quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Sapatos

Pise de leve, de mansinho.
Meu coração não é de pedra.
Nele cabe o mundo.
Pequenino e quietinho.
Num canto de manteiga.

Pssst!! Pise leve!

k.t.n.* in dança e leveza

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Espiral

É só isso que quero: ESCREVER.
Jogar palavras fora
p
e
l
o
  vento.

Sentir todas no peito.
s
a
i
n
d
o
   INTEIRAS.

Vertendo nova face.
Maturidade,

Tenra idade.

E na foice cortar o teu sentimento.

Cortar tuas asas.
Bastar o teu lugar,


Nem santo nem sacrossanto.

Uma esfera sentinela.
Olha-te,
Rubra.

Ruboriza e se afasta.
Imediamente,
Retorna.

e
JOGA o limo da chuva
n
a
Boca espiralada da mulher chinesa.

Assim,
Acontece.
Uma prece.

k.t.n. in ensaio.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O meu bloco na rua, eu vou cantar!


Imagem de Luiz Cavalli

O meu bloco na rua, eu vou cantar! (Prá dar e vender)



Tiraram o meu fusca da rua.
E nem era segunda-feira de Carnaval.
Como jogar serpentinas?
Cinzas, pratas, etc e tal?

Na quarta-feira resolvo isso.
Deixo o futebol  neuras todas.
Pego a cinza do teu rosto.
Uno as partes em tons mais lúdicos.

Eliminarei ferrugens.
Tempo perdido.
Rodas novas, vida em crescente.

Parcerias iluminadas.
A lua por companheira.
Terra Brasil, hospitaleira.


In amor de rua aos pedaços!
k.t.n.&*

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Flores vertidas

Meus olhos vertem flores/
Procuram um Planeta desabitado (sem príncipe) /
Floresta encantada (sem mosquitos) / 
As bocas, ah, as bocas todas que tenho / 
Perfumam o Planeta / Essência sem graça 
 E inundam o vértice-oceano / 
Deságua num mar profundo e se dilui sabores / 

Meus olhos vertem amores e brilhos /
Encantamentos de fadas azuis / Lateja olheiras profundas e busca /
Sempre busca / 
Eterno arco-iris de lantejoulas /
Esparge a solidão em sombra / 
Olhos azuis assim nunca vi. / 
Olhos meus!/


 k.t.n. in braile e sombra.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Tardes derramadas

E nestas tardes suaves, avestruz/
Tanto calor-calor que faz cruz/
Sentinela dos teus/
Amores partidos em tardes quentes/
Horrorosos /
Sibila entredentes marfim e ebúrneos de sonhos derramados/

E cachoeiras disgtantes deságuam em homens e mulheres sedutoras/
O suor escorre das faces/Lateja a testa das moças/
E os homens vestidos sapatos e ternos, sempternamente sectários/
Se agitam e agigantam-se tomando Gim, a tônica/

Prevalece a tarde, morosa, quente, respingante/
O Sol não moureja no Horizonte/
Os pardais confessam panelas de arroz e araras azuis gritam/
É um festival!/

Folhas verdes teimam em não derreter, tremulam em bandeiras nacionais/
Os galhos esféricos levantam-se e riscam o ceu, aproximam-se/
A prece da senhora gorda lambuzada de gordura e sebos/
Escorre dos lábios da menina mais quieta cheirando o doce da panela/

É arroz doce, algodão-doce, batata-doce queimaram nas mãos/
Grudaram nos dentes, empastaram a língua-fel/
E seguiu a tarde quente, sempre quente, nem parou o enterro solene/

A tarde quente sempre quente fermenta/
Insetos hibridizaram as antenas parabólicas/
Em olhar sextavados-circulares, nada oblíquos/

É tarde, é verão, Adamantina.

k.t.n.*

Sementes em trilhos de pedras

Diligente entre plantas semente eterna.
Perfaz líquidos e elefantes diz-se ligeira.
Encanta artíficios nada subterrâneos,
Pois sobe ligeira a tua testa e têmporas fatigadas.

Há uma noz inquieta e perfumada derrumando líquidos
E fluídos esparsos.
Espessas gomagens tardias levou consigo dias.
Fatídicas esperanças.
Alcançadas em favor do outro.
Levou o brilho a ferro e fogo.

Trata-se de afeto raro em trilho de pedras.
Fantástica feição de primavera no ceu de abril.
Uma sintonia dissonante.
Alfaces tenras quebrando a boca.

k.t.n. in primeiro  poema de 2013!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2013

Há um langor tão denso nas pálpebras semicerradas
Pesam horrores assustadas
Pedem calma e melancolia
Nestas noites todas divididas em cílios suspensos.

Uma canção, talvez, pessoas, quem sabe.
Os olhos se fecham à claridade ofuscante
A busca da prece se faz num último instante
E se recompõe do lastro de fel

Ajeita máscaras todas, azedas máscaras
Nacaradas do malte e mel
Glaceadas de azul turquesa
Resplandecem parte do ceu

Estranha miragem na paisagem
Modificações de estrelas cadentes
que queimam os cabelos nauseabundos
Defectos e desregranhados
No lençol da manhã, mortalha.

Feroz agulha e precipício
Pedras pontiguadas ferem
Desterram fronhas, embrulham toalhas
e desaquecem o fogareiro.

Lume.

Tão discreto, nem se nota escondico sob os alforjes
O pano branco enegrece e vermelha
O lume toma corpo é labareda
Assim os homens vão estrada à fora.

Pensam conquistar baías e arquipélagos
Não conhecem o seu próprio rosto
E face a face se entregam nesta ignorância
E fogem. E fogem!

Estão amedrontados com a própria imagem
Distorcida e inacabada.
Problema de um certo Deus.
Forjou o aço e se esqueceu dos diamantes.

k.t.n.& in 2013