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Mostrando postagens de Novembro, 2014

Pinga

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A água pinga
Pinga a água
Se a água é pinga
Pinga é água?

Este teorema
Equação equatoriana
Sofre de insolação
Estertor de solidão.

A água pinga.
Pinga a água.
A água pifa.
Pisa na água.

A pinga mata
Mata a sede
Salva gente
Muita saliva e hálito.

A água respinga
No mato, na rua
Na flor, na janela
Na garrafa vazia.

A água pinga
Pinga a água.
Goteja forte
Goteja pequeno

É um pedaço
Do meu pensamento.

k.t.n. in novo ensaio em véspera de voltar

Mimesis II

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Arte: Sérgio Genaro
É preciso pedir perdão.  Navegar nestas bocas santas.  Almejar o trato dimensionado. Esquecer o furacão da alma. 
Urge fazer a palavra seguir.  O dicionário florir.  As flores-palavras-frutas  brotarem do tronco. 
Há um não sei quê nesta hora.  Uma faina, um labor.  Porém, é preciso o perdão. 
 Antes que o mundo acabe.  Antes que o terreno desabe.  Antes que o vulcão cuspa  suas lavas latejantes vermelhas crispadas. 
E o homem caminha, assim.   Imperdoável palavra na esfera do tempo.  E não pede perdão, não pede perdão,

Mimesis

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Pat Erickson.

Há uma tristeza no ar.  Quando a boca quer calar,  o que a fala oculta.
 As palavras todas intraduzíveis.  Perfeitas sílabas sem fonemas. Um tormento sem remendo. 
Estrelas pontiguadas ferinas.  É a palavra não pronunciada.  O texto soluçado e estanque na garganta.
Nada se compara à dor vivente.  A insídia e pérfida traição.  Da dilapidação da língua circundante. 
Em espiral genérica em gaze estuporada.  A argamassa do texto arremessado,  ao dissabor das ondas da maré. 
Um homem, o que é?  Um homem, o que faz?