quinta-feira, 26 de abril de 2012

Äs vezes, eu.

Kátia Torres Negrisoli

 Às vezes sou Clarice, às vezes, Cecília, um pouco de Cora Coralina, uma saudade melancólica de Bandeira, uma razoabilidade de Drummond, uma insensatez de Rimbaud, as meninas de Lygia dentro do Aquário. Uma prece Serguilhana, saída das profundezas vulcânicas, o responsório de Alphonsus, a arquitetura de João Cabral de Melo Neto e novelas de Dias Gomes.

 Assim, cada dia uma.

E não sou Pessoa, mas adoro o Rio da Minha Aldeia.
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sábado, 21 de abril de 2012

Pró fusão!

 
Que este Sol paranormal, deixe-me sempre igual/

Envolva as serestas verdes em violinos queixosos/

Revolucione os preguiçosos/

Deite as cabeças em assoalhos./

Muito malho, muito malho./

Que este Sou além do genial, deixe-me sempre diferente/

Para além do egoísmo, do olhar umbilical./

Deixe-me, deixe-me, deixe-me/

Em profusão astral, nada assim, fenomenal./

Um pouco de cal, cálice, vinho e tal./

Uma imagem, um torpor, nada mais.//

k.t.n. in pressa

Kátia Torres Negrisoli

quarta-feira, 18 de abril de 2012

à pele


Tê, reveste a alma desta poesia!

Toma largo o frescor invernal, como potes de pedras polidas.

Glacial esfera. Era fera do gelo.

Pretensas homenagens pontilhadas de róseos.

Não mais, somente prata, semente pontiaguda vertida na terra.

Para ninfas extratos etéreos ligeiros.

Pensamentos cortados nas luas refletidas.

Olhares laminados-aço.

Pétrea e férrea natureza sorridente.

Aguenta rigores, tormentas.

Dormente o trilho sobre o lençol freático passa.

As cavernas todas tremem.

Os esquilos subiram, não há sementes.

Uma peça de vanguarda estende o lençol transparente.

Deita! Estremece a pele. É inverno! É rigor!

Calou-se o rio e a cigarra que aí nunca existiu.

Parou!

Hora exata de sentir.


k.t.n.&

terça-feira, 17 de abril de 2012

Neve

Há o gelo, há a neve, há a fome!
Há pontas, há dor, há temor!
Há novelas, romances e amor.
Há paisagens, nuances e cor.

k.t.n.&

sábado, 14 de abril de 2012

Para Maria Luísa, pequena!

Tuas faces róseas aportaram no vinil de teu pai.
Anunciaste a chegada triunfal,
Posando de princesa em colo de Rainha.
Lilás profundo idílio romanesco.

Um bem guardado, uma certeza, um começo.
Serás garota para bem dos olhos fartos,
Mulher tão bela, crinça de fato!
Levarás pelas mãos pequeninas imensos tatos.

De leve, abocanhas as noites e madrugadas.
Ao nascer do Sol sorri com as bochechas mínimas,
Gotas cristalinas de orvalho acolhedor.

Ensejas, bebê, cuidados mil, olhares atentos.
E observas o mundo cá de fora.
E espera, a espera de tua mãe, uma alegria!

k.t.n.&

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Bocas tortas

E na tua boca amarela registrei meu carmim rosado.

Nos olhos tortos cingidos de azul aquarela intensa.

Tingi meu amado todo tato fatiado.

Colori as bochechas indefesas e inodoras.

Cobri teu rosto.

Abri teus olhos.

Lancei ao mar os teus caprichos.

Pus esporas.

Cavalguei.

Cheguei.

Falei das verdades e fui aos fatos.

E nunca mais, nunca mais te vi.


Na imensa curva do caminho imenso.

E a poesia pairou no ar, descortinou abril.

Levando aromas lilases aos pares.

Descortinou líquidos e fluidos.

Amanteigou.

Amassou.

A M O U

Na rua vinte e nove de abril.

Respirou e o rosto se refez imenso como lua cheia.

Bebeu no cálice e as pálpebras fecharam-se.

Tão lindas quanto banho de açucenas.

Serenas.

Perfeitas inacabadas, esperando o novo namorado.

k.t.n. in bocas tortas

Confluência

Confluência

Considera a passagem automática dos pontos
A confluência arbitrária dos teus atos.
A ideia da permanência é esquisitice
Mal-feito ficando mal-dobrado.

Analisa imensidão nesta fornalha.
Aquece e esqueça o martelo gasto.
Enriquece os poros de tintas frescas.
Aparece em contínuo movimento sutil.

As transparências relutam em pernoitar.
Querem ceder outras cores ao lugar.
Indiscretas mostram o manso mar imenso.
Trazem dálias, margaridas e não mais rosas.

Tiraram os espinhos, salvaram o sangue esvaído.

Ficou.
Um caminho.
Um tanto sozinho.
Acompanhado em ninhos.
Automaticamente tudo passou.

k.t.n. in treino poético.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Transbordante

Banhada, repleta, transbordante.

Amarelo ouro, amarelo prata, citrino, do ocaso.

A transmutação, a perda dos sentidos, a energia pura, a doçura.

Afugentando frestas, caminhando em nuvens, poeiras cósmicas douradas.

Do trigo da infância, da pele clara, do anel que era vidro e não se quebrou, das possibilidades.

Metamórficas clarabóias pensantes, reflexionado tensos alto-falantes.


Ideia! Capta!


Inexata tontura das esferas que cilindram alegrias permanentes.

Deixa rodar, deixa cair este pião.

O concreteo é charme, na dureza deste chão.

A verve sorve o cálice.

O tinto entorna, torna à taça áurea.

Refresca e cala. Calidez.

Mudez.

Outra vez!

k.t.n.* in fresta

Cores & Luminosidade

As cores espantam bolores.
Arquitetam possibilidades.
Tocam planetas.

Brincam de anjos, mas são cores somente.
Desperdiçam pigmentos, insistem em tormentos.
E se esquecem da ausência,

Luminosidade, transparência.
Ah, as cores! Atrevidas enovelam-se na vida.
E ficam!

k.t.n.&

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Cores

As cores espantam bolores.
Arquitetam possibilidades.
Tocam planetas.

Bricam de anjos, mas são cores somente.
Desperdiçam pigmentos, insistem em tormentos.
E se esquecem da ausência,

luminosidade, transparência.
Ah, as cores! Atrevidas enovelam-se na vida.
E ficam!

k.t.n.&

quarta-feira, 4 de abril de 2012

&

A noite desce, tão companheira, que anoiteço!

Para João Valeriano

‎"Quero ficar neste teu rosto e te dizer da vida/Ficar nesta imensa paz/ Neste carinho aconchegante/ E espreitar a pele nova em vida renovada, doce carinho/ Quero a sutileza dos traços, marcadas pela doçura do abraço/ O encanto dos dias em meio a euforia de brincadeiras de criança/ Um dia, postar nos olhos amados como a doce espera valeu a pena. " k.t.n.* in encantamento.

domingo, 1 de abril de 2012

Lua Marinheira

E seu eu estiver uma Lua Marinheira, não se importe, que o vento é passageiro!!


k.t.n.*