domingo, 3 de julho de 2016

Mil anos

Morri mil anos.

Hora do enterro.

Milenar e profundo

Desde a hora Santa.

Consagrada ao Pai

Ao que não foi

E nunca será



Vir tu de.



As larvas exalam


Cheiro pútrido


Na multidão inexata


Círculos de feras


Os pés desatinos


Mãos encalacrada


Série de Planetas


Na hora do enterro



Morri mil anos!



Mesmo assim fingi.


Fingi vida leve


Breve de encantos


Na morte morrida


Nos ermos da terra


de morte estendida


de vida escorrida


A carne vitupera


Dilacera e cospe


Na cara do homem.



Não há sertanejo


Mameluco ou mambembe


as mortes secretas


Passeiam em desgaste


Em vincos e rugas


em esperas infindas


E se morre mil anos.



Multiplica-se por dois


E se vive mais um tanto


Multiplica-se por três


A morte tão sincera


Acontece todo dia


Não espera sua prece


Anoitece e não tem dia.



Vivi mil anos



E não contei o tempo.


Firmamento longe


Estupidez tangente


Mil pessoas milhões


de minutos e horas


Viver mil anos não se pode


A morte começa no instante


Da palavra iniciada


Proferida e acabada


Tão fácil morrer


Embebede-se de licor


De vinho envelhecidos


Nas auroras dos dias


Ternos e esquecidos



Vivi mil anos


outros tantos não os quero!


Leve-os embora!


Daqui não saio mais.
k.t.n. in tempo decorrido.