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Mostrando postagens de Julho, 2013

Natureza

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Respeitar a Natureza, respeitar-se/tal é a lei/  Teus cabelos meus segredos/  Atingidos por um raio/  calado/ mal-falado/  desatino. Respeitar a Natureza dos encaracolados,  nem bem, nem mal.

Alma

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Imagem via internet: http://iolandaioio.blogspot.com.br/ Um dia, a alma toca o braço da dor. Afasta-se pungente,  volta Admira-se no toucador.

Fohas de outono invernais

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Arte by Roman Urbinskiy.


As folhas do outono foram-se com o inverno Derramaram ouro pelo caminho. Apertados ficaram os olhos querendo vê-lo.  Um instante, sozinho, a flor sem idade partiu. As dores mais que douradas intensas multiplicaram-se.  E inebriante brisa matutina enovelou-se pelos cabelos tingidos. Tanta tinta!/ Tinha esperança!  E foram espalhadas pelo vento. Sorrateiramente planaram no solo fértil.  A grama as varreu doidamente. Sem s

Xadrez

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Com os olhos que se choram é possível ver a lua! 

Derrama-se o  pranto molhado é água em correnteza.

Espero a ausência de dores para enxugar lágrimas.

A tristeza vence. 

A Rainha não defende mais o Rei.





Acabou-se o jogo de xadrez!

k.t.n.* in Katherine

Acordando

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Meu sono de ti

Acordou entre árvores

Sombreadas de Sol. Era primavera.
Hastes enroladas

Nas dunas quentes 

Esperavam ansiosas.
Mais um dia. E...

As gramáticas

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Não quero convenções gramaticais, 
rtografia de livretos, arrumadas, 
empilhadas em frases convencionais 
 e vocabulário cheirando a mofo.

Quero, antes, a linguagem dos falantes, 
dos que raciocinam, deliberam, articulam 
e se encontram no diálogo e partilha.

Fora os raciocínios prontos, 
frases feitas,
todos os sssS sibilantes, 'horroríferos'. 
Melhor um sonífero, 
abrir a barca afundada de Noé 
e imergir.

Que o chofer dê espaço ao motorista, 
ao frentista, 
sem as luvas brancas manchadas de sangue.

Antes o tinto da palavra, 
das letras simples e pungentes.






k.t.n.* in imitação de clowns de Shakespeare.

Poeminha do desatinado

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Kátia Torres Negrisoli
Poeminha do desatinado

Nasci para viver longe
Perto das lonjuras
Desato a pensar:
_Quem me pôs neste firmamento?

Sem resposta continuo.
Não há a que atenda,
Ao coração vagabundo
Que permeia circulares movimentos.

Chego à tua casa
Tão secreta e fechada.
Andei tanto, cheguei!
Em desatino me fartei.

Esta distância esta cura.
Tão clara e obscura.
Sofre no meu peito.
Desata lágrimas entre sentimentos.

k.t.n.* in tristezas.

Chuva e melancolia

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Quanta melancolia! ... A chuva bate na retina/em retirada se vai/cantarolando sobre as pedras tenras/somente grãos de ervilha sedentos/ A pupila se dilata e se contrai./ Haja esferas nas tentativas/ O macarrão escorreu do prato./ O molho respingou./ A chuva bate!... / Estranho, é só chuva!/ Não há outro ruído, tudo o mais se foi./ Fechou-se o tempo./ Sentimento contido, bicho esquisito./ Nas esferas dos olhos salta pelas ruas./ Turvas./ Chuvas./ A mulher espera./ Sentada./ A rede a escolta de volta a casa./ Na ruela o som resvala pela fresta da janela./ O desassossego canta os pingos que cantarolam nas calhas./ Água sedenta que esparge./ Nada benta a serenidade dos dias./ Fantasia... 

k.t.n. in pingos.

Acordes

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Esta noite decidi ficar acordada/ acordar todos os fios doentes de melancolia/ acordar todas as dúvidas e segredos/ 
a espera contingente dos menos falantes/ a realidade de um dia inteiro dormido/ acordar a Lua/ olhar-me Nua. k.t.n. in acordes

Doce

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A minha História derramou calda de chocolate, doce e festa e feira livre.

 Desabou no caos do silencio profundo. 

Deitou-se em berço não esplendido. 

Fugiu da luta.


 Foi fitar-sem no espelho transversal da travessa Cristal e quebrou-se! 


Levantado pelas freiras de saias estúpidas, enfurnou-se!


 /// E não havia roseiral. 


 k.t.n&

Envelhecer

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E se eu envelhecer?


Quero ficar velhinha, destas velhinhas tão velhinhas, enrugadinhas, pele fina, delicada como o vento, mas cortante. 

Quando as fibras se quebrarem no rosto pendente, quero dizer que cada linha foi esculpida docemente, em alegria ou pesar.

Quero as lágrimas que rolaram marcando rugas, vincos.

E as namoradas dos olhos passeando pelo colo e pescoço, 

subindo altaneiras pelas marcas da testa


 E se eu não envelhecer?


Ficarei triste, muito triste! 

Pessoa de verdade encanece cabelos, esquece datas, troca nomes, muda horários.

Chora à toa. Vira criança. 

Por isso preciso envelhecer depressa, para encontrar a criança perdida na memória. 

Dizer-he que foi bom passar pelo tempo.

 Melhor ainda que ele é circular e permite recomeçar.



k.t.n. in tempo presente.

Noite

A noite entra e traz consigo o  sono reparador. 

A espera tinge de bordados-brocados

A boca sutil que se avizinha na negritude espantosa 

Só acoite. 

Homens gritam, mãos tremem... 

É noite, 

Sussurra o ouvido suado das palavras!


 K. T. N.