quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Lua Cheia


"Era noite de lua cheia e me recheei de ti...!"

Impassível flora inacabada./ deitada e destilada /
Ensimesmada e dobrada sobre o calçada.
/ Furgões passavam, estigmatizavam./
 Formigas cortavam o néctar das flores emolduradas.

 / E nada. / E nada./

Só calçada e trio. /
Sombras caídas, murchas, beira de rio./


 k.t.n. in solilóquio

terça-feira, 11 de setembro de 2012

...............

Vida, eterna surpresa!

Nem temos tempo para pensar e lá está nos apressando.

Quanto a fazer.

Não queria ,

Preciso descansar os olhos,

Deitar os ombros,

Recostar a cabeça,


Sentir o vento,

Irmanar-me.

Imantar-me.

k.t.n.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Abuso


Não posso mais me pertencer,

Preciso fugir de mim.

Encontrar a raiz quadrada.

Pálida, esquálida, inatingível.

Não se pertence, vive-se.

Ou não vivo mais em mim?

Onde estará a essência lógica e vital?

Tão contraditória e tão imensa?

Simples assim fugir.

Mas não posso mais,

Fugir de mim!!

k.t.n. in abuso*

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Estelares, luares e azuis.


A luz da cozinha acesa
Diz recados sobre a mesa.
Farelos entregues aos pardais.
Quintais alardeando gramíneas.

Acesas, pelo Sol.
Somente pelo Sol.
Sementes caem.

A luz do candeeiro queima
Solidão ao misantropo.
Termina ódios claros,
Em noites escuras etéreas.

Acesas pela Lua.
Somente pela Lua
Camisolas saem.

A parede queimou o óleo.
A caderneta de anotações perdeu.
A violeta escura e viva
Cedeu lugar à orquídea negra.

Acesas pelas Estrelas
Momentos Estelares.
Pontilhadas de azuis.

k.t.n.& in segundo momento

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Centopeia fria


A centopeia passeou no meu teto e parede.
Deixou rastros.

O besouro pousou na testa da menina.
Deixou susto.

A libélula voejou em altos galhos.
Deixou pistas.

Abelhas se comportam em colmeias
Adocicadas.
Deixaram meles.

A pista falsa dos insetos se prenunciam.
Em alfabetos de letras raras.

A musa espera o momento
Anunciam.

Espertamente, o zum-zum-zum
Martelando
Do macaco-prego!

E a bicharada se esconde mato à dentro.
Alguns menos ajeitados espreitam,
Relento.

Insetos se reproduzem.
Formigas procuram afazeres,
Sobre a tua mesa abandonada.

Partículas de pão esfarelado.
Detritos de comida de antes-de-ontem
Quem pôs a mesa?

Não lavaram a louça,
Nem recolheram talheres.
Restou.

Enfileiradas sobem pela parede.
Alguns mosquitos se apetecem desta letargia.

Hora fria.
Da água na torneira da pia.

k.t.n.* in foco


Remanso

Só não me cansa o chá.
De hortelã, de cidreira, de camomila, maracujá.
Chás não cansam.
Não me cansam os pequenos.
Os amenos.
Doces.
Sobremesas.
Chuva mansa, neblina e flor.
Flores despetalam, mas nÃO cansam.
Despejam aromas, sutilezas.
Não cansam.
O barulho do vento adormece e não cansa.
O remanso das águas nas vitrolas antigas sedentas,
não cansam.

Não me espere, que não cansa.

Não espero, isto cansa.

A letra fatigada cansa.

As palavras no pensamento distraem.

O pensamento volátil é borboleta pousando.

O firmamento descansa.

k.t.n.* entre flores, pintassilgos e brisas.


Cansaço

Cansada de: falsos políticos
falsos críticos políticos
falsos socialistas
falsos marxistas (Marx sabia fazer contas?)
falsos poetas puros
falsas ideologias. todas são.
desta vida de mentira.
deste tempo que nunca passa.
desta ilusão que se impõe.
mais ainda: desta razão que nos impõe.
O brilhante é pedra falsa aos olhos.
O coral é brinquedo falso no mar.
Cristal não há que não se quebre.
A tumba vazia não atesta o defunto
Tudo falso.
Temor, medo, ilusões.
fantasmas. solidão. tudo não.
A vida é o que é. pt.

k.t.n.* in cansada das gentes sabidas.

domingo, 2 de setembro de 2012

Presença alegre

Se nesta alegria, denuncio-te
Ë porque estás aqui!