quinta-feira, 28 de maio de 2015

Amor em tela


Se eu amar, mesmo assim, se eu amar, será pouco! Não basta, amor nunca basta, é exigente, meticuloso, anda de mãos dadas com a pressa e o sempre por fazer!Amor que esgota, para se renovar, fenece para acordar mais forte, resiliente. Na dureza brota terno, lacrimoso, na desdita fica à espreita para brotar, na ausência, escondido brincando de mocinho. O amor é uma fábula criada por animais famosos. Não faz final, é infeliz neste quesito. Sempre exigente, parcimonioso, cheio de armadilhas e alçapões. Quando caímos lá estava ele, envolvendo-nos com suas benesses. Uma festa em sorriso de criança, que nenhum adulto ressentido há de apagar! Um calmante de brisa marinha, que sopra de Oceano a Oceano, multiplicando os peixes. Por isso, que amar não basta! Há de amar e de se amar sempre, inesgotavelmente sempre! Não podemos fugir, as armadilhas do amor são inúmeras. Nosso coração, mesmo cansado e aflito a ele se entrega, vencido! E resta-nos amar, amar, amar. Incondicionalmente. Esta é a lei. Quer fugir? Tente! Voltará, amando mais. Não sou Vieira, mas sinto esta tessitura estelar de palavras de amor. Assim que é nos dias. Assim que é nos momentos. Até o final. No final, saberemos. O segredo é que ele não chega. Não existe, mas o amor, ah, este sentimos, ressentimos, acompanha-nos. Aprendemos a produzi-lo, reproduzi-lo e em larga escala. Sábio este Senhor! Ele manda! Resta obedecer. k.t.n. in breve prólogo sobre o amor.

  A todos que amam, sem vestir a envergadura torpe que esconde o verdadeiro e sublime amor. Que se deixa transbordar e viver nele. Que sabe-se forte na sua fraqueza, e ser grande no imenso e confortante amor.

 
 E quando eu não mais amar, aí sim, é que estarei, imensamente, amando. 

contradições do Sr. Gerente Amor.




terça-feira, 26 de maio de 2015

Melancias não são melancólicas

  Foto: Letícia Santiago

Onde havia saudades, plantei um pé de couve.
Porque couve é assim, nem todos gostam.
Espanta alguns insetos e atrai outros.
A saudade não ficou satisfeita e trouxe no bojo a lembrança.
Resolvi plantar outra muda.
Esperei dias até encontrar a certa.
Pensei, pensei! E agora?
Oras, conseguir espantar a danada da saudade com a senhora Lembrança seria mais fácil.
Ledo engano, continuei a pensar.
Insetos e pragas, besourinhos e cochonilhas, preciso espantar!
Ai, ai! Um suspiro forte, mas profundo.
Para a lembrança, esta terna lembrança, decidi!
Plantar melancias!
Saborosas, imensas, bolotas enormes do céu em verde.
Inesquecíveis, pesadas como algumas memórias.
Muita água, muito oceano para pisar.
Então resolvi: melancias têm cara de lembrança.
E fui semear. k.t.n. in agradecimento.

domingo, 24 de maio de 2015

Emparedados

Imagem: Fernando Scaval

Relógios emparedados esbugalhados olhos
Nas paredes emprestadas aos quadros
Taciturnos regem o oceano de quem navega
Cavalgam seres inimagináveis e retorcidos.

Fiquem nesta oca parede, saiam dos pulsos.
Liberem as pressas dos oprimidos pelo burburinho.
Dilatem pupilas e deixem ver o sol, o astro-rei
Afoguem seus ponteiros em água doce.

Estas agulhas pontiagudas que seguem
Dia a dia, par a par, noite a noite, sol a sol
Espetam a alma do pássaro livre

Aprisionam borboletas, figurinhas de meu Deus.
Vertem sangue sem nunca atingirem a veia
Vaiam o espetáculo diuturno semanal.


Emparedados fiquem.
Sem socorro pasmem!
Relógios quem de ti precisam?
São homens carregados.
Pilhados, imprecisos.
Os presos, esfaimados.
Que ora vivem, ora morrem em suas horas.
Apressa o dia da libertação.
Carta de alforria a todos!
Século XXI, LIBERTAÇÃO


k.t.n. in liberdade

domingo, 17 de maio de 2015

6 de maio

Boa tarde! Acordei feito madame, sorvendo o café a goles lentos, de pijama, voltando agora para o meu cantinho para fazer leituras na internet, na certeza de que logo o meu pedido de aposentadoria será publicado. Quero curtir muito os cafés da manhã, pelas bananas, ou fatia de pão engolidas depressa para estar na escola no horário (sete dentro da sala da aula) e, em muitos dias, terminando o período às 23:00 h. Quero dormir muito, recuperar o sono perdido, depois ler todos os livros empilhados, escrever os textos ainda retidos na memória, brincar com o meu Bob sem pressa, falar com os filhos sem lamúrias, viajar, estudar, dançar, nadar, sentir-me livre sem as amarras dos ponteiros do relógio. Amo meus alunos, adoro o que faço, mas há uma hora em que precisamos retornar para casa e iniciar uma nova etapa. Ainda manterei pouquíssimas aulas em outra escola, porque parar de vez, seria um colapso, para quem correu tanto, entre cozinha, mercados, açougues, cabeleireiro (?), fisioterapia, ginástica (?), serviços domésticos dentre tantos outros a serem enumerados. O dia das mães se aproxima e este terá um gosto especial do dever cumprido, talvez, duplamente, com os filhos criados batendo suas asas fora de casa. Esta alegria e esta fase quero dividir com os amigos, os do face e os poucos que mantemos ao longo da vida. Reencontrar os antigos, rever prioridades e poder me dedicar ao trabalho solidário. Antes, bem antes, quero ainda dormir muito, descansar, feito adolescente. E agradecer, agradecer.

Sobre mulheres e poetas

O que seria das mulheres sem os poetas?
O que seria dos homens sem poesia!
A mulher e o poeta.
As mulheres e a poesia e o poeta.
Faces do mesmo lado,
antípodas que se encontram em movimentos.
A natureza frágil e sutil
necessita das palavras fortes e visionárias.
 Mulheres e poetas, poetas mulheres.
 ... Equação que se dilui. Fogo fátuo que se acende.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Memória

Se te tenho na memória,
é para desafiar o tempo!
Não te detenhas,
nela há o que convém.

Como um farto almoço de domingo,
Terminado com a fruta da estação.
Não te detenhas,
minha memória fica.
Podes partir

k.t.n.*$
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