novo??!!... Nãoooooooooo!!!!!!!!! Levem para longe de mim esta ausência de razão, esta falta de propriedade. Chamem, urgente, o psiquiatra, o terapeuta, a psicóloga, as bruxas, as cartomantes, as benzedeiras, as rezadeiras, livrem-me do fatídico, da química algoz, da alquimia cruel, da perda do 'no sense', .......... sem cartas de amor de Pessoa, sem o ridículo dos devaneios alucinógenos em puro dia, falta de atenção, desaviso, .................... chamem, chamem a 'SWAT, a KGB, a INTERPOL', o comando tático, o diabo à quatro, mas levem-na daqui e me deixe... na santa paz, no árcade equilíbrio, no Sol causticante, razão beligerante, sem atuação dos desvarios desta tal de p a i x ã o, pura perda de tempo.......... cruel lamentação!!

Alguém, ajude-me e para longe deste mister todos os maus intencionados! Rezarei ave-marias, padres-nosso, salve-rainhas todos os dias genuflexa-penitente, o rosário desfiarei, meus pecados confessarei, água benta espargirei,palma benta apelarei, contudo, em nome do Todo Poderoso, afasta de mim ... deixe-na no Atlântico Oceano, salgando e passeando, em círculos orbitais, acompanhada pela Lua, até cansar-se e adormecer.

Em nome de todos os DEUSES, das ninfas e dos gurus, refarei novamente o pedido, buscarei em palácios, navios, embaixadas, ... invadirei a NASA, colocarei-a em foguete escondido, num plano secreto, esta paixão indiscreta, que vez ou outra me assalta, faz-me de viragem, enlouquece na viagem e só passa depois de ingrata, de injusta em muitas partes...........antes disso, mando-a embora, vá-se de passagem, de preferência, primeira classe, num 'boeing' civil, fazer o seu comercial!!


K.T.N.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

* * * :))

As flores do teu jardim
Desabrocham para mim.

:))

Rosa

No meu mundo rosa você caiu, de repente.
Nesta cor que me mata um átimo e um instante.
Uma cor e um semblante a esfera do que é capaz,
O amor que satisfaz as memórias do que nunca vi.

Nesta palha rosa o amor feitio cruza laços, anuncia navios.
Neste perfil cremalheiro a lenha insiste em fulgir rostos pequenos.
Na enseada da tarde o perfeito ideograma inacabado, o amor rosa, o amor prosa.
Neste perfil em pavio, direção sem fuligem, sem formol, sem divisas.

Nesta esfera enorme, meu canto de festa, de reza que enlaça.
No teu perfil, o nome, a sesta, o embate, o encontro, dos meus olhos nos teus.
A esfera, a testa, a promessa, o filho que não partiu, o amor em adornos infantis.

O encanto, a floresta o amor, o tom inacabado, o encanto...!
Suave e sutil, em teus braços adormeceu, no entanto!

k.t.n.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mana 2

Ar de garota, infantil, olhos arregalados, pressa e bom cuidado.
É assim, este jeito afobado, ajeitado, pura ternura.
Minha mana 2, olhos bondosos, fartura!
Transparente brinca sem jeito, assustada, querendo voltar.

No seu caminho só há ida, palmilhando crianças puras.
Ó Dalila, sem Sansão que te domine, sem cabelos que não segures.
Uma menina, trejeito inteiro, um amor, és de mãe maneiro.
Tuas lágrimas não consegui contar, teu amor consegui guardar.

Embalada pelo Sol, guiada pela Lua, ornada em flores.
Buscas colméias em abelhas, trigas ligeira as costumeiras.
Assas o seu bolo de milho um gosto, uma saudade, uma fazenda, um riacho.
Das flores brancas o cheiro guardo, das velas tantas a luz do lume fino.

Da lamparina olhar meiguice são os teus dotes vestígios do amor.
São florezinhas estampadas em vestidos de menina; é de organza
os 'pois' pequeninos em preto e branco, Dalila cor.

Noite linda, mana.

k.

domingo, 15 de março de 2009

percepção

pó da percepção:

a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z

nó da razão.

k.

domingo, 8 de março de 2009



Montagem: Many* - Março - 09

Taça nº 08



Texto: Milton Gama - poeta bêbado!
Janeiro - 09

sábado, 7 de março de 2009

It

Quem poderá deter a minha alma? Quem? Nem eu! Nem ninguém!

É todo dia assim, este lutar, este ficar e ser, este buscar...

Não pára, não para, não para.

Quem poderá me seguir? Quem? Ninguém!

Em quem o espelho? Em quem?!

A refração e ato ligeiro?!

Alguém.

Eu.

Id.

It.

k.

Beijo


Beijo-te com ternura, paixão e gostosura.
Menino vadio de sol forte e travessuras.
Coloca o boné, levanta a campina, atravessa a soleira.
Há espreitas primeiras, em porte de fitas, em mais alta finta,
A sondar-te entre as frestas, em noites, serestas.

Beijo-te com a voracidade do ladrão, a disposição de um leão,
E a tenacidade de garoto principiante escorrendo entre-dentes,
A paixão, viva-emoção de largar os cuidados, de deixar os venenos
Entorpecer a razão. E não te beijo e não te digo, somente rezo.

Porque amanhece nos trópicos e o suor enlouquece.

k.t.n.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

kt / dm-mt / diogo

"Versos são sobreposições
Das tatuagens que meu corpo
Sofreu. "
//

Não ap: ague este.

areia?

cimento?

à contento?

k.
/
praprousar

/


comunidade/ cidade/verdade?

vou asfaltar a sua comunidade
para ter bastante barulho
poluir o ar com gás carbõnico
deixar o cheiro da gasolina explodir
e teus pulmões gritarem.

...vc não pode ficar só numa comuna
há de se expandir criatura
deitar raízes, entrar em crise,
tomar novalgina ke nem nova é.
remédio antigo para mulher.

ô... dio... õ dioss...meu... ô...

k.

//
Oi, hj estou calma
Nem pijama tirei ainda.
Estou de chinelos,
Daqueles velhos
Esperando
Sua nova visita.
k.t.

//
Na luz da cidade torta,
Enquanto dorme e morta,
Desfaz-se o lume escondido
E se mostra no visível beco
Ecos detritos espalhados,
Faíscas de restos bordados.

É lixo no luxo; cão vadio,
Transportando no cio...
A lata que cai, na cangalha que vai
sem-vergonha encontrar... seu amor!

É Luxo?! É Lixo?! É supérfluo?! É finito?!
Não... é o homem, que rabisca seu contorno,
Em sombras de esquinas...
E passa assobiando pelo vazio
e ri de si para si, como é bom VIVER!

k.t.
em revolução
//
rozza xoke!
É luxo, de não se conter!
k.

//

¡¿Novo tema, ou velho teorema?!

Ajude-me! Socorra-me! ou...?
o pulso impulsiona
em direção de vento ligeiro
o vento contraria o pulso
que corre prazenteiro
em direção ao relógio
poemas de um dia inteiro.

a cerimônia é chata
cansou, entendiou.
sem cerimõnia pedimos
textos voltem. melhor que o discurso.

//

Hoje

Quero escrever hoje, não me interrompam, já o fizeram demais.
Quero escrever hoje todas as palavras adormecidas, frases feitas, expressões contidas.
Quero deixar os rasbiscos, as histórias sem sentido, como as panelas lavadas em seu brilho e a louça guardada, exatamente, em seu lugar.

Quero escrever a poesia do dia, dos varais, dos mercados, da padaria.
Toda a poesia, de todo dia, todo o valor que à alma empresta, o teu labor.
Quero escrever o que resta, o que falta, o que ficou.
Preciso desatar o nó, desfazer as rimas, que alternam em assonância.
Mais que tudo, preencher a página, relegar ao texto o melhor que ficou.

Não pode mais o poeta ser um fingidor, não pode o poeta inventar a própria dor.
Não pode escrever em máscaras profanas de jardins santos.
Poeta que é poeta se desnuda e não descuida, dá veracidade à cotidianidade.
A paixão que era pura era mentira e já morreu, o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou.
A hora de cirandar chegou...
k.t.n.


"De..."id:
i'm not dog no
i'm not god no"

ou
no

expoeta
expulso da página
a mim resta o resto
ou o verso da:
ad-verso "

E viva o verso.
que seja brego
trovinha paralela
rima previsível...

//

brilha e vibra
vibra e brilha
trilha e cobra
cobra e trilha
cobre e libra
libra e cobre
livre e nobre
lavra e come.
//

expoeta
expulso da página
a mim resta o resto
ou o verso da:
ad-verso

'In coisas do coração.'
k

***

Oração da Kátia

Deus Pai, livra-me dos loucos
Dos que aos poucos destilam seus venenos
São serpentes em dia pleno.
Desfilam seus bordados para inflamar igual teor.
Instigam a fala atrita para dar-lhes a desdita.

Deus Pai, livra-me dos desgraçados, dos ignorantes, da miséria.
Livra-me da incoerência, da demência, da indecência.
Em teu nome um pedido, um clamor estendido.
Proteja-me dos assassínios verbais, da maledicência, da língua torta, da inveja, da preguiça, da malícia...

Leva-me por teus vales e veredas. Faz-me repousar em tuas verdes campinas. Dá-me da tua flor, da tua água, do teu clamor.
Que a tua música seja a única a se ouvir, que o som dos insensatos se cale nesta hora!

Chega de consumir...

Deus, pai meu Deus. livra-me do inferno, dos loucos, da insensatez... livra-me do orkut e de tanta estupidez!

k.t.n.

//

Vem brincar de roda comigo...........
Vem, dá-me tua mão.......................
Vem brincar de roda........................Lampião não está cego, n~/ao!!!!!!

//

Eis que a noite chega e traz na melhor hora seus anseios.
Enovelados em pertences de terceiros, agrupados em papéis esparramados.
Nessa hora de Ave-Maria, em que o crepúsculo desarma nossas forças inúteis
É que emergem à fronte o seguro, o inevitável sentir mais que pensar.

Avisando o cérebro cansado dos trejeitos, das tramas urdidas
Repousando o corpo quadrado, estirando em todos os sentidos.
Numa hora um passar, um tempo, um quasar...
Nesta hora um aviso desmedido, um alerta, um sentido.

Um pouco do ontem, misturado ao hoje, num amanhã sem fim.
Nesta hora o veneno, a serpente, passeiam em busca da gente.
Os pássaros se recolhem, as flores se acalmam, a natureza conspira.
Os homens se encolhem, a grandeza assusta. È nesta hora, que me encontro, diminuta!

k
t
n
.

Um emblema é tudo
Um tema um poema
Imenso teorema.

Um tema é tudo
Um emblema num poema
Velho teorema.

Um teorema assusta
Emblemático
Sem poema.

k
t
//
VI
VEI
RO
/
VORE-VI-VER
RE-VI-RO
VER!

k
t
n
.
//
NA MEDIDA...cante
encante
espante

mie, pie...

lata, parta a prata.!!
›¿Enlate-me!!??

//

ocaso
..caso
.....so
.......o
.........

...loco
...poco
....oco
......po
........o

k.t.n.

//

domingo, 22 de fevereiro de 2009

* * *

É hora. pt .

Das coisas que me irão ao coração sempre te levar.
Tento deixar, mas não posso, insistes em me acompanhar.
É uma passagem, uma certeza, um plano, uma alteza.
Um dia, uma beleza, noutro uma tristeza e vamo-nos.

Insisto em ir, insistes em vir, então, vamo-nos!
Deixa as lágrimas rolarem e o sal cozer o teu rosto.
Até a alma desnudar e, finalmente, mostrar mostrar mostrar...
O que o cinza escondeu no teu olhar noturno.

Deixa a imensidão tomar-te pelas mãos e vamos.
A passagem é muito rápida, se quiseres ir devagar, iremos.
Mas tenho pressa, tenho medo de que te percas de mim.
Das tuas dores, do teu pranto, vãos os amores.

Segura a estrela que vem além-do-mar, segura.
Pega a mão, pega todas em caminhos mil.
Singra este mar, em meu navio, ancora neste cais.
Profundidade, em paternidades de filho que não pariu.

k.t.n.

Ao ritmo da música...............&.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

CASTANHOS

NÃO VEJO OS TEUS OLHOS CASTANHOS DE BRILHO INTENSO.L
APAGARAM-SE NA NOITE, NA DISTÂNCIA, DORMIRAM.
ENTRARAM COM O ARCO-ÍRIS, INVENTARAM MATIZES...
SONHO COM A TERRA, PAÍS DISTANTE... SINGRANDO
OS AZUIS, NAVEGANDO POR MARES, ENCONTRANDO MONTANHAS.

CASTANHAS, MARRONS, TERROSAS... EM IDÉIAS, EM PROSA.

K.T.N.

Música 2009

Aqui, jamais o amor deixará de cantar ... em toda a sua espécie, em todo o seu teor,
... mas AMOR,
que rima com MAIOR)

Vá s'imbora o que não acreditar,
Vá se'nhora de voltar,
Ao decidir que seja amor, vida e vida e vida...
Muita vida... 'assim tem que ser'...

Combatida, destemida, desferida, sem dó...
Vida que sangra, que canta, que embala, que enovela...
Que espera, que se zanga, que empobrece, em razão
de ser novamente "a bola da vez".

Chega, chega, chega de mansinho, devagarinho
Não dê assuste aos passarinhos....
Depois, aumente o volume e cante, cante, encha os pulmões...
Exploda o coração em colméias, em meles gelatinais os ais.
Sem dúvidas ...... contacta, contamina, contagia, só folia )
dia, noite, noite e dia, dia e noite, duro açoite...

Venha.........................vida há por viver!
...................................caminho, por caminhar!
...................................gosto por experimentar!
Seu rosto para eu contemplar!

k.t.n.

Como eu gosto!)


Brinco com as águas do tempo
E, reinvento
...os meus sentimentos...

Das pratas





É brincadeira ) de primeira )

Não brinques com meu brinco de prata.
Não zombes, não jogues, ó valor)
Nada se joga, nada se perde, tudo se cria, ou se recria.
_Azar teu se o perdeu, está em boas mãos, ó guria!

Agora passeia pela cidade, invade territórios, privacidade.
Esquecido em algum canto, espera a hora de novo encanto.
E fica a dona pressurosa, acha-o logo, recompõe-te!
Recomponha-me. É hora de brincar..., outra vez) prata da vez)

k.t.n))

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Prata da casa


Minha Prata

Aonde foi a minha prata. Aquele pingente que me mata. Acidifica e não passa.
Aonde foi o que é meu, estimado e presente, escolhido e pendente?
Aonde? Dónde estará, neste instante? Jogado em vaso velho? Pendurado em solo estéril?

Aonde puseram? Jogaram fora? Lançaram pela janela? Desfizeram-se!!!
Que judiação, que malssinação. Nâo era para perder, não era. 'Baita' confusão.
Profusão de líquidos, de pernas, em doideiras de longa espera, ficou...
Em coração que bate forte, em beijos molhados, mortificados, arrancados... arranhados.

Em que lugar, onde estará? O que não se joga, não se pode perder.
Quem mo trará ao meu lugar? Qual bruxo nocturno o encontrará e, magicamente, recomporá entre as têmporas avermelhadas?

Tine a prata, esquenta o lóbulo, fermenta a espera.......... aumenta a quimera.
Sonha e sonha............prateada) a lua está. Sua prata voltará! ))
É noite de amor, de amor, amor maior...................... prata da casa!
Invade e late, não é lata, é prata amor, é dia de M
aria!Venha!!

k.t.n

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Contexto*


pro-fusão

k
t
n.



Preciso de palavras. *
Compôr um texto.*
Encaixar neste contexto.*

sábado, 7 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Olhares... {Fada e Many, obrigada!}

























D.A.

Olha a cena!


Quem mo colocou lá em cima, quem foi?!

Trate de me tirar, recolocar-me em meu lugar.
Não gosto, sobremaneira, desta tal brincadeira.
Piso firme, chão batido, todo dia, dia-a-dia!!

Sem essa de delirar, sem essa de me tirar!!
Ajeita as rodas, arruma as notas, deixa aos pássaros
a vontade de delirar...

Que coisa sem jeito, que triste trejeito... trágico trajeto!
Engoliram minha bicicleta, levaram-na embora, urge as propagandas!
Sem fita de cinema, sem alô de fone mal pago, anúncio de boca em boca.

Pedala, ajeita, desentorta, sem esta de quase morta!
Em linhas retas, enormes círculos, assim se vai.
Assim se conta, a fenomenal história, de duas rodas.

k.t.n.

Montagem By Many*

Passeio outonal/ Obrigada, Fada!



























D.A.



Passeio outonal


Hoje cantarei os frutos da caminhada.
Os saborosos, os amargos, os melífluos, os exóticos.
Tudo o que me deste, todos os que deram.
E são muitos e são tantos, que me embalo em doce canto.

São maduros, generosos, fartos, nácar em polpas.
São teus olhos, são teus braços, os afetos e as passagens.
A chegada, a virada, a parada. Examinar!Constatar!
Alegrar-se!Meus frutos, nossos frutos. Fartar-se!

A fotossíntese e a clorofila, os filamentos, a tarde, o fim do dia.
Pedalando e parando, acoplando os pés em densa grama.
Adensando o corpo em extensos planos, colorindo as flores.

Então, assim ficamos; das flores que vieram, os frutos que ficaram.
Com Cecília, com Peri, sem fantasmas, sem longas viagens.
Pequenas paragens, eternas dormências. É colheita. Assim canto:

_Imensa paz!

K.t.N

//Por Suriel//

Preparando palavras,
propagando pedaladas,
desnudando: peladas!

Dispensamos assim,
máscaras e trejeitos tristes,
fantasiamos: sonhos.

Fotos,
flores,
frutos,
fitas de cinema,
síntese:
colheita de percepções.

Suriel Bonnet Fayad.




By Many* (Cometa Azul)

Katita

Essa mulher menina
imprime seu largo sorriso
como asas de borboletas

Mulher ..menina tranparente.
Em torno do seu olhar
existe a mágica expressão
de entrega consciente,
de poeta natural

Ah! essa borbotita
percorre jardins ..encanta flores..
Quando não sorri,
certamente está como as borboletas
apontando suas asas pr o céu
em forma de oração!

By Many*

{Obrigada! Minha irmã de alma...!}

domingo, 1 de fevereiro de 2009

k,t,n

Por que esta pressa em acordar?
Por que esta que insiste em me levar,
Ao teu cais, ao teu porto?!

Não la entiendo...

È uma perda, um sentido...
Que me escapa aos ouvidos,
Mas que entope os meus nervos
E me deixa em desejos....

cedo, cedo, cedo...

k
t
*

agora é a minha hora
moça-senhora
gentil, pueril, juvenil...
menina, mulher...

agora é hora, a hora eterna das horas
agora é a hora.. a hora de fazer poesia.

bjs.

k.

Assim, em agosto.

Inspirada em Rita K.

Então é assim... num campo vasto sem cabeças,
Na noite aflita a luz indica dos passos cambaleantes às ruas poeirentas.
Então é assim... decapitadas para servir ao outro.
Vontades próprias ignoradas, desejos certos servindo à mesa.

Na noite, a revelação, dos atos a confusão.
Buscando, achando, encontrando... a alegria de novo ser.
De novo estar, cada qual em seu lugar.
Provendo à mesa posta, o disposto, com gosto.

O talher certo, o prato cheio, a cabeça vazia.
Um gosto de verdade, um gesto sem maldade.
Tomando o que é seu, trazendo o meu 'eu'.
Estou de volta. Como gosto de mim!

Cabeça no lugar. Mulher, vá se deitar, na cama dos amores.
Costurada a retalhos, ajeitada, muito cuidado.
Dobrado, amassado, esticado, retalhado.
É assim, que componho a mim. Como amo e não me engano.
k.t.n.
31/08/2008

Para Concha Rousia e outros poemas . "In essência".

Brrrrrrr...........!!

A geada e a chuva
O vento e o gelo
O foco e o verso
O frio e o segredo.
As partes concretas.

Tão ventos nascidos.
Tão ventos partidos.
Levados ao ecos, murmúrios sentidos.
Fragmentos, sensações, volúpias, emoções.

No caminho há paina, muita folha, quanta grama.
Sem peso, leve, pairando em nuvens de pensamento.
Ai, que frio, ai que gelo, ai que gosto, um teu disposto.
Vem no frio, no ar vazio, na imensidão, falar da voz do coração.

Sem métrica.
Sem medida.
Sem contrato.
Sem mudança.
É permanência.

k.t.n.
[P/ Concha]
Uma amiga.CONCHA ( um poema )

Ante o mar, revolto e cheio de voltas,
há uma vieira que envolve pérola.

Há um rochedo, uma demanda e uma guerreira,
trovadora de trovões e brisas...

há um carvalho plantado na terra
( agora finda... finis terrae )
a dizer da beleza que existe no mar,
nas colinas, nas campinas...

Há uma concha entranhada na alma:
um campo de estrelas
(no céu do mar: galáxia )
a dizer sua beleza... Galiza.

E. R. Halves



'Eu'
Esta que sou e que me persegue em palavras
Diante de mim, cristalina paisagem.
Em mim, desfazendo a miragem...
Esta que sou e que se desdobra em sílabas.
Que se compõe de poemas
E me traduz no âmago e me desfibra encontro pleno.

Inteira, reconciliada, recomposta.
Felina, falta parada, triste sina...
Esta sou eu. Imagem minha. Resplandece. Ocaso.
Amanhece. Um caso. É minha imagem.

Em palavras, em palavras, em palavras desdobradas.
Em sílabas, em versos, em letras, em borrões, descuidada.
Em mim, tão feliz, tão recôndita, tão completa.

Enfim, esta que sou, completa-me, permanece em mim.
Atitudinal, esfera e tal, segura e firme, palmilha,
nos textos, digita nas páginas alegrias incontáveis.
Felicidades alcançáveis, muita cor, muita miragem.

Um sonho real. Sou.

k.t.n.

In essência.


/A poesia que você espera./

Falta a poesia, a que você espera.
De um dia poeirento, friozinho vento.
Atitude pensada, realizada, ensimesmada.
E veio. pé ante pé. veio. e foi.

Passou por baixo do escuro portão.
A luz acendeu, logo apagou, foi só uma passagem.
Não obstante, concretizou.

E assim, num conto pequeno, de minutos apenas,
Em compasso dois anos.
Em teu passo, meus olhos, dobrou a esquina.
Só, sorrateiro, em vazios de esquina.

Foi o meu amor. ! .

k.

19/09/2008

II

Eu, um problema, um grande teorema.
Modéstia à parte, cheguei de viagem.
Joguei a mala sobre a cama.
A roupa suja, nem a trouxe.
Deixei-a pelo caminho, renovando armarinho.

Cheguei da viagem, pus os pés para cima.
Descansei, debrucei, adormeci em languidez profunda.
Desmaiei, sem vertigem, pude parar, pois já cheguei.

Parei.
Olhei.
Dormi.
Descansei.
S'imbora, pra outra... o caminho se abre em possibilidades!!

Joga fora o já gasto.
Apanha o que é de repasto e s'imbora, pro caminho.
Senhora. senhora, sem hora...rsrs...

k.t.n.

In essência.
09/2008