quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Levada da breca


Quando menina, era levada, sapeca
Fiquei moça, dondoca, um pouco esperta.
Mais moça ainda, casada, acertada.
Passaram anos, alguns anos, levada da breca.

Cabelo encanece, cai e estremece cutículas.
Levo mais de uma hora para espremer uma laranja.
Meio-dia é cedo para tanta bobagem.
Preciso urgente remover maquiagem.
Onde está o homem que me deve a viagem?

Partiu, navio, sem fio, nem mastro, ou fuzil.
Deixou melancólico a vela do Brasil.
Voltou estapafúrdio e negociou com mais de mil.
Assim acaba a História, da moça velha.
Num país Tropical sem igual.

k.t.n.* 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ecos de Natal











Vozes... quantas vozes fazem ecos!
Solidão entre becos.
Paisagens ferozes enlouquecidas.
Trazem nos sacos
Próprias vidas.

Vorazes vozes dos violinos capazes.
Viram poeira e grãos de mostarda.
Sujam o avental o talhe de madeira.
A boneca da menina.
A esfinge de vermelho.

E nas horas mortas da cozinha.
Assa o bolo e a farinha.
Coze o pão, derrama o leite.
Limpa o azedo da carne fria.
Embolia que não se freia.

Passa o carro na rua direita.
Continuam os ecos tortos.
A voz renitente e fria.
Soou Maria a prece,
Jesus ouviu,


É Natal outra vez!



k.t.n.* in festa &

Estrelas * * * e s p a n t a d a s * * *


 Arte by Andrej Mashkovtsev


A mulher que tinha Sol na cabeça/
Espantou as estrelas/ 
Estas só por raiva/ 
Combinaram muitas cores/

Hoje vemos no céu/ 
Pontilhados de azul/ 
Verde, laranja e amarelo/ 
E as mais insistentes prateadas/


Foi assim que as estrelas douradas/ 
Vingaram-se do brilho do Sol./ 
E a Lua companheira/ 
Assistiu sorrateira/
Emprestou a sua cor / 

E por isso se transforma...
Enquanto as estrelas bordam.

k.t.n.*** in estrelas

Cardume






Uma lágrima cai, porque o amor não veio.
Um sentimento dói, porque não se viveu inteiro.
Uma menina ri da própria sorte e do saci.
Não é mês de agosto, é mês de festa, quase janeiro.

Uma promessa e uma viragem, um passeio e miragem.
Fazem folia no olho d'água, viram espinhos sangrando a Cristo.
Tanta promessa, tanto olho visto, tanta espera, tanta mentira.
A irmã dos olhos grandes, salta ilusão e santa coragem.

Um por um os carneirinhos vão, os peixes buscam escamas douradas.
Encontram pelo caminho porteira, brandos espinhos, tatuagem.
O Sol e a Lua, num momento vão, olharam-se e confirmaram.
Dia de festa na floresta pode chorar que o olho não empresta.

Motivos à saudade vã, fútil e derradeira; seus olhos brincam
E de primeira sua mulher, então companheira, fugirá do altar.
A noite inteira, pegará espinhas dorsais e entalhes mil.
Chegará a ti pronta ao amor e o sentimento maior será inteiro.


k.t.n.* in festa derradeira
 


Roubadas e amadas!


Flores roubadas são flores amadas.

Continuarei a roubar,

Na varanda do vizinho.

Na calçada do passeio público.

Nos vasos esquecidos sobre a mesa.

Na prateleira da mulher esquecida.

Na mesa do funcionário público.



Flores roubadas são flores amadas.

Nas cores e no perfume.

Pelas corolas, sépalas e pétalas.

Pelos talos, folhas e viço.

Pelas meninas, crianças e senhoras.

Mais pelas idosas, caprichosas.


Não têm lastro, mas têm cor.

Sabedoria,  amor e visgo.

Roubem as flores!

Não as deixem secas

À beira do caminho.

Flores roubadas são flores amadas.

k.t.n.*

Bordado


Minha mãe me ensinou a bordar.
Mas o braço não obedece.
Inflamou!
k.t.n.&

sábado, 14 de dezembro de 2013

Flores

Entrego flores perfumadas em pensamento
Preciosas não murcham
Não perdem a essência o perfume

Sempre viçosas carregam brilho e lume 
Entrego flores de jardineiro
De mãos cuidadosas e adubos na medida

Em pencas e cardumes de luminosidades
Enfeitam jardins pela eternidade.
Assim desfaço-me da despedida.

Aos amigos da Face, 
Entrego estas flores sempre perfumadas.&
Em tom maior.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Prata é ouro!



 "Quando um gato fala, todos os cães se calam."



 ... É meia-noite!


 Hora da prata. 


 Inverno paralelo.


 Mia que te escuto. 



... k.t.n.* in foice

Querubins

 

Entorno a minha cabeça,
A testa lhe é oferecida
 
O beijo terno e amoroso.
E ausculto o coração
Bate in no compasso
Auréola de paz e bênção.

 Sentimentos...


Presa à tua mão à minha.
O fragor da tarde cai.
Andamos passos lentos
Silentes neste tempo solto
A roupa baila fluida
Oferecem-nos taças de licor.


Alvas lembranças e cor nos lábios
Rosados puxando ao carmim
Festa de noivado e amor
O brilho dos olhos sem fim.
Algodões anjos querubins
Serafins e trombetas nos cantos.


Harpas, piano, cítaras...
Em breve, bordado o pano
Um par de belas xícaras!.




k.t.n. em o príncipe chegou.



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pimenta

Tanta pimenta 
 não sei se aumenta.
Tanto sal
não sei fazer mingau.
Tanta polêmica,
deixei a violência.
Enorme preguiça,
nem fugi da polícia.
A falta que faz
o estúdio capaz
De fotografar a tua notícia.

O saco de estopa,
o arroz e o farelo.
A menina e o sapo
do livro fugaz
Tenciona trazer
goiabas e mangas.
Em tempos de chuva,
melhor os bolinhos.
Café e pouco leite,
manteiga e calor.
Um pouco de espera
do texto inda em flor.

k.t.n. in pouca produção.

Quem com o ferro fere...

Por Tê Caroli. Isto é um abuso na net! Este ferro de passar e engomar! Faz-me lembrar de minha mãe e avós. Ela passava a roupa, soprava a brasa e eu preenchia o caderno de caligrafia com as frases que a professora do pré-primário (era este o nome) passava. Recordo-me de uma frase que insistia em mim com um turbilhão de pensamentos: "Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido."e escrevia, escrevia de novo nas linhas subsequentes e o cérebro martelava indignado; medo de ser ferida, de ferir, não entendia direito o alcance daquelas palavras, mas escrevia e achava estranho, olhava o ferro nas mãos de minha mãe, ou da Zéfa, nossa empregada (Era assim que se chamava.), que trabalhou conosco por mais de vinte anos, passando e assoprando. Sentia o calor daquele ferro e escrevia a frase... sentia temor, não entendia direito, sabia que não era algo bom. Vieram outras frases, mais fáceis de entendimento, não me recordo, fielmente, delas, havia dias que eram palavras soltas e precisava ligar ideia nelas para fazerem sentido. No começo, era o meu nome e o nome da família que registrávamos, depois sílabas e palavras seguidas dos pensamentos. E o ferro? Este atravessou os meus tormentos infantis e continuou. Acho que desde a tenra idade não aceitei a pena de Talião como legítima e me assombrei. "Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido.", que coisa mais dramática! Mais triste e cruel! " ... :) Ainda bem que na minha casa só há ferros elétricos, são menos perigosos. E eu usei um avental!
 
 
 
k.t.n.*  in início de crônicas do amanhã.

Pimenta


Tanta pimenta que não sei se aumenta.
Tanto sal que não sei fazer mingau.
Tanta polêmica, que deixei a violência.
Enorme preguiça, nem fugi da polícia.
A falta que faz o estúdio capaz
De fotografar a tua notícia.

O saco de estopa, o arroz e o farelo.
A menina e o sapo do livro fugaz
Tenciona trazer goiabas e mangas.
Em tempos de chuva, melhor os bolinhos.
Café e pouco leite, manteiga e calor.
Um pouco de espera do texto inda em flor.

k.t.n. in pouca produção.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Eleve***


Bons sons  &

bons sonhos!


Mesmo acordada!

Leve o vento pelos ares quentes 



 Este sopro invernal 

Quente de doer a pele 




Para embalsamá-la com neve de chocolate 

Derretendo enevoando as costas úmidas 

Cantarolando pérolas de beijos 




Na pele úmida enegrecida 


 Cante o sonho bom 


 Hora do amor. ***



k.t.n.*& in estampa