quinta-feira, 26 de junho de 2014

São João


Destas flores descontinuadas que pontilham imensos cabelos
Enredados em anelados dedos, fervem tulipas e orquídeas, 
Cada qual no seu lugar são flores de Primavera 
Brincando no Outono resistem as intempéries, ventos, pensamentos. 

As cores profundas navegam em navios sem âncoras. 
Despedem-se as corolas, as sépalas e as pétalas. 
O entorno não apresenta folhas, já caíram, muitas em vãos. 

O outono despediu as flores. 
As risadas vazias e ocas sussurram ao ouvido mais fraco. 
Uma música. Triste e melodiosa. Vazia e vazante. 

E o homem acorda, pega de um violino e tamborim, 
Faz um samba sem fim. 
Espera a próxima primavera em paz!

 *Viva São João, São Pedro, Santo Antônio não!

domingo, 1 de junho de 2014

Uma


A verdadeira primavera não aconteceu.

Somente uma vez na existência.
Transparente, florida, essência, vida.
Néctar de frutas colhidas no alto outono.

Derramados nas pétalas sésseis dos arbustos.
Incrementa pedaços de meses em auréolas do divino.
Enovela fios de cascatas nas passadeiras e correntes.
Encontro fatal de orgulho e morte, azar e sorte.

Destila o fel e o mel, dilacera feridas, cura tromboses.
Afia o fato, amola a faca, destila veneno, entorpece sentidos.
É ama primavera, dama intencionada em esferas.

Contínuas e paralelas eternecem em prece.
Ruborizam faces, elogiam partituras.
Fogem as agruras e todas as fissuras fecham!

Em prece, Primavera!
Neste Inverno de 2014!

k.t.n.*