sábado, 17 de fevereiro de 2018

Passarinho

A casa
 era muito encantada
um passarinho pousou

Fala com Deus

'Se eu quiser falar com Deus,
Tenho que ficar a sós'

Liberar ares e portentos
Desatar e libertar.
Deixar os sós a si consigos.

Enlamear os pés
Encharcar mãos em óleo
Puxar pelas tranças
Cativar os olhos do ouvinte.

k.t.n. in prece indevida.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Entre espelhos


Entre espelhos, uma face!


Vejo por entre espelhos.
Fracionados no teto.
Arrependidos e estilhaçados. 
Imagens multicores, difusas, esparsas. 
Corpos em profusão, lição de belo.
Entre espelhos o outro.
Entre eles Narciso.


Vejo entre espelhos

 e não dói mais do que uma picada de agulha.


Entre espelhos nado

 refletida pelo sol. 
Experimento o olhar do outro. 
O mesmo habitante 
que mora em mim. 
Que se vai ao longe, 
ou que foi. 
Mas há caminhos e voltas, 
volteios...
Entre espelhos é uma permissão.


Um fato inesquecível, 

refletido.
Em retinas lúcidas
 o papel do palhaço.

Uma dor e um amor. 
Uma vida e sangue. 
Cacos e inteireza. 
Partes, muitas divididas 
formando um todo esquizofrênico
e amigo dos peixes.


Uma visão, noturna e soturna. 

Um cantar esquelético derretendo gorduras. 
Brilho e pontas, 
Entre espelhos vejo um mundo.

 k.t.n. in proposição

sábado, 27 de janeiro de 2018

Dor

Nenhum médico sabe onde começou uma dor. Há indícios, não certezas. No entanto, ela vem, um dia, vem ... para nos ver, sacudir, ou nos colocar numa redoma para evitá-la. É um confronto, ou uma aceitação. Você que sabe.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Paciência

Espere amada, chegarei até ti. Como um raio resplandescente, descerei da aurora, espiarei entre fechaduras. respirarei aromas para respingar em ti doçuras. Amada, amada, espere! O dia ainda não chegou/ precisa raiar esta Boreal com estrelas respingando, como hortaliças no varal. Amada, uma faísca basta, um olhar, um gesto. Mas espere, a paciência é o fruto do amadurecimento deste mesmo amor.

A paz...

A paz pode ser um recado na parede/ um incenso sobre a pia/ a roupa lavada e estendida no varal/ o cachorro se espreguiçando no tapete/ o cabelo solto entre ventos/ o funeral discreto/ a missa, a preguiça, a malícia. Não, a malícia não é paz, é desassossego, coisa de doido. O gato machucado não é paz/ a nota ruim, o emprego que não veio. Mais do que isso, não é paz a fala indiscreta e indevida, o querer mais que querer/ o poder invasivo e não autêntico/ não, isso não é paz. A paz pode estar num lago manso, numa floresta e, incrivelmente, numa guerra/ para haver paz, há de se ter coragem/ ser um grande caçador/ um anjo torto/ buscar em estrelas determinação/ arrogar-se direitos e recuar ante a tempestade/ a paz se faz de dias/ de horas/ minutos/ faz-se a paz de açúcar e afeto/de doçura e flores/ das palavras mais doces/ do gesto de carinho/ do estar sem perceber. esta é a paz que eu quero.
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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O que há para janeiro?

O ano inteiro!
O Carnaval!
O brilho e
O sensacional!

Ipanema e Leblon
Zona Sul e Leste
POÁ e Pará
Sol e chuva.

Preguiça e malícia
Distância e aeronaves
Comidas e bebidas
O melhor, o brasileiro!

Piegas e faceira
Desejei-te
O ano inteiro

Nesta entrega
O primeiro
Mês que principia
E a palma
Da minha mão.