domingo, 23 de janeiro de 2011

Adriano Wintter http://adrianowintter.wordpress.com

solitária



um caule torto com flores

imóvel entre mamões



uma planta chamada aspirina

que minha ex-empregada plantou



tramas de abóboras

entre acerolas

morangas sob ramas

de manjericão



tudo

seria só grama

com alegres tabelas

de basquetebol



não fosse meu filho

assim que mudamos
ir morar com o pai

Adriano Wintter
http://adrianowintter.wordpress.com

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

gipsita / revisado

Calendário
2011

I

Calendário milenar: homem e mulher sempre iguais
Doze meses sem conta
Em contados de dias
Horas, minutos, melancolias.

Passam, retornam, voltam prazenteiros
Ás alvíssaras
Novas paragens, nuances,
Mentiras inteiras, engolindo meias-verdades.
Passagens sem volta, estação comprometida.

As flores murcham, rezam e se abrem em frutos.
Caem, esmaecem, prezam o defunto.
Eis que renascem, primam pelo destino.
Passarinho sem gaiola, vida breve leve.

Menino levado da breca, este tal de ano novo.
Sapeca na mestiçagem, no engodo.
Na verdade, janeiros mil, fevereiros sombris, abris juvenis, maios varonis.
Junhos costumeiros, julhos primaveris, agostos infantis, setembros em alas.
Outubro! Novembro! Dezembro!

Retorna, dez + dois, doze sílabas.
Decantadas em novas gipsitas, citrinos, quartzos.
É o vidro, é o cristal, é a Brita!


II


Batons de quartzo, nove em seis desatinos.
DIAMANTE puro, em ADAMANTINA.

Alguém observa o muro.
O pulo dos dias das horas minutos
Reverbera, pulsa e desata o Rio.
Que agita sombrio ao encontro fraterno.
Da fé, esperança, clara >>> continu ... idade >>>

Perfeita esfera , concêntrica, clarabóia.
No centro, a luz recôndita, lume.
Desde os primordiais, ancestrais a velar.
Lampião, doce janela.
Lamparina, tal menina.
Luminárias, afagos sensuais.
Lentidão, o carinho do tempo.
Azeda a pressa, constrói o ato, desata laços, recompõe o traço.


k.t.n.* in profundidade

Por Adriano Ars


Obs.: Ao editá-lo, perdi a formatação original. Adriano, desculpe-me!
Obrigada, querido poeta!

kátia,
de Adamantina*


metafísica doméstica


I

na tarde quente de um domingo
no quarto branco
de uma edícula
calças blusas e camisas
lençois toalhas edredons
e bermudas
e vestidos
que uma mãe
(em Adamantina)
passa a ferro
e sorri
sua mão
alonga e alisa
essas fibras
perfumosas
frisa vincos
tira dobras
(usa hábil
não a tábua
mas a velha
escrivaninha
onde pôs
um cobertor)

feito o aço
que ofega
e às vestes
vaporiza
ela sua
enquanto o usa
ela sofre
mas prossegue
peça a
peça
até a última


algum Sófocles
interno
por acaso
vaticina
quando a pilha
chega ao término:
“concluí
tua tragédia”?

não: tal Hades
na verdade
foi poesia
para ela

II

atos líricos
e épicos
de uma saga
amorosa
ante os vidros
da janela
que às vezes
ela olha
indo em busca
do quintal
onde florem
as ardósias
ou oloram
abacaxis
manjericão
capim-cidró
e brilham esferas
de acerolas

o quintal
onde três cordas
mostram imagens
que a elevam


III

roupas claras
num varal
violento
vento e sol
como um símbolo
da alma
agitada
pelo sopro
que a joga
para o alto
contra os liames
deste corpo
contra a morte
contra o nada
feito a lã
e feito o linho
no duelo
contra as cordas

como um símbolo
do espírito
em seu ritmo
vital
sob a carne
tão fugaz
onde arde
se debate
(fogo e impulso)
mas fracassa:
não alcança a
plenitude
dessa vida
que o transpassa


IV
claro ícone
do místico
neste fato
tão banal:
uma mãe
em Adamantina
passa a vida
vê o quintal
onde roupas
entre olores
esvoaçam
estivais

(nova pilha
a ser vencida
pela alma
em obra lírica)

até que um dia
nua e livre
flutue em clímax
afinal

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

v i t r a l



E se eu te amar nesta brancura intensa?
Enevoar pavões,
Encantar?

E se te amar entre a neve branda?
Encantar prados,
Bradar?

E se, ainda, amar-te posso no vitral colorido?
Transparente clamor?
Tramar?

Não.
Enaltecer,
tua cor.

k.t.n.* in branco

Prince


My prince

My prince brinca nas rodas, soletra, alfabetiza-se e versifica.
Embebe meus traços em suas rotinas fatigadas.
Em "teus" traços enluarados de vértices sombrios.
Desencanta as estrelas mostrando o corpo carregado,
de imagens pontilhadas de fagulhas desatadas.
É um andante, caminhante, destoado em escarpas.
Cantante, bebe falante as palavras do rendado.

My prince has saved many emotions,
and I believe them
dancing the seven veils colorful

Alcanço o arco-íris e seu pote de ouro.
Agora embalo-me docemente em lembranças,
Atiro-me ao colo, encontro faces crianças.

E desperto de um sonho e estou noutro país.

F e l i z . . . ! :)

k.t.n. * princess

domingo, 2 de janeiro de 2011

gipsita

Calendário
2011


Doze meses sem conta
em contados
nada encantados
fantasiados de dias
horas, minutos, melancolias.

Passam, retornam, passam.
Voltam prazenteiros, prometendo alvissareiros
Novas paragens, novas nuances.
Mentiras inteiras, engolindo meias-verdades.
Passagens sem volta, estação comprometida.

As flores murcham, rezam e se abrem em frutos.
Caem, esmaecem, prezam o defunto.
Eis que renascem, primam pelo destino.
Passarinho sem gaiola, vida breve, vida leve.

Menino levado da breca, este tal de ano novo.
Sapeca na mestiçagem, no engodo de mais um ano.
Quando, na verdade, doze meses contam, recontam e fazem de conta.

Janeiros mil, fevereiros sombris, abris juvenis, maios varonis...
Junhos costumeiros, julhos primaveris, agostos infantis, setembros em alas,
Outubro! Novembro! Dezembro!

Isso está muito bom! Poderias concentrar aqui o coração do poema!

Retorna, torna, dez + dois, doze sílabas.
Decantadas em novas gipsitas, citrinos, quartzos.
É o vidro, é o cristal é a Brita!

A partir daqui poderias iniciar um novo bloco do poema
Batons de quartzo, nove atos, seis desatos,
DIAMANTE puro, em ADAMANTINA. muito bom verso
Alguém observa o muro.
O pulo dos dias das horas minutos. bom verso também
Reverbera, pulsa e desata o Rio.
Que vai sombrio ao encontro fraterno,
da fé, esperança, claridadade>>>Continu idade>>>
Perfeita esfera, concêntrica, clarabóia.
No centro a luz, recôndita e sempre lume
Desde os primordiais, ancestrais a velar, lume de vela.
Lampião, doce janela.
Lamparina, doce menina.
Luminárias, afagos sensuais.
Lentidão, o carinho do tempo.
Azeda a pressa, constrói o ato, desata laços, recompõe o traço.

Calendário milenar: homem e mulher sempre iguais. Este verso está muito bom... na minha opinião poderia iniciar o poema.

k.t.n.* in profundidade

gipsita

Calendário
2011


Doze meses sem conta
em contados
nada encantados
fantasiados de dias
horas, minutos, melancolias.

Passam, retornam, passam.
Voltam prazenteiros, prometendo alvissareiros
Novas paragens, novas nuances.
Mentiras inteiras, engolindo meias-verdades.
Passagens sem volta, estação comprometida.

As flores murcham, rezam e se abrem em frutos.
Caem, esmaecem, prezam o defunto.
Eis que renascem, primam pelo destino.
Passarinho sem gaiola, vida breve, vida leve.

Menino levado da breca, este tal de ano novo.
Sapeca na mestiçagem, no engodo de mais um ano.
Quando, na verdade, doze meses contam, recontam e fazem de conta.

Janeiros mil, fevereiros sombris, abris juvenis, maios varonis...
Junhos costumeiros, julhos primaveris, agostos infantis, setembros em alas,
Outubro! Novembro! Dezembro!

Retorna, torna, dez + dois, doze sílabas.
Decantadas em novas gipsitas, citrinos, quartzos.
É o vidro, é o cristal é a Brita!


Batons de quartzo, nove atos, seis desatos,
DIAMANTE puro, em ADAMANTINA.
Alguém observa o muro.
O pulo dos dias das horas minutos.
Reverbera, pulsa e desata o Rio.
Que vai sombrio ao encontro fraterno,
da fé, esperança, claridadade>>>Continu idade>>>
Perfeita esfera, concêntrica, clarabóia.
No centro a luz, recôndita e sempre lume
Desde os primordiais, ancestrais a velar, lume de vela.
Lampião, doce janela.
Lamparina, doce menina.
Luminárias, afagos sensuais.
Lentidão, o carinho do tempo.
Azeda a pressa, constrói o ato, desata laços, recompõe o traço.

Calendário milenar: homem, mulher sempre iguais.

k.t.n.* in profundidade

sábado, 1 de janeiro de 2011

Texto revisado - 2010

nem todos os dias são obscuros
há o encantamento sutil
(a sinergia de sóis)
da poesia



nem todos domingos
são letargia:
vibram alvoroços nos varais
jactam flores nos quintais
e o rasante astrolábio

não pára de pintar
corolas azuis e perpétuas
acima do telhado



há a publicação da efeméride

pulsante nas veias cavas
nas curvas dos ossos talhados
e os silêncios rasgados pela chuva inquieta


há a mulher: trêmulo abrigo
do poeta

Adriano Wintter
http://adrianowintter.wordpress.com

Presente de Ano Novo p/ Adriano Ars

I

na tarde quente de um domingo
no quarto branco
de uma edícula
calças blusas e camisas
lençois toalhas edredons
e bermudas
e vestidos
a alta pilha
colorida
que uma mãe
em Adamantina
passa inteira
e sorri

sua mão
pega e alisa
essas fibras
perfumosas
frisa vincos
tira dobras
(usa hábil
não a tábua
mas a velha
escrivaninha
onde pôs
um cobertor)

feito o ferro
que ofega
e às vezes
vaporiza
ela sua
enquanto o usa
ela sofre
mas prossegue
peça a
peça
até a última

acaso um Sófocles
interno
vaticina
quando acaba:
“terminou
tua tragédia”?
não:
tal Hades
na verdade
foi poesia
para ela

II

atos líricos
e épicos:
uma saga
amorosa
ante os vidros
da janela
que (às vezes)
ela olhava
indo em busca
do quintal
onde florem
as ardósias
e oloram os pés
de abacaxis
manjericão
capim-cidró
ou brilham esferas
de acerolas
o quintal
onde três cordas
mostram imagens
que a constelam

III

roupas presas
num varal
violento
vento e sol
móbil símbolo
da alma
agitada
pelo sopro
que a joga
para o alto
contra os liames
deste corpo
contra a morte
contra o nada
feito a lã
e feito o linho
lá no cárcere
das cordas
ela tenta
luta e opta
por soltar-se
mas fracassa

não alcança
a plenitude

- e exausta
apenas seca

seca ao sopro
e ao fogo
infinito
do desejo

Adriano Wintter
http://adrianowintter.wordpress.com


Falta a última parte.

Presente de Ano Novo.

Quero vê-lo editado, seu próximo livro.


Feliz feliz 2011.

:)