quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ensinamento

Se pudesse te ensinar, ensinar-te-ia o caminho da paz.
Em se podendo ensinar, quereria aprender mais e mais da sabedoria.
Tendo o poder do giz, escreveria o nome que falta à tua mesa.
Resvalando frente à lousa, traçaria desejos de esperteza e finezas de textos sóbrios.

Seria tão correta e tão discreta, que ajeitaria os óculos e descoberta,
Desvendaria à classe incerta que não sou dona de saber profundo..
Só mais uma criatura neste mundo, partilhando a sala, respirando o pó,
Encrespando a arte do crescimento, enganando com palavras e expressões,
Copiando o que outros já escreveram, passando a cola do que li e reli,
Dando essa esmola que também recebi.

Mestre ou professora, criadora ou copista, tenho um nome, uma marca
Um carimbo em minha testa, o fazer a pensar, o fazer o sonhar, o moldar, modelar...
A preocupação é grande, o mundo é indiscreto, sem rumo, incerto.
Enquanto isso dois e dois são quatro na esperança matemática em meio às Letras performáticas esquadrinhadas num navio.

... cuja fumaça se espraia em horizonte efeminado
como são das mulheres as palavras...........
como são das fêmeas os atritos,
como assexuada é a linguagem
pertence a todos e não tem reino,
pertence a muitos, embora sem treino, empreste às letras, às sílabas, os termos,
para compôr num gesto obSceno, nada sereno, palavras de AMOR.

K.t.N.

16/10/2009

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