segunda-feira, 29 de abril de 2013

Pequeno - em reedição


Senhor,
Peço-te um poema!
Um poema apenas.
Pequeno.
Singelo.
Em que caiba um só gesto.

Senhor!
Atende-me!
Dá-me uma palavra.
Duas talvez.
Mas o poema,
Há de ser pequeno.
Como pequena é a vida!

Afastada deste cálice.
Bebendo
Vinhos e licores.
Gesticulando
Nada sério
Vertendo e derramando.

Então, Senhor!
Atende-me nesta hora.
É derradeira.
Preciso dormir.
Inspira-me
Duas ou três palavras.
Ajuda-me neste poema.

Pequeno!

k.t.n. in diminuta.

domingo, 28 de abril de 2013



Preparo uma noite de estrelas / Para sonhar com as valas / Com as luzes as centelhas / Noites de luar donzelas e cálidas / Noites noites noites, pálidas / Caídas de sono incendiadas e inertes / Rondando o meu quarto alfazemas e vasos / Cheiro aos espelhos contidos / Verniz e arames espremidos nas frestas / Noites amenas, serenas... / Sonho... / Não acordo, é cedo ainda / As árvores da rua precisam vestir as calçadas com mais folhas / A escuridão passa lentamente e durmo / E sonho / É primavera neste outono vazio / Doce espera dos líquidos derramados / Hora dos sempternos carneirinhos contar as visões / Muitas vezes incandescentes vertem lágrimas copiosas / Doutras sorriem largamente entredentes / Deixam entrever as flores e folhas que caem sobre o lençol da cama fria.



k.t.n. in dormente.
 














"Se a noite escasseia as rosas são tênues."

k.t.n. in infravermelho*

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Planeta

Acordar com o amor!
Na preguiça dos sentidos
A não pressa,

o esquecimento.

O dar-se aos minutos,
Ao movimento uniforme

do Planeta.

Jogar-se ao ritmo,

A alma enclausurada pede.
Cansada

Atropelada  noutros tantos,
ruidosos, gritantes.


A flauta chora a falta de calma.
Enamora o olhar
Em seu ritmo precioso
De bambu sonoro e

rústico.

E a busca.
Além.
Aqui.
Perto.
Em nós mesmos.
A sinfonia inolvidável
Da melhor letra.

a m o r


k.t.n.&

domingo, 21 de abril de 2013

.l e g a l.

Sabe,
 
desta vez, 
 
ou pela primeira vez achei você lindo e 
 
.l e g a l.

 
 
É noite, 
 
 o efeito da noite, chuvosa.
 
 
 
Na noite se prepara um bom dia.
 
Então, boa noite!
 
 
 
Bjs.
 
k.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Garganta

Destoei minha garganta, rasguei o verbo, pus apelido.
Agora revolto-me
Para as fronhas do meu quarto
E durmo o sono dos justos.

k.t.n.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Fusca amarelo

Envelheci!

O meu fusca ficou amarelo.

Encheu-se de ternura.

Rugas puras finas.

Tez sisuda e compatível

à pele fina dos tempos.


Envelheci!

Emprestei auroras.

Dividi sementes.

Praguejei os dias.

Escapei dos julgamentos.

E nem faz tanto tempo.


Enterneci!

Guardei os doces.

Deitei as caldas.

Derramei o mel.

Entreguei faces sólidas.

E nem faz tanto tempo.


k.t.n. in tempo decorrido.

Vértice Boreal

Sob o céu de anil, escrevi a minha face

Vertida sobre o oceano imenso.

Deitei os vértices dos meus olhos intensos.

Parti pétalas nos lábios,

Ah, estes sedentos!






Entreguei às estrelas partículas cósmicas

E ao astro Rei pulsações vermelhas.

Até o fim dos polos gelados

Gotejando farpas,

Mapeando óculos escuros.

No firmamento,

Faltam olhares de muros.



E norteando de Leste a Sul

Escrevi poemas e flores.

Deitei-me na rede estampada.

Delineei nova face,

Escura, dura,

Espreita e me cura.



k.t.n. in vértice boreal.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pequeno

Senhor,
Eu te peço um poema!
Um poema apenas!
Pequeno.
Singelo.
Em que caiba um só gesto.

Senhor!
Atendei-me!
Dá-me uma palavra.
Duas talvez.
Mas o poema,
Há de ser pequeno.
Como pequena é a vida!

Afastada deste cálice.
Bebendo
Vinhos e licores.
Gesticulando
Nada sério
E vivificador.

Então, Senhor!
Atende-me nesta hora.
É derradeira.
Preciso dormir.
Inspira-me
Duas ou três palavras.
Ajuda-me neste poema.

Pequeno!

k.t.n. in diminuta.

Estado de neve

Dentro deste espetáculo eu me pertenço.
Qual palhaça dos seus dedos molhados.
E aqueço o fogão longe de mim.
E me deito.
Vorazmente dentro do tempo.
Peço permissão aos deuses todos.
Páro o tempo e invento.
Histórias compridas para fazer dormir.
Navalhas de palavras para descer à mortalha.
Lenços lavados.
Palavras contadas.
Gestos ousados.

As mãos.
Os pés.
O que houve neste tempo,
Nesta espera desatinada.
Um corpo, uma emoção.

Duas pessoas, três, um mundo justo.
Infindo, porque espera o fim.
Que nunca vem e nos trai.
E esperamos e não vem.
E trai e nos distrai nas fontes eternas.
Das águas voláteis,
Que o caçador encontrou em floresta nada tropicais.

O machado corta a lenha.
O fogo assa os beijus.
A vida segue mansa e insana.
Engana e ama.
Pede e retira.
Desfaz e sempre, assim, deste jeito,
Tranquila, refaz!

k.t.n. in estado de neve.

Mulher

A mulher de cabelos presos.
Adorados e faiscados de Sol.
A mulher.

A mulher de cabelos fartos.
Amados e pisados.
Os cabelos.

A mulher mulher, sem cabelos.
A tez fria.
O sexo quente.

A mulher de cabelos soltos.
Muito vento e indiferente neblina.
A mulher.







k.t.n. in femina.

Arrebol



As negras e opacas choram.
Vermelhas diligentes tímidas choram.
Brancas europeizadas intumescidas choram.
Amarelas do Sol nascente, também, choram!

Mulheres dormentes em sonos nada profundos:
Desesperam-se!
Mãe de malditos, escravas do mundo!
Atiram-se!

No mundo ficam, enternecem, torcem rosários.
Sangrentos dias, comungam flechas em corações.
E despem-se.
A alma toca a pele nacarada, mas choram!

No arrebol da noite fria.
Ha hora da Ave-Maria, distanciam seu olhar.
Arrependem-se!
Esvaziam-se e já não choram!

k.t.n. in mulhe

Socorra-me! Saco vazio!

Em estado de inanição,
Sem ideias,
Vazia, oca.

Oca escrava e retílinea.
Das curvas dos cílios
Partem.

Novelas insossas.
Propagandas estéreis.
O homem passa.

A vida passa.
Desta sem ideia,
Circular, vazia.

Atrofia!

k.t.n.