sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Das noites...

Elerê

Eis que chega a noite linda a filtrar-te em seus fios...
Chega mansa, sorrateira, enovela os cabelos, traz a mancha do outro dia.
Esparge em sons difusos, notas, pedidos e entremeios.
Recorta teus lábios, cai-te à testa, ensombrece, enriquece.

Tranqüila, de olhar sombrio, avança de primeira, em instantes: altaneira.
Pontilhada de agulhas, são as farpas do derradeiro, é festa agora, chega ligeiro!
Toma teu assento, busca, no firmamento, a resposta da perene pergunta.

Enobrece teu instinto, dá vazão; enternece-te, então... é noite...
Mais uma, gentil, cumprimentando em seu semblante, fazendo versos...
É o poeta errante... é a música certeira, são seus passos acobreados...
Um deixar-se de se perder, em breus, metades, partes.

Olha bem! O fulgor tange, os brilhos clamam... é a noite do meu bem!

k.t.n.


Eis que a noite chega e traz, na melhor hora, seus anseios.
Enovelados em pertences de terceiros, agrupados em papéis esparramados.
Nessa hora de Ave-Maria, em que o crepúsculo desarma nossas forças inúteis,
É que emergem à fronte o seguro, o inevitável sentir mais que pensar.

Avisando o cérebro cansado dos trejeitos, das tramas urdidas,
Repousando o corpo quadrado, estirando em todos os sentidos.
Numa hora um passar, um tempo, um quasar...
Nesta hora um aviso desmedido, um alerta, um sentido.

Um pouco do ontem, misturado ao hoje, num amanhã sem fim.
Nesta hora o veneno, a serpente, passeiam em busca indecente.
Os pássaros se recolhem, as flores se acalmam, a natureza conspira.
Os homens se encolhem, a grandeza assusta. È nesta hora, que me encontro, diminuta!

k
t
n
.
2008


Passeio na primavera

















Passeio na primavera

Hoje encarnarei Cecília, sem Peri ...
Falarei das cores, das borboletas e das flores.
Cantarei melodiosos sons noturnos.
Embalarei em seio agreste, lugar seguro.

Um dia, Cecília, um dia na grama...
Sentindo o ar que embala, tocando airosas ramas.
Pedalando pelas campinas, tocando o céu em harpas finas.
Dedilhando em solidão feminina, eternizando o sentir de menina.

Espera a filha, espera a volta, coloca as fitas,
Nas voltas que o mundo dá... !
Cancioneira em brincadeiras de roda...
Cecília, mulher é o que há!

k.t.n.

Todo prosa

Meu 'chocholinho' ficou rosa...
Agora está todo prosa.
Que tristeza, que beleza!
Quem que se incomoda?

Morde a lata, chuta o balde.
Vira a caixa, remove o entulho.
Volta para a casa, cabisbaixo.
Ò menino, de travessuras!

Embocadura, em fim de rua.
No sinaleiro, bobagem tua.
Passa ligeiro, olhar matreiro.
_Deixa às raposas, as uvas podres.

k.t.n.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

prosa poética


Venha brindar nesta taça.
Quero todos os cristais, todos os dias.
O dia é hoje, amanhã não dará +;;;
O tempo urge, ... o tempo urge...
Ai do tempo, vamos lá!




Meu novo jardim será assim... limpo, organizado, hora de arrumação!
Casa cheirosa, aroma de lavanda, perfumada, aconchego, bom cuidado...
Convidarei os afetos, a dividir um bom café, tomar edificante chá...
Hora das torradas, dos biscoitos, da mesa posta, da toalha passada.
Lustrar inox, limpar a prata, tirar dos armários as coisas quase mortas.
Renovação, reconstrução...
31/08/2008

sábado, 24 de janeiro de 2009

Doce Jandira


Finda este dia e não posso compôr teu poema
Por mais que escreva, não traduzirei a falta que fazes.
Por mais que sinta, não posso exprimir-te em palavras vãs.
O silêncio diz mais, o soturno e inenarrável silêncio.

A seriedade das tuas mãos, o conforto do teu carinho.
A sensatez e a razão de mãe taurina, forte, combativa.
Emoção, reza pura, sentimentos, só vazão.
Não sei chorar como tu, não sei...

Isto não aprendi, meu choro é interno, vaza n'alma e se aloja no peito.
Inda é tempo, mãe te chamo. Inda é tempo, mãe te amo!
Coroas teu coração do perfume preferido, pois as flores ajeitastes em vaso escolhido.

Respeitamos, pois te amamos.
Eternas saudades... sem fim ... ... ... ... ... ... ;
numa alegria repentina, de sentir-te junto a mim.

Jandira!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

moto-contínuo

Não sei onde deixei tanta vontade... não sei...

Estou a procurar,

Quem sabe no seu olhar...

Forte, brilhante, expressivo,...

No seu toque, ombro a ombro...

Na sua fala trêmula, no seu jeito forte...

No seu castanho olhar, no seu jeito de menino-homem.

Atlético, sem par!

pronta

Hoje acenderei a luz mais cedo.
Hoje estarei pronta para espantar os medos.
Hoje serei a energia em espectro claro.
Serei a paz, serei o lago, serei . amor!

29/12/08

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Fa/echada




Mesmo que não abra a minha boca,
Meus olhos contam de ti.
Mesmo que não queira,
Meus lábios pronunciam o teu nome.

Meus gestos, meu corpo, de trás e de frente,

De lado e de cima, debaixo, baixinho...
Falam tua linguagem de forma atrevida,

Denunciam o incontável, incontestes verdades.

Mesmo que proíbas, emanas de mim,
Palavras cortadas em beijos molhados
Não posso medir, não caibo em formas,
meus braços ultrapassam,,,

meus pés vão além, meus cabelos escorregam...
Não caibo em mim, estou dentro de ti.


K.t.N.
10/07/2007