sábado, 31 de outubro de 2009

Luís Serguilha, o clássico-contemporâneo



{Ensaio Literário }

A poesia de Luís Serguilha revela o que há de novo na Literatura Contemporânea do século XXI. Impressiona pela evolução do pensamento, seqüencial, circular ou helicoidal; não é de fácil entendimento, pois apresenta citações e vocabulário peculiar pertencente ao jargão da biologia, da dinamicidade dos organismos até a interação da vida, das profundezas abismais, das reentrâncias da terra e de suas inflorescências quase pubianas à denúncia da eroticidade plasmada na natureza primordial, elemento-chave de toda a sua escrita, que é do subsolo, da floresta, do rizoma. Um estilo novo que veio para ficar e incomodar; reflete posturas atuais na linha do tempo-espaço, do exagero das informações a que somos submetidos diariamente, da necessidade de atualização constante, deste ir acelerado e contínuo. Certamente, pós-contemporânea, o que se pode observar nas imagens evocadas nos neologismos compostos à feição de um Guimarães Rosa urbano, como: nas expressões “corais-bosques-microfotográficos, espáduas-gulas das iluminuras, plâncton-quadrângulo, anfiteatros-CURANDEIROS, estômago-cachimbo” (Processionárias, p. 72 ), na disposição das palavras, e também, dos recursos visuais da pontuação em forma de linha, que permite ao leitor retomadas e momentos de descanso ou análise, para prosseguimento da leitura , que é novamente interrompida com palavras grafadas em caixa-alta, um grito, uma chamada de atenção, uma necessidade.

Podemos verificar, no texto-trecho de O externo tatuado da visão, o que se afirmou acima, através da presença sutil, erótica e apeladora da sua biológica e imagética linguagem-escrita:

“Aceitar as luzes vindimadoras do tropel como uma rosa desorientada

nas palpitações abertas do membros felizes

Um rosto marinho adere à confidência duma vertigem subtil

e a semente da penugem deslumbra-se na frescura solitária da boca

esta origem incandescente a escancarar-se na terra desfolhada

este caminho de sopros reservado à nascente asfixiada das palavras

Os insectos azuis quebram a designação inocente dos seios sobre os perfumes embrenhados nas ruínas maternas

para completarem os barcos finíssimos de resina

e nas tuas mãos novamente os fulcros

das hortênsias parecem um fluxo de sol apressando as esperanças dos

chocalhos nas areias sumptuosas da sombra

como uma construção minúscula dos lábios a

curvar-se no fulgor redobrado da claridade

e uma lâmpada respira repetidamente na perfuração perpétua

dum valado

onde os carris líquidos da constelação se erguem infiltrados na

infinita árvore.”



As hortênsias suntuosas ao sol, a sombra em antítese curvando-se à claridade e a rosa que sucumbe aos impiedosos insectos azuis, feições de leão-marinho recortadas. Além do destaque para as palavras que ‘iluminam’, brincam com o sol, fazem despontar as outras cores existentes no texto.

Na p. 11 de Processionárias encontramos os mesmos elementos-cores, com destaques também, para o azul, céu, infinito dando ao escritor-mergulhador a escolha da direção do seu trajeto, neste vai-e-vem contrário em “ ...as herbáceas, plantações... as borboletas traçam o efeito cortante neste azul, delineando a paisagem, dando local e voz às processionárias...” inferimos, então, que os pássaros evidenciam outro corte, masculino e objetivo, ao contrário das borboletas, vivazes, mas que sem destino ‘volteiam’.

Sua escrita é revelada, ininterruptamente, num só fôlego, contemplando com freqüência a linguagem da luz, das metáforas, das palavras evocadoras dos sentidos, numa imensa 'sinestesia de cores' e termos relacionadas à natureza, em especial flores, frutos e matizes que lembram o ocaso, bem ao gosto Simbolista. Há pontos de contato entre a escrita do livro A Jangada de Pedra de Saramago e a Singradura do Capinador, no devir circunstancial, na fluência catalogadora dos sentidos e fotográfica das geografias presentes, sem paradas, num imenso ir, prescindindo ponto final. Apresenta uma linguagem forte, verdadeira, com recorrência às metáforas, como se vê, circunstancialmente, na palavra-metáfora caleidoscópio, utilizada no livro A Singradura do Capinador e em passagens de outras obras. Caleidoscópio é a multiplicidade das imagens e das combinações de cores e formas, é inquietador, mágico, fascinante, passível de observação, requintado e simples, como é a obra de Luís Serguilha, poeta português atual. São faces do mesmo olhar em constante renovação e atualização, sem ter sido diferente.

Não é reticente, suas pausas são ousadas, oportunizam reflexões, através dos grandes traços simbólicos. Apresenta literatura diferenciada, com evidências para o que há de humano, coletivo, embora se ignore sua representatividade em traços pontuados, através dos versos derramados nas páginas de sua poesia-narrativa-feiticeira que aprisiona, atordoa, levando-nos ao esquecimento do próprio eu, em busca de uma identidade criadora única, irrefutável e irreconhecível e ao mesmo tempo social, pois permite a reflexão. É uma leitura que intimida, invade, amedronta, como se perdêssemos a respiração natural e compassada, para deixarmo-nos atravessar golpeados pelas suas palavras imagens; é uma invasão geográfica-psicológica-emotiva-racional, com sentidos à boa violência em momentos de imersão, tão ao gosto do poeta. Enfim, demanda conhecimento, leitura prévia, pelo vocabulário específico que apresenta, embora a essência seja voltada para TODOS, num sincretismo e agregação humanas indescritíveis. Ao mesmo tempo em que usa o termo jacaré, substantivo simples, comum e concreto, também pode se dar ao luxo do uso do adjetivo cosmogónico e da palavra grega ‘Symballein’, conferindo ao natural a metafísica ampliada.

A palavra “Symballein” (símbolo) significa compôr, reunir, juntar. Na antigüidade, após o objeto ser quebrado, reunia-se e identificava-se o grupo através da posterior união dos seus pedaços, desta forma, o símbolo foi sempre para o homem um elo do visível com o invisível, do natural com o sobrenatural. Por isso, a linguagem simbólica é a linguagem da religião, pois trata a realidade que escapa à compreensão humana. Nos textos de Serguilha este ato ‘Symballein’ é feito e refeito várias vezes na dinâmica do texto poesia-narrativa, em que se fragmenta e se espalham as idéias e, posteriormente, percebe-se que lá estão unidas em novo e caudaloso rio de versos. Cria, nega, recria, positiva, recolhe.

Luís é hipnótico ( . ) e encanta, quando abre um universo de possibilidades ao pensamento, na leitura imensurável e, de certa forma, atlética de suas antíteses, paradoxos e paralelismos. Quando “anestesia os sentidos”, pela enxurrada de imagens, quando deixo de ser eu-leitor-condutor, para ser leitor-conduzido por estes caminhos e desvãos. Na obra A Singradura do Capinador há um número maior de metáforas que tratam da luminosidade, em relação às outras obras do autor. Há a presença forte das cores que vão do amarelo ao vermelho, passando pelo laranja. Ainda há momentos de intensa beleza e leveza, como na passagem abaixo, sem esquecer do azul, também recorrente nos textos, como forma de remissão, tranqüilidade, contrapondo-se à luz que cega, desnorteia, paralisa, eis o recolhimento, o aconchego neste barroquismo evidente e sinestésico:

“...para isolarem os trampolins acústicos dos manequins atlânticos

e as lanternas das bailarinas espontâneas modelam

as libações das borboletas submarinas ...”

Ainda:

" ...Os nardos das cogitações desenfaixam as sinfonias-pastos... nas movimentações dos gladíolos das bailarinas.” ( Processionárias, 2008 )

A palavra nardo possui muitos significados, dos quais óleo aromático extraído de uma planta da Índia, o qual era de grande preço (Mc 14.3 a 5 - Jo 12.3 a 5). Nalgumas passagens do A.T. há referências ao seu uso como sendo um perfume (Ct 1.12 - 4.13,14). Nos mencionados textos do N.T. a palavra grega, com um qualificativo, tem a significação de 'nardo pistico'. Espiscanardo vem da expressão da Vulgata Latina 'Spicati nardi', uma referência às espiguetas que se encontram na base da planta, e das quais se extrai o perfume. Também é província da Itália, além de se acreditar que o seu perfume atua eficazmente sobre a consciência dos artistas. Onde quer que haja arte e beleza a sua fragrância deve estar presente. E não é por acaso que Luís evoca o nardo; pede à consciência a todo momento a sua presença avassaladora, por meio das palavras que escolhe para a composição do texto-pretexto. O aparente acaso das palavras, como disse, é aparente. Não há acaso, há disposição experimental de texto na união de cada termo ou expressão, que se junta no grande agrupamento do grande texto ÚNICO, como única é a visão que Serguilha tem da humanidade e dos caminhantes nas terras que lhes cabe. A individualidade só se presentifica na união. A individualidade só faz sentido na composição do todo harmônico fragrante, sensual, táctil e vibrátil das energias cósmicas totalizadoras.

Alça-se vôo do pequeno ao grande mundo, da geografia das pequenas cidades à intensidade povoada da metrópole , são as processionárias intercontinentais, assumindo o volante e a poluição sonora ao crânio sazonado ( antropofagia ), à destruição, "onde a dentadura alcoólatra dos turbilhões degola as polpas das úlceras dos arranca-pinheiros fugitivos." E termina, nesta passagem, com o gladíolo das bailarinas”.

Serguilha utiliza, em seus textos, palavras portuguesas, tais como chochorrubiar e belígero, sendo que esta última remonta a Camões, o grande épico universal da Literatura Clássica Portuguesa. Acredita que a Literatura Brasileira e Portuguesa devem se afinar, através da transmigração das idéias, do conhecimento, da partilha, do diálogo, das urgências no combate à involução, das reaprendizagens mútuas, onde se possa interrogar os mistérios da Natureza e a condição humana, sem nos sentirmos sós, ou onde possamos nos sentir e perceber como parte do rizoma, humano e desumano ao mesmo tempo, ameaçador, estonteante, desafiador, criador e criatura.

Faz apontamentos analíticos, tais quais: "Ficamos mais ricos quando o dialogismo se abre à intimidade pura, à heterogenidade, ao desassombro selvagem e à metamorfose poética para regressar à gênese, ao mistério, à vida absoluta. Afirma que “nesta gestação de processos interrogativos que reactualizamos a força da linguagem. É urgente combater a vulgaridade, o esvaziamento, a banalidade com o corpo resistente da essência da palavra que tenta buscar o infinito e desvendar a esfinge que persegue a humanidade.”, ainda, pontua com severidade e determinação que “É urgente o diálogo, a partilha neste mundo de barbáries..., o confronto e a sintonização com o outro enriquece-nos... literariamente, humanamente.” E reitera: "... sei apenas que tento transformar a vida, o subsolo da vida, com as armadilhas da luz, as subducções da lava do corpo e da energia da palavra."

E politiza com traços de reflexão e visão social, sobre o que nos incomoda e nos toca no cotidiano, vítimas da organização vigente, ao qual estamos inseridos sem escolha, ou com pouca escolha e vítimas da resistência ao comum e já acabado, ao que consumimos e que nos leva por estes desvãos, longe da luz e da beleza-natureza pontuada em suas obras, em reticentes paradas e retomadas da biologia, da constituição humana, da pessoa, como se pode observar nesta citação apontada por ele, em uma de suas entrevistas: "Alguns meios da comunicação social fomentam o voyeurismo cavernoso e miserabilista, estimulando os instintos vampiristas da barbárie e da crueldade. Este parasitismo sensacionalista provoca o medo e angústia nas pessoas. A depressão e a tragédia vivem num terreno comum."

Este é o ponto de convergência de sua obra: a essência e a razão. A procura dos vários significados da palavra, da expressão, dos versos e a certeza de que se tem a chave. Pergunto:_Onde está Luís Serguilha neste exato momento do texto? Que viagem onírica e intensa processa e o projeta ao infinito e útero fecundidade de todas as mães? Tento acompanhar o seu pensamento, a sua interioridade profunda. Sinto-me, confesso, um pouco perdida, é vastidão, é o Universo como a criação conspirando e lançando faíscas para todos os lados, se há lados. E o próprio me afirma, que anda sempre meio perdido, porque procura o que não existe. Não se pode acreditar no que não existe, pois seus textos questionam a todo momento o que existe. Uma constante busca, entre achar-se e se perder.

Ainda, afirma o escritor: “É URGENTE A TRANSMIGRAÇÃO E A REVOLUÇÃO DO IMAGINÁRIO”

Então vamos com ele, em suas obras, descobrindo como transmigrar e como revoluzir a imaginação fecunda, que está em nosso íntimo esperando a chama de uma tocha reluzente, que nos faça em fogo atravessando países e fronteiras, voltando ao princípio, ao grande poema original do Criador, na sua força imanente e pronta para desabrochar em cada ser. Podemos encontrar em Embarcações e em O Externo Tatuado da Visão semelhanças em sua forma e conteúdo; já Lorosa'e possui um ritmo mais acelerado e intenso, mais emotivo, substancial. No entanto, Processionárias, além de lírico é audacioso em sua forma e linguagem viscosidades, gelatinas, fluidos, lodacentos, cartilagens, suculentas, a própria processionária. Em Hangares pode-se observar as palavras portuguesas funambulismo, grafonola, manadeira, ainda palavras como chochos..........neologismos..........borboletas..........libélulas..........As lantejoulas-feiticeiras..........da virgulação das roseiras......... odontíase...........fivelas nas ombreiras de luz a desencadearem a sombra incerta da cravagem da locomoção.............olhares-dicionários-de-turbinas-zodiacais, ... moscardos ..., num interminável rio de apontamentos. Enquanto isso, as ameixoeiras fartas florescem e, generosamente, rendem seus frutos açucarados e suculentos, fazendo a peregrinação do colibri amplificar o batimento mais interior do vendaval. E as faúlhas cravam-se no céu, imensamente, acolhedor e transatlântico de Serguilha.

Há um início, há começo, não há fim. Na parte III de Embarcações há, como em toda a obra, a presença da luz, muito amor, erotismo e reverência à amada. É cuidadoso, atencioso e humano. Brinca com o ser e o não-ser. Parece coadunar-se com a idéia de que “é preciso observar que tudo surge do nada e tudo segue para o nada. E que se trata de valor eminentemente positivo. Somos peixes nas ondas do Nada. O Ser é a rede.O Céu na Terra e a Terra no Céu.” Como disse um místico, se a matéria é espírito denso, o espírito é matéria sutil, por isso mesmo, Rûmî não abandona a enumeração, a 'ladainha', pois na raiz dessa diversidade revela-se mediante imagens incessantes a presença do Amado: “ (Marco Lucchesi - Rio-Petrópolis, 17 de novembro de 1999 ) E Luís Serguilha não abandona o seu interminável texto, que passa de página em página, de livro a livro, compondo a sua grande obra. Como o ‘fiat’ do Gênesis criou-se um mundo de possibilidades, o autor lançou-se de um fogo de imagens passando pela ótica da LUZ, numa interminável ladainha, como no trecho abaixo:

" O esforço do fogo volátil ordena a indolência calamitosa das árvores

O esforço do fogo volátil desenraíza as irregulares fisionomias das perguntas

O esforço do fogo volátil emudece as genuflexões dos mamilos

O esforço do fogo volátil embranquece as correspondências das marchas - sustentadas pela abundância das víboras hipnóticas

A inteligência do fogo permanece nos êmbolos salitrosos das trepadeiras

ininterruptas...”( pág. 59 de A Singradura do Capinador)

A repetição acima reforça a idéia do passageiro, do movimento, a fixação do momento fugaz, o que te consome e alenta num barroquismo evidente da obra de Serguilha, o contraditório, o ser e o não-ser, os espelhos que se contrapõe, numa visão ora distorcida, ora real e não imaginária. Um espelho que não permite reflexos, só reflete.

A sua obra é única, indivisível, com breves pausas, para que o leitor respire e tenha a sensação ilusória de que há parada. Perde-se a respiração, fica-se mudo com vontade de voltar, a imensidão é tamanha, inexplicável como o próprio Deus e as vontades humanas de nomeá-lo e entendê-lo. De tudo, sabemos que há um início e o segredo está na contradição das antíteses, que reverberam a própria vida no jogo luz/sombra primordial ao silêncio construtor das idéias, dos sentidos, das formas humanas, do jogo intelectual, das discórdias, das brincadeiras, das manipulações, o eu/tu (branco/preto... tinta/página) as luzes do sol, as rendas, a maciez, o rugoso, presente. Em Embarcações o sol surge como um coador, regador, num inominável silêncio, os motivos da criação os amplifica, dando-lhes sentido, neste orbe confuso, de tantos desencontros, o encontro da divindade em elementos da natureza, codificando a página discreta e elemental da vida, como o é discreto e silencioso o próprio autor, repudiando barulhos e desnecessidades.

A busca de explicação traduz-se em palavras a serem lidas e fruídas sem ordem, somente vividas, aliviando o trauma de uma existência sem sentido, todo dia igual e, enormemente, diferente. Tão individual e tão coletiva, tão singular e tão plural, tão significativa e ao mesmo tempo carente de significação. A saída é a luz, o voltar-se para esta transparência, que só é possível pela mesma ausência. É o foco desmistificado, é a dura realidade, é a necessidade da sombra, para a projeção de radiosa luz. Estamos imersos na Sombra em busca constante, motivo de revelação das outras cores, a princípio diferentes, mas que no prisma confundem-se e são iguais. Não existe cor, somente a ilusão de muitas cores e quanto mais palavras, mais cores.

Voltemos à transparência radiosa para entendermos a não-cor presente no texto colorido do poeta português. O não-existir, o ser e o não-ser, caminho de possibilidades, tentativa de imersão e emersão na obra de L.S., leitora acuada pela possibilidade das imagens, pela enormidade do texto difuso e ambivalente, pontuado de significações, como disse o escritor e poeta Cláudio Daniel, a obra de Serguilha “é uma selva de signos”, que me ameaçou, que me amendrontou e que quero desvendar, descobrir, pois há muita informação, muita riqueza em cada página, que livro a livro se apresenta num contínuo. Ilusório dividir a sua obra, os seus livros, os seus escritos, eles ou elas são ÚNICOS E INDIVISÍVEIS, somente contínuos, somente contínuos, somente.

Professora Kátia Torres NEGRISOLI



Bibliografia:



- LUCCHESI, Marco (org. e tradução do Farsi); IN:"A Sombra do Amado - Poemas de Rûmî"(2000:Fissus Editora)


______ IN:"A Memória de Ulisses" (2006:Civilização Brasileira) Rio-Petrópolis, 17 de novembro de 1999

- SERGUILHA, Luís; IN “Embarcações”, Vila Nova de Gaia, Portugal: Ausência, 2004.

_______ “O externo tatuado da visão”, Vila Nova de Gaia, Portugal: Ausência, 2002 .

_______ “Lorosa’e - boca de sândalo”, Porto, Portugal: Campo das Letras, 2001.

_______ “Hangares do vendaval”, Intensidez, 2007

_______ “A singradura do capinador”, Lisboa, Indícios de Oiro, 2005

_______ “Processionárias”, Editora Demônio Negro, 2008

Biobibliografia:

Kátia Torres NEGRISOLI, 1964, natural de Ubiratã-PR, reside em Adamantina, interior de São Paulo, formada em Letras e Pedagogia, fazendo especialização em Língua Espanhola, professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira há 23 anos na Rede Oficial de Ensino, Diretoria de Adamantina. Afastou-se para atuar como: Coordenadora da Escola Cefam, Coordenadora do Ensino Médio Noturno, Diretora nas escolas Prof. Elmoza Antônio João, Professor José Édson Moisés e atual Diretora da EE Profª Fleurides Cavallini Menechino. Publica, esporadicamente, crônicas e textos de opinião e participa do Painel Cidadão do “ Jornal da Cidade”. Participou de publicações no Jornal Impacto de Adamantina, com reportagens e entrevistas, através de textos dissertativos elaborados em trabalho de produção de textos de opinião com alunos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Lisboa

Viva Lisboa!

Saudades de Portugal que nunca vi
Exílio conquistado em pátria própria
Transmigração ensimesmada em alforria enganada.

Saudades do que não vi
Saudades do que não vivi.

Portugal, irmãos de História, amigos de instantes, palavras constantes.
Volta ao círculo e leva os meus textos nas ameixoeiras carregadas,
nos fados, na antiguidade dos azulejos, nos quitutes preparados
por mãos de boas quitandeiras das praças de Lisboa.

Das saloias, das mulheres, das alvisseirareiras costureiras, camareiras, lidadeiras, lânguidas, transparentes em carmins de herbáceos jasmins.
Dos patrões e patroas, empregados e mandatários do teu nome a singrar mares.

O que não vi e o que não sei estão em mim, assustadoramente, em mim!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Borboleta professora

PROFESSORA BORBOLETA

Borboleta voadora, borboleta sonhadora,
borboleta voa em circulos e não para de voar.
Uma hora ela se cansa e seu colorido avança,
piruetas que crianças, borboletas quer pousar.

Se parar com esse voo,
algo doce será o consolo,
borboleta colorida ta na hra de pou´sar.

Bom mesmo é o néctar de flor
uma gota do orvalho
vai muito bem sim senhor.

Quando falta um jardim, uma planta rasteira
a borboleta circuleja como quem vai a igreja
pedir milagre de amor.

Seu voo é uma ladainha vai e vem e nunca termina.
Sua prece quase fascina ela pede com fervor:
_"Deixem de lado as guerras, parem com as mazelas.
Replantem o mundo por favor"

TropporJ em 22/10/09.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Minha irmã

Minha irmã é garota de cinema,
Isto dá o maior problema
É aplauso que não acaba mais


Minha irmã... abusou em Ipanema!
Agora é só telefonema,
Ai meu Deus, o que se faz!

Minha irmã é roteiro de polícia
Se ficar o bicho grita,
Se correr o bicho pega!

Minha irmã... um problema profissional
Além de tudo, mulher fenomenal,
É artista de revista!!

Minha irmã...estou indo de fininho,
Dizer às todas todinhas
O quanto eu sou a sua irmã!!!Dilema!

k.t.n.

Ensinamento

Se pudesse te ensinar, ensinar-te-ia o caminho da paz.
Em se podendo ensinar, quereria aprender mais e mais da sabedoria.
Tendo o poder do giz, escreveria o nome que falta à tua mesa.
Resvalando frente à lousa, traçaria desejos de esperteza e finezas de textos sóbrios.

Seria tão correta e tão discreta, que ajeitaria os óculos e descoberta,
Desvendaria à classe incerta que não sou dona de saber profundo..
Só mais uma criatura neste mundo, partilhando a sala, respirando o pó,
Encrespando a arte do crescimento, enganando com palavras e expressões,
Copiando o que outros já escreveram, passando a cola do que li e reli,
Dando essa esmola que também recebi.

Mestre ou professora, criadora ou copista, tenho um nome, uma marca
Um carimbo em minha testa, o fazer a pensar, o fazer o sonhar, o moldar, modelar...
A preocupação é grande, o mundo é indiscreto, sem rumo, incerto.
Enquanto isso dois e dois são quatro na esperança matemática em meio às Letras performáticas esquadrinhadas num navio.

... cuja fumaça se espraia em horizonte efeminado
como são das mulheres as palavras...........
como são das fêmeas os atritos,
como assexuada é a linguagem
pertence a todos e não tem reino,
pertence a muitos, embora sem treino, empreste às letras, às sílabas, os termos,
para compôr num gesto obSceno, nada sereno, palavras de AMOR.

K.t.N.

16/10/2009

Para Many

Seu vestido rosê
De perfeito ar 'blasé'!
Finge-se de morto,
mas nem um pouco torto!
Configura, faz figura,
Deixa fina a madame.

Seu vestido rosê,
Adereço para quê?
É sutil figurino.
Faz platéia imagina,
A prateada feminina
Que figura nos altares.

Seu vestido rosê,
Deu um choque pra quê?
Para tirar o ar chinfrin,
daquele que tirou ponto em mim.
Curvaturas, formas finas.
Figurino de menina rosa antigo faz figura.

Seu vestido rosê!
Chama o charme,
Chama o champagne,
Chama rosas e dengos,
Chama finura e lisura,
Chama Many em pose serena.

Katita

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Desculpas

Aos que postaram comentários em meu blog o meu muito obrigada!

Não consegui responder a todos, em seus respectivos blogs.
...não sei o que acontece, talvez, inexperiência ao postar!!!
Amei os novos amigos, bem-vindos!! Fico lisonjeada e feliz!!

Este blog é o meu rascunho pessoal online, ao vivo e a cores... há muitas poesias que não transcrevi aqui e falta reedição, revisão, etc e tal. Tudo, neste espaço, é saído do forno..............................!!!

Thank you!!!

Kisses....

domingo, 4 de outubro de 2009

impulso

o pulso impulsiona
em direção de vento ligeiro
o vento contraria o pulso
que corre prazenteiro
em direção ao relógio
poemas de um dia inteiro.

a cerimônia é chata
cansou, entendiou.
sem cerimõnia pedimos
textos voltem. melhor que o discurso.

***
20/10/08

teus textos não são pobres
nem de marré de si
seus textos são um pouco arte

um pouco fato, um pouco contraste

teus textos, oras, são teus textos!!

15/10/08

D:
meus textos, pobre deles, sem ventura na correnteza do vento

sem ser cerimônia
o pulso ainda expulsa

:***

diogo

***

Amanhã poesia...
Todo dia poesia...
Em grande fantasia...
Faz festa e folia,
Difícil de dizer...
De várias formas dizer,
temos muitas,
somos... poetas

Antenados, fisgados, enraizados neste sentimento, nestes pensamentos...
Nestas entrelinhas... não somos sozinhos, somos muitos... são muitas as horas e os dias .... são muitos os sentimentos, intensos, incompreensíveis, arrasadores.... às vezes, tormentos... em outras horas, leves intentos,,, sempre poetas, amadores, amantes, questionadores, sofredores, imitadores, na arte, ....

Hoje poeta, amanhã poeta, ontem poeta, ... e daí?! Somos!! É muito bom... dose de loucura, dose de fantasia, nada que a vida não cure...mulher um tanto arredia... à procura e se esquiva e não se acha... e se mostra... e se insinua... e se parte... e se parte, e se comparte e faz arte...

...

pó da percepção:

a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z

nó da razão.