segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Sangue e violetas



O que há nestas noites sombrias,
em que dormimos e o mal grassa?
Não percebemos, não ficamos sabendo
E a tortura caminha lancinante
Levando corpos, e meninos, e mulheres e homens!

Vidas que se escorrem pelos vãos,
sangue que não veremos
Tinta de tela que pintor não quer e devolve
São tantas devoluções que as letras se encolhem

O que há nas tardes quentes dos trópicos e meridianos?
Corpos suados, trabalhados no suor, capinando, ou não.
Mentes doentes que conspiram salários e mordomias,
O champã que escorre na taça feito fel e fumaça

A gargalhada que zune ao longe refugando os mimos.
Vidas que se perdem ao sabor do salgado e nonsense
suor que não terão, dores que serão passageiras
por enquanto!


São tantos os contratos que a tinta falta.
Nas manhãs, há um sabor acre de vitória, de esperança
Acorda-se o time para jogar do lado certo,
Ledo engano! Enganados vamos, o jardim mais além
Espaços de paz, espaços sombrios, violetas amarelas.

k.t.n. in volta

Vidraça


E te vejo pela vidraça 


e tu não és um reflexo 



nem uma sombra caminhante 



antes uma fumaça que se dilui 



e passeia em pensamentos alheios 



uma falta grave não chover 



 um mistério que se aprende 


 TU!!!






sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Refrigério

As flores refrescam com suas cores vibrantes.

Não precisa tocá-las, basta ver.

Refrigério.


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Textos mínimos


Onde a consistência das palavras? Deixo fragmentos mínimos. Assusta, ou me assustam? Preciso decidir esta questão mínima que assoberba os textos. Há densidade entre os pequenos pedaços de palavras, ou sílabas. Um grafismo pode ser uma ideia rica, riquíssima, atemporal, ou até numa rima pobre, ideal. Mas sou das muitas palavras, das que reverberam, encontram ressonância, solidez e se espargem no ar, viram borboletas de vida breve, mas retornam em bandos, em novas cores, roupagens vibrantes, em textos, textos, textos que não se calam, não se cansam. Aliás, cansam-me pessoas que não gostam dos textos mínimos, recortados, aflitos, ansiosos, que precisam seguir assim, para se aglomerarem e tomarem nova forma. Os textos, eles, precisam de remodelagem, assumir um caráter e posição. A tese se forma aos poucos, diria, muito pouco, anos talvez, muito estudo e determinação, amor ao assunto. Esta é a palavra: amor. quando bate quer falar, dialogar, consentir, sentir, tocar. Frágil rosto da vida, insensato em momentos, mas soberano.

sábado, 11 de novembro de 2017

Refresco





As flores dizem
O que a alma encobre.


Sutis, nobres, 
perfumadas.



diferentes, simples,

Alfazemas são!


k.t.n. in refresco

Sombra de eucaliptos


As forças do tempo desabotoam botões fechados.

Abrem as sépalas e pétalas corolas espantadas.


O tempo em desatino as colore de amarelo e âmbar

E caídas em solo fertilizam para as noivas flores se achegarem.


Idílio e fantasia se confundem com o passar dos carros pelas ruas.

A turba passa inerte e o reflexo de seus corpos denunciam cansaço.



As flores espreitam, espargem perfumes que se confundem com o carbono.


Tentam infrutíferas sobreviver ao hostil e inacabado planeta


Triunfam pelas grades e janelas, varandas e jardins de senhorinhas e senhorios insistentes.



São tantas, são tantas!


Muitas!



Elucubram razões, destoam em seu movimento kitsch e sacerdotal.



Sobrevivem! São fortes! Têm essência! Tem boTões a renascer.


Nova primavera e novos verões superarão invernos e outonos.



Virão em pencas, cachos, galhos, espetadas, paridas...



Olharão os seus olhos e, docemente, dirão:

_ Estamos aqui!


k.t.n. in sombra de eucaliptos

sábado, 21 de outubro de 2017

Veia cava

A minha veia, 

a minha voz

teias ferozes

nomes atrozes

cava, artéria,

animais e sangue


comida e ração


cadê a carne que estava aqui?
o gato comeu!


cadê o leite que estava aqui?
o cão bebeu!


e agora esta ração que sobra


transita no meu prato


com gosto de isopor


uma gota no oceano


e eu piro por um peixe


a lata de vinte anos


foi arremessada há quarenta


e a veia cava grita


a a artéria estrila


e o coração pede 


calma e furor.