domingo, 23 de dezembro de 2012

E sou

Sou uma festa de felicidades raras
Um poeta que atravessa palhas
Corta caminhos como queijos de Minas
Aquece a lareira, o lagar e os pequeninos.

Poeta empresta o ar ligeiro,
Torce o trigo na horta e gentil
Afaga a testa entristecida
E caminha apressada pela porta enrijecida.

Devora leite e sobremesas lácteas
Verniz com asseio, tâmaras ressequidas
Empresta à voz ao cantor sentido

Tira o náufrago da nau vertida.
E chora alegrias pelas ruas.
E esquenta a água para o chá das sete!

k.t.n. in treino

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Chuva de Natal

Ouvi tanto o barulho da chuva
Que meu amor me ouviu.
Chamou-me entremeios os pingos.
Dançou, amou, cantou.

Respingou carne em cheio.
De recheio em recheio,
Rebordou-me.

As vestes ficaram encharcadas
O lençol, companheiro, desfibrou-se.
Entre linhos e janelas
Pontiguadas as arestas

Pingos perolados intensos caíam.
Chuva, benesse n.alma algúrios
Pássaros repousantes náufragos
Trouxeram após o entardecer

Galhos pequenos e floridos
E a dormência acordou.
Sentou-se pé ante pé,
Nos cílios dos olhos abertos

Acobertaram-me, desfizeram-me...
Intensamente, em meio a líquidos
Uma forma nova, angulosa.
Tomar no cálice sagrado

Púrpuras rosas d.águas
Entre espinhos inacabados
Teu nome aureolado.

Saído do forno.

Para Wagner compôr Bethoven,
Amigo de longa data.

Kátia

domingo, 16 de dezembro de 2012

Novo pinheiro de Natal

Preciso escrever meus poemas,
as letras que ardem nas pontas dos dedos,
as palavras que escorregam pelos lábios.
Certas da imponência das sílabas todas.
Certas da arrogância do alfabeto completo.

Escrever assim:


Um pouco de mim.
Um pouco para você.

Muitos de nós.
Muitos de vós.

Parceria efêmera.
Noite e desatino.

Um rio e um só menino.
Uma parte profusa e incandescente.

Aliás, lilases muitos.
Nada perenes.

Passageiros e ligeiros.
Como o perfume desta manhã.
Como o pinheiro desarmado de Natal.
Escrever, preciso.

k.t.n.&