sábado, 7 de outubro de 2017

Mediúnica

Teu rosto que empresta na lida dura
Teu rosto que emoldurei na formosura
Teu rosto que assomou para mim em frenesi
Aurora
Rosto de paz, rosto de amor.
Rosto de Lar.
Rogo de dor e dos pesares passados
Naufrágios assustados
Filhos partidos
Enlaces quebrados

Mas seu rosto frágil
rosto se disformou
se fez paz, se refez.
Tamanha a prece estendida.
Tamanho o fulcro de oração
Tamanho o infinito tracejado
Sr. Jesus, Tua paz e a Tua luz

Até o dia em pudermos nos ver, rosto a rosto, na espiritualidade Maior,

um amigo.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

My Poetry II

BRIM

A Bermuda Branca

Em lápis lazúli resplandece mas alá

As pessoas bronzeadas,

contornadas do brim branco

As pernas gordas, gostosas, cheias

Convite aos meneios...

Teus lápis-lazulis, teu jeito, tuas contas

Singra abaixo, peito  nu _ África Setentrional

Calores abissais, pelo, pelas pernas

Um colorido matinal.

k.t.n.

My Poetry

O mundo na corda bamba
Fez teu nome um samba
Acordou tão assustado
Por um tal beijo roubado
Insinuou polca e sexo
Pouco tamanho e muito riso
O mundo num dobrado
Quis teus gestos, teu enfado
E de fato em fato branco (brinco)?
Trouxe-te o nome, a brisa, o canto.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Estou

Não me apresse!
Estou aqui.
Não me force,
Preciso do tempo.
Não me esqueça
Estou na parede.
da cal, da tinta,
da vela, da lida.

Foca de passagem





A foca, 

a foice

o caminho
o martelo
o ramo,
espinho,
rosa e rio,
rio só.

Foca de passagem
Astro sem asas.
Janelas entreabertas.
Nuvens esparsas.

No colo uvas
No nariz o olor
Rosto sem cor
Vida sem fato.

Cheiramos o olfato
Fugidio e inodoro
Gosto de lata
na boca fica.

A foca passa
E dança para a bailarina.

k.t.n. in força.

Presságio


Estou indo. 

Sei, preciso ir.

Seguir nesta ânsia sem frenesi.
Neste quieto demorado, seguir.

Preciso, 

Preciso, 

Ir, ir, ir...

Quando gostaria de parar.
Costurar todas as roupas.
Plantar as hortaliças principais.

Bordar
Ler,
Escrever.

E este ir inquieto 
não me deixa quieta.
Preciso deste tempo
 de muito tempo
 e não há e não há.

Não dou conta!
Este ir,
Ir, ir, ir...
Aborrece-me.

Gostaria de parar na beira da estrada.
Na borda da rua, 
Numa esteira e nua
Conflagrar o tempo indigesto.

Parada e quieta.
Quieta e parada.
Só as mãos artesãs tecendo.
Fios de prata e de lã quente.

Assim...

Gentil e compassiva.
Compreendida, abraçada.
Magra dos infortúnios e
 muito gorda das ideias.

E a solidão daria passagem 
Aos astros-reis que permeiam noite e dia
Estrelas, Luas e Sois, 
belas nuvens carregadas de trovões.

E este ir, ir, e ir...
Ficaria quietinho dentro de mim.
Olharia todas as belezas já vistas.
As possíveis e alentadoras.

E não iria, 
não iria, 
ficaria.

E numa provável noite de verão,
morna e esquálida forma,
Deitar-me-ia numa rede,
Desfalecida e inclemente
Pedindo docemente,
É chegada a hora!


Beije-me!

k.t.n. in estranho presságio.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Réstias

Me dá um raio de noite / para dizer-lhe que beleza é esta / que caminhos diferentes acompanham / talvez uma faísca abrasadora / uma réstia de luz que penetra em qualquer telha / Dá-me então, suas mãos fortes e lúcidas / encantadas de estrelas / observatório de luas. E esta festa toda, carimbada do rubro afeto / desencadeará na noite eclipse lunar / pedras e seixos rolando / até que o dia abrasador estenderá o fogo fátuo e preciso. 
k.t.n. in volta.