quarta-feira, 31 de julho de 2013

Natureza



  •  Respeitar a Natureza, respeitar-se/tal é a lei/ 
    Teus cabelos meus segredos/ 
    Atingidos por um raio/ 
    calado/
    mal-falado/ 
    desatino.
  •    
    Respeitar a Natureza dos encaracolados,
     nem bem, nem mal. 
  • Gostar-se, antes de
    Decidir-se como se apresenta. 
    Sem enganos no espelho.
  • A alma vibra, a casta cai. 
    O mal de ontem é o bem de amanhã. 
    Quiçá a vontade pudesse. 
    Ela não pode e enrubesce.
  • Tal a Natureza, tal o homem. 
    Indivisível em sentimentos, 
    tormentos, saudades e lamentos. 
    Existe e é fato. 
    Compreende e avalia. 
    Entende e divide. 
    A soma ficará para amanhã, 
    quando acordados entrelaçaremos a alma. 
    Divina e infantil, sem juízo e juvenil. 
    Ri e goza.! 
    Antevê o desgosto. 
    Afasta-se. 
    É promessa.
  • Àquele que crê domar seus intentos, 
    seus cuidados,
    seus encaracolados,
    no salão da beleza, fica vão.
  • O liso escorrega, a cachoeira leva, 
    os cachos sinceros inexatos
    os mais certos e procurados. 
    E amados, 
    pertencem à Natureza.


  • K , in breve ensaio das almas.

Alma

  • Imagem via internet: http://iolandaioio.blogspot.com.br/
     
     
     
    Um dia, a alma toca o braço da dor.
     
     
     
    Afasta-se pungente, 
     
    volta
     
    Admira-se no toucador. 
     
    Treme, 
     
    faz hastes profundas.
     
     
     
  • Ilumina-se e dança um jazz na Praça fundamental de Paris.

Fohas de outono invernais



 Arte by Roman Urbinskiy.



As folhas do outono foram-se com o inverno
Derramaram ouro pelo caminho.
Apertados ficaram os olhos querendo vê-lo.
 Um instante, sozinho, a flor sem idade partiu.
As dores mais que douradas intensas multiplicaram-se.
 E inebriante brisa matutina enovelou-se pelos cabelos tingidos.
Tanta tinta!/
Tinha esperança!
 E foram espalhadas pelo vento.
Sorrateiramente planaram no solo fértil.
 A grama as varreu doidamente.
Sem sementes, sem frutos, só folhas, mais nada. 
In Katherine,
poemas para gostar de ser.
Não copie, respeite autoria!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Xadrez



Com os olhos que se choram é possível ver a lua! 

Derrama-se o  pranto molhado é água em correnteza.

Espero a ausência de dores para enxugar lágrimas.


A tristeza vence. 


A Rainha não defende mais o Rei.






Acabou-se o jogo de xadrez!


k.t.n.* in Katherine 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Acordando

     
  •  Meu sono de ti

    Acordou entre árvores

    Sombreadas de Sol.
    Era primavera. 

    Hastes enroladas

    Nas dunas quentes 

    Esperavam ansiosas.

    Mais um dia.
    E...

segunda-feira, 22 de julho de 2013

As gramáticas




Não quero convenções gramaticais, 
rtografia de livretos, arrumadas, 
empilhadas em frases convencionais 
 e vocabulário cheirando a mofo.

Quero, antes, a linguagem dos falantes, 

dos que raciocinam, deliberam, articulam 
e se encontram no diálogo e partilha.

Fora os raciocínios prontos, 

frases feitas,
todos os sssS sibilantes, 'horroríferos'. 
Melhor um sonífero, 
abrir a barca afundada de Noé 
e imergir.

Que o chofer dê espaço ao motorista, 

ao frentista, 
sem as luvas brancas manchadas de sangue.

Antes o tinto da palavra, 

das letras simples e pungentes.






k.t.n.* in imitação de clowns de Shakespeare.

domingo, 21 de julho de 2013

Poeminha do desatinado

Poeminha do desatinado

Nasci para viver longe
Perto das lonjuras
Desato a pensar:
_Quem me pôs neste firmamento?

Sem resposta continuo.
Não há a que atenda,
Ao coração vagabundo
Que permeia circulares movimentos.

Chego à tua casa
Tão secreta e fechada.
Andei tanto, cheguei!
Em desatino me fartei.

Esta distância esta cura.
Tão clara e obscura.
Sofre no meu peito.
Desata lágrimas entre sentimentos.

k.t.n.* in tristezas.

sábado, 20 de julho de 2013

Chuva e melancolia















Quanta melancolia! ... A chuva bate na retina/em retirada se vai/cantarolando sobre as pedras tenras/somente grãos de ervilha sedentos/ A pupila se dilata e se contrai./ Haja esferas nas tentativas/ O macarrão escorreu do prato./ O molho respingou./ A chuva bate!... / Estranho, é só chuva!/ Não há outro ruído, tudo o mais se foi./ Fechou-se o tempo./ Sentimento contido, bicho esquisito./ Nas esferas dos olhos salta pelas ruas./ Turvas./ Chuvas./ A mulher espera./ Sentada./ A rede a escolta de volta a casa./ Na ruela o som resvala pela fresta da janela./ O desassossego canta os pingos que cantarolam nas calhas./ Água sedenta que esparge./ Nada benta a serenidade dos dias./ Fantasia... 

k.t.n. in pingos.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Acordes

 
Esta noite decidi ficar acordada/ acordar todos os fios doentes de melancolia/ acordar todas as dúvidas e segredos/ 

a espera contingente dos menos falantes/ a realidade de um dia inteiro dormido/ acordar a Lua/ olhar-me Nua. 
k.t.n. in acordes

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Doce


A minha História derramou calda de chocolate, doce e festa e feira livre.

 Desabou no caos do silencio profundo. 

Deitou-se em berço não esplendido. 

Fugiu da luta.


 Foi fitar-sem no espelho transversal da travessa Cristal e quebrou-se! 


Levantado pelas freiras de saias estúpidas, enfurnou-se!


 /// E não havia roseiral. 


 k.t.n&

Envelhecer







E se eu envelhecer?


Quero ficar velhinha, destas velhinhas tão velhinhas, enrugadinhas, pele fina, delicada como o vento, mas cortante. 

Quando as fibras se quebrarem no rosto pendente, quero dizer que cada linha foi esculpida docemente, em alegria ou pesar.

Quero as lágrimas que rolaram marcando rugas, vincos.

E as namoradas dos olhos passeando pelo colo e pescoço, 

subindo altaneiras pelas marcas da testa


 E se eu não envelhecer?


Ficarei triste, muito triste! 

Pessoa de verdade encanece cabelos, esquece datas, troca nomes, muda horários.

Chora à toa. Vira criança. 

Por isso preciso envelhecer depressa, para encontrar a criança perdida na memória. 

Dizer-he que foi bom passar pelo tempo.

 Melhor ainda que ele é circular e permite recomeçar.



k.t.n. in tempo presente.

sábado, 6 de julho de 2013

Noite

A noite entra e traz consigo o  sono reparador. 

A espera tinge de bordados-brocados

A boca sutil que se avizinha na negritude espantosa 

Só acoite. 

Homens gritam, mãos tremem... 

É noite, 

Sussurra o ouvido suado das palavras!


 K. T. N.