terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Natal silente

E o dia de Natal finda / Solitário e cheio de promessa de alma vazia / A noite rompe os mistérios / Entrega ao berço do menino suas histórias / E ele frágil e pequenino / Carrega as dores e os pecados do mundo / O maior entregue à sua sorte / No horizonte a estrela de Davi desce / esplendorosa alimentada pelas preces / O homem, este homem que não se vê, continua mais Menino / que este doce bebê! É Natal ainda? / Calou o sino, as vozes todas. O céu anuncia novo movimento. / Pestanas levantam-se e buscam o firmamento / Deus menino, anjo sagrado, esperança dos homens, mantenha sua graça!


sábado, 5 de dezembro de 2015

Procura


Procura-se um amor!
Que seja paciente, bondoso,
não o, suficientemente, bíblico.

Que esteja aos pés,
não rastejante
como os felídeos neotropicais.


Que passe à altura,
Sem que atinja
as asas do condor e gaviões.

Que esteja nos cumes,
como o edelweiss
em Bariloche ou nos Alpes Austríacos.

Mas que não murche
tão rapidamente como
a flor do amor uma noviça rebelde.

Este amor deve vir,
mansamente como o lago
e impetuoso como as ondas do mar.

Com brilho e vontade,
fogo, determinação
e algo assim como a rede de fim de tarde.

Manso como os coqueiros do nordeste,
Suave como a brisa do verão,
Aquiescente como a donzela apaixonada.

E esta procura branda,
há de se encerrar.
Os olhos dormirão em paz! 

k.t.n. in procura

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

a c a l a n t o


Durma / que o acalanto é doce / aquece a cama / que a alma pousa/ 

deixe o amanhã / esquece o corpo / deixe cair / é dia sobreposto.


k.t.n.*& in alma

Fina e gostosa a chuva vai




Fina e gostosa

Chuvinha fina, gostosa, goteja na laje.
Meus pensamentos se esvaem com as gotas que caem.
Longe os tormentos passearam.
Hora de dormir, levar o sono ao relento da manhã.




A chuva insiste em gotejar meus pensamentos.
Dispersos em águas fraternais.
Entrego ao Pai, ao Filho e ao Espírito.
Meu santo nome em gotas imortais.



Ó vida futura que se derrama pelas calçadas.
O vento não geme, espreita a delicadeza deste som.


Um fio entre fios d'água caindo.
Lava telhados, lava paredes, 
lava os rios.

Um devagar, um sem pressa,
 a monotonia.
Da água batendo 
destilando poemas e amores estivais.


Vamos torcendo roupas esticadas em imensos varais.
Chuva depressa, chuva ligeira, chuva esparsa.



Acende em meu peito hora perfeita, 
delicadezas.
A paz que procuro no silêncio 
da noite.
Entra Dezembro, traz novo alento, 
lua e cetim.E um anjo dourado resplandece na palma.


E a chuva gozando
desce em prata ilumina frestas.
Ponho a dormir, a sonhar e em vaguidão
Nada específica um cálice a transbordar.




         k..t. n. in ritmo de chuva de verão