domingo, 6 de março de 2016

Triste assim...


Às vezes, bate uma tristeza de tão triste, triste assim.

Tão quieta e parada, torcida nos músculos do peito.

Irmã gêmea da dor, pusilânime se aquieta dentro.

O silêncio por irmão, a alma parada, entorpecida.


Este sino que não bate compassado, esta hora tardia.


De uma voz que morre-enterra quimeras e luares.

Não há música, nem colibris, pálidos pardais cinzas.

Uma bagatela de soldados de chumbo caminham



P A R A L E L O S


E a noite, irmã mais velha, chega sorrateira e negra.

Envolve as músicas dos vizinhos, o sertanejo canta.

Aquela estrofe continuada, martelada, ritmada.

O terno olhar se estende e dobra num sono morno.

Pernas encolhidas, dentes cerrados hora de adeus.

Uma longínqua espera do candelabro dourado,




suspenso em auréolas A M A R E L A S ..,

Um ouro quente adocicado e a harpia toca

E o sino tange, a missa reza, o homem sangra, a pele estica e enruga num



v a i v é m - m e - v a i - e - v e m - - -



Tão fácil colocar num vaso arlequinal, preencher de bolhas

Uma flor e observar o cuidado de quem pisa de mansinho,

Sobre as folhas.


k.t.n. in deserto

Haja primaveras de março!



Março,

Chegou com um gosto de terra

E chuva hasteada nas plantações

Vento ligeiro perpassando pernas

Arranhões no asfalto

Legítimas vontades!

Águas e março,

Já sabia o poeta maior.

Levando paus e pedras,

Oscilação de varais.

Noturno gela as fímbrias forças dos pés

Convite soturno ao acasalamento

Deitado em açoite de faca e fuzil

Diurno penitente clama o sol,

Que atende formando arco-íris, arrebol.

E uma paixão acende pedindo açucenas.

Onde nesta estação?

Azulejar muros, cantar canções, esperar.

cMaior mês inicial marca alegre sorrateiro

Mudanças extensas, figueiras, cromos e saladas.

Deixemo-lo navegar em suas águas.

Corramos ao seu encalço descendo enxurradas.

Façamos o contraditório dia-noite intervir

Na vida das pessoas que sobreviveram a Março,

Marco plural, cheirando à Marte, vermelho e enxofre.


k.t.n. in meses cheirando náuseas

Linhas indiscretas






Estas linhas antigas ocuparam quadris.

Mexeram e remexeram os corpos suados.

Deitaram à mesa ameixas e pêssegos,

Na forma das moças a enfeitar bandejas.


O que era das meninas gentis?

Dama em camélias, sonhadoras sutis...

Inverteram os nomes, rebolaram travessas,

Pertencem a um tempo em que não se diz.


Semoventes em feixes agregam sementes,

Quem sabe brotar num outro porvir?.

A vida que segue, o homem que canta


São linhas indiscretas balançando coqueiros

Cheirando à fumaça do vapor do asfalto,

Quebrando os requebros das moças mulatas.


k.t.n. in sem nome