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Mostrando postagens de Julho, 2016

Mil anos

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Morri mil anos.

Hora do enterro.

Milenar e profundo

Desde a hora Santa.

Consagrada ao Pai

Ao que não foi

E nunca será


Vir tu de.


As larvas exalam

Cheiro pútrido

Na multidão inexata

Círculos de feras

Os pés desatinos

Mãos encalacrada

Série de Planetas

Na hora do enterro


Morri mil anos!


Mesmo assim fingi.

Fingi vida leve

Breve de encantos

Na morte morrida

Nos ermos da terra

de morte estendida

de vida escorrida

A carne vitupera

Dilacera e cospe

Na cara do homem.


Não há sertanejo

Mameluco ou mambembe

as mortes secretas

Passeiam em desgaste

Em vincos e rugas

em esperas infindas

E se morre mil anos.


Multiplica-se por dois

E se vive mais um tanto

Multiplica-se por três

A morte tão sincera

Acontece todo dia

Não espera sua prece

Anoitece e não tem dia.


Vivi mil anos


E não contei o tempo.

Firmamento longe

Estupidez tangente

Mil pessoas milhões

de minutos e horas

Viver mil anos não se pode

A morte começa no instante

Da palavra iniciada

Proferida e acabada

Tão fácil morrer

Embebede-se de licor

De vinho envelhecidos

Nas auroras dos dias

Ternos e …