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14/10/2018

Difíceis dias, em que a poesia escorre das mãos, dos olhos, das bocas rebentando ódio, insensatez.
Queria poder gritar: _ Parem este trem, quero descer! Não dá! A locomotiva segue atroz em seu ritmo frenético, o ranger dos metais, pesados, austeros, sem utilidade. Ecos do nada, profusão de ideias, desencontros, desafetos, discórdia. _Parem! Parem! Quero descer!
Estamos ladeira abaixo e a subida nos espera, com degraus, com degraus. muitos. 
Não quero subir.
Não quero!
Estica a corda, estica, deixe-me pegar para saltar, pular fora do caos, da onda gigantesca, com polvos imensos resvalando pelos corpos pálidos.
O olhar gélido do mito, a frieza, a pele flácida, as bocas cheias, tão cheias e cheias que chegam a fartar os nervos.
Bocas cuspidoras, de navios sem mar.
Naufrágio lento, nas terras de Cabral.

Outubro em nuvens

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Neste outubro inflamado onde as cores se espalham prefira o colorido.  
A paz sem arroubos a inocência perdida teu canto e leitura um céu nublado devagar o sol se espraiará. 
Nuvens cobertas por flores olhos vítreos sem janelas.  Portas abertas, maçanetas giradas.  O cão na porta,  o gato na rua.  Pássaro liberto,  mar sem fim.
Prefira, ainda,  liames sem gosma.  Pedras sem limo.  Outono com folhas  e primavera florindo. 
Ao escuro e infinito nossa luz em força e poder. Às manadas perdidas paciência e resignação.  Homem desfeito, em linhas partidas.  Quebrados silêncios antes gritos pungentes.
As missas gentis, de hóstias alcalinas,  o terço, a reza, o sininho poliglota.

Pedras

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As pedras contam e escondem em si tesouros
O homem procura.
...
Interminável busca
Sabota olhares

Tac-tic

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Escolha:


_Tic-tac, ou Tac-tic?


O olhar do relógio não sabe,
 insiste em bater, 
 mas não sabe.

11/09/2015

Saudades doem mais do que olho cego em furacão
Aninham-se num lugar chamado peito e adoece
Pertencem aos sentidos graves das foices
Torna o passo lento uma vaguidão inespecífica
Um caldo grosso que de vez em vez entorna
Pacientes e calmas como o andar de uma serpe
Esperam e bebem lentamente nosso licor
São saudades sentidas e sós!
Um pouco mais e viram nós.
Amoreiras ressequidas pelo vento imberbe
Sorve as forças, liquida o tempo, paralisa e ferve. Doidivanas carecem remédios e auscultação
Fervem! Seja Janeiro, Março ou Fevereiro! Os lugares sujos contemplam luas brancas
Em nome das saudades, das torpes e tiranas! k.t.n. in eu saudade

Poeirenta e fermento

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Olhando as estrelas
na vila poeirenta
sonhando ser astrônoma
cientista, ou algo que o valha
Olhos vagando pelo céu
tanto à noite, como de dia
entre sol, nuvens, lua e estrelas
sonhos cultivados
a astronomia ficou para depois
as letras me engoliram
alunos fizeram sonhar
o quadro-negro deu lugar ao firmamento
e era verde e o giz branco e colorido
desenhei nuvens em torno às palavras
dediquei-me as estrelas juvenis
e a lua cor-de-rosa vi na trajetória
e o Sol enciumado se postou ante a dona
professora e aluna
mostrou o caminho íngreme
facilitou a subida
e a lua continuou o seu bailado
mudou de forma e de cor
tornou-se amiga e confidente
e desta forma o sonho se fez. 
k.t.n. in sonho de menina.

Para Dalla Alves

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Para a amiga que nunca se foi!

É de Idalina a saudade que sinto menina... meninas. Foi num toque do Pai Maior visitamos as mesmas terras chegamos no vermelho pó e fermentamos mulheres
Ausentamo-nos, fizemos história nossos cabelos arredios tramaram nossos destinos fortes, combativas, vencedoras furtando-nos de vãos amores
Uma música que ficou Non Ho L'Etá, per amarti non ho létá e uma geografia se instalou
Dio come ti amo! Os italianos da vez e neste sangue brasileiro Silva, um nome de amiga e saudade toca uma cantiga sentida
alegria esperada, talvez um avião uma porta e um abraço reencontros de meninas, sempre de Yolanda, nossa Vila e nossos sonhos.  Para a amiga querida Dalla Alves