sábado, 21 de novembro de 2015

Inversos II

Planto uma semente e espanto o tempo!
Planto uma planta e espanto a semente.



No chão e na terra, piso a performance.
Do plantio correto e da terra fertilizada.




Escoo os excertos de lamentos.
Escorre a água na terra arenosa e drena,


os sonhos, o menino, o pedaço de céu,

da árvore e dos arrebóis.


Reclama o Sol.
Digita a Lua.



Hora de dormir,
Vicejar o verde dos nossos olhos.


k.t.n. in trégua.

Repositório de tempo.

Tudo estranho,tudo novo
e estranhamente perturbador.
A novidade que se avizinha
avilta a mente.

O contato com a pele nova
seduz e amedronta.
A matéria enferma
pende do asfalto cruel.

Lima a língua e
tesiverja sobre falácias cruentas.
O homem sábio se afasta, 

atinge o cume.

Exalam espinheiras, 

bagos de jaca e jatobás.
E o machado corta, 

o machado corta!

Uma lua brinca
e um Sol se esconde.
A criança atravessa a rua
e é pique.

Um velho cospe,
saliva e engole as próprias.
Nada de novo,
na velha guarda estranha perturbadora.

E tudo brinca de novidade,
espantando velhas saudades.
Quem dera a búrica azul
caísse no buraco certo.

Mas o gude da bolinha
se espana e se espalha.

A mãe grita um poema longe
e as bonecas se espalham.
Fazem festa para os grilos do porão.

De novo a velha guarda volta ao tempo e repete:
_ Tudo estranho, tudo novo
 e estranhamente perturbador!

Ao longe, o homem fuma da sacada.
Seu short cai pela barriga saliente,
a fumaça se esvai.

Diz de si para si:
_ Mais um dia que se vai!
Não se perturba, é a ordem.

Mas a velha guarda não descuida
e repete o tempo.
Repete a ordem
 acha tudo novo,
estranhamente novo
e ensolarado na noite sangrenta de Paris!

k.t.n. *& in repositório de tempo.

Fora de ordem.



A mulher que passa,
levou o seu pensamento.
A mentira da mulher que passa,
levou o seu juramento.

O homem que nunca passou,
 machucou-se em pregos e cercas.
A dor do homem inerte,
esvaiu-se em sangue que não jorrou!

A pisada mais forte ficou no sapato,
na sola da prensa no chão
Embaixo espinhos e tocos.
Cimentos e cal espalhadas.

A mulher levou o nosso pensamento,
passou e não voltou!
A verdade da mulher que passou,
não era mais que ilusão.

Tantos os engodos
 os anjos enganados!
A tola que se foi,
e a tolice que ficou,
empataram no ar de abril.

Era um tempo de gerânios,
de cumes e cuspes mil.
Um ar primaveril,
fora de ordem, fora de jeito.

O homem passou! A mulher passou!
Que é do tempo que ficou?!

k.t.n.*& 

Inversos



 Não tenho flores hoje!
Gastei-a com os tempos!

Não tenho hojes!
Gastei-os com as flores!

Não tenho ideia nem franja!
Cortei-as com o tempo!

Não tenho tempo e ideias!
Cortei-as com a franja!

A tez ficou curta.
O navio profundo!

A mulher sem saída!
O navio sem chegada!

Os ramos partiram!
Enroscaram-se no leme.

O que era do navio?
Um menino em prece ao vento!

Não tenho flores hoje!
Gastei-as com o pensamento!

Tenho pensamentos gastos!
Restos de flores murchas!

Testa emprestada às rugas!
Do tempo os vincos todos.

Tartarugas que passaram.
Saltando pedras escalando cumes.

Tanto verso e tanta cruz!
Inversamente nesta luz!

...

Pois, não tenho flores hoje!

k.t.n. * & in Inversos

sábado, 14 de novembro de 2015

Minas não há mais!


A lama de Minas Gerais sorri para nós.
Metáfora de um Brasil que ri dos seus.
Dor das perdas imensas anos sem fio.
O rio, o rio, o rio que era Doce.
Escorre e serpenteia até o Oceano...
Deixa-nos aturdidos diante da Real
Quanto tempo se escondeu?
Quanto doeu? Esfacela aos nossos olhos.

Triste sina Mariana, meninas Marinas.
seus filhos peixes soterrados.
Mumificados ante a bestialidade.

Ó filhos de Minas, coração do Brasil.
Terra de Drummond, Adélia e Adriana.
Inconfidentes teus filhos tremem.
Nunca mais.
O rio é doce e morre no mar.

k.t.n.&*


Inesgotáveis

Indo, mas volto para o sono eterno dos dias.
Infindáveis.
Inesgotáveis.
Amparados na quietude dos pássaros do quintal.

k.t.n.&