sábado, 5 de agosto de 2017

De mim

E quando não puder ser amor, que pelo menos seja silêncio.

Desejo


Há um desejo intenso de viver/ na plenitude que o humano possa ser capaz / atravessar atmosferas e átomos / resolver a questão/ Há no ar o cheiro de mistério / recusa da passividade / ardor querendo brotar / e não é dia de domingo.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Trovinha de querer bem!





E se a poesia te deixar


Agarre-a com toda a força!



Não a deixe partir de ti



Tanto bem tanto querer



Que esta vida por viver



É saudade e não tem fim



Registre com olhos e afins.



Trabalhe com a régua 



Transferidor e compasso,



Papel e tinta no jeito

Palavras e frases no peito.


k.t.n. in provinha besta

terça-feira, 18 de julho de 2017

Narinas

Um pão,
uma narina
a tangerina
abre

cura e secreta
esparge
o sumo

libera voláteis
gomos carnudos
deita a pele
rugosa

depois de seca
na boca
homem.


k.t.n. in sumo

Húmus

Feita das espécies me compus
Neste campo fértil de húmus
Troglodita de resíduos e verminoses
Embarquei num mastro rumo
ao rio
Neste fundo do rincão macio
As dentaduras caídas ao largo
Espécie de contrato com o malfadado
Entrega do que faltou 
As areias da enseada prantearam
Levantaram-se para me suspender
Já de barro puro já não sou
Contaminada de insetos e pus 
Pés tardios em andanças mil
Mãos partidas em comboios e navios
Ruminando entre hálitos e salivas
Nocivas falas, grunhidos inatingíveis

Eis o homem!
Composição febril!

Saco de batatas em patente dissolução 
Degradação dos dias o tempo não engana
Perde-se mais ainda, nas vaidades mundanas
E os vírus do fracasso e do temor
Se assenhoreiam deste passo largo
Que é deste corpo falho e macio?
Que é do sabor, paladar, linguajar?
Em horas terrestres que os sombrios passeiam
Em noites de geada, de vento e de peste
Acumulam os nervos mensagens atrozes
Levando ao regaço do epitáfio 
A mensagem única 
Que rasga a sublimidade, a pele macia
Do pêssego e veludo
O húmus atingido e fecundado 
Retorna, retorna humidificado
Faz novo rosto, contorno, utopia
Um novo homem, face a face 
Unhas frias, boca silente, aguardente
Brota das terras e dos conglomerados
Imagem infantil engano para crescer


E passa boi, passa boiada
Leva-se, assim, às madrugadas.


k.t.n. in vermifugando

domingo, 16 de julho de 2017

Trovinha de querer bem!

E se a poesia te deixar

Agarre-a com toda a força!

Não deixe partir de ti

Tanto bem tanto querer

Que esta vida por viver

É saudade e não tem fim

Registre com olhos e afins.

Trabalhe com a régua

Transferidor e compasso,

Papel e tinta no jeito

Palavras e frases no peito.

k.t.n. in trovinha besta, meu deus!!

Olhos antropófagos



















Tenho olhos tão cansados
De olhar imensidão vazia
Pessoas frias em vaidades
Umbigos em forma de coração

Mostram os dentes, riem, sorriem

Mal se contentam com o almoço e o jantar.
Querem todas as fatias, comem o fígado
Antropófagos alheios do vão caminhar.
Engolem bocas, olhos, braços


As mãos se enroscam e querem sair.

Como arteiras e sorrateiras
Sozinhas e fazendeiras
De tecidos e rendas e doces-de-leite


Estes olhos fatigados

Emprestam ao arco-íris seus dobrados
Fazem de conta que o bicho não comeu
Dá-se em receitas,
Vira um homem, vira um breu
As pessoas passam as pupilas pulam


Um despautério ...


Acho que um destes olhos é menino

E o outro menina, não se entendem
Um rosa e outro azul, mesclando-se
Tintura falha, visão turva, o rio desce.
A velha da esquina em prece,
Na sua tez a nau desaparece.



Era um conto, era uma vez.


Pululam dentro do armário,

Resgatam os miasmas das tosses
E o amor arrefece, ri-se do caldo
Que entornado cresce.



k.t.n. in olhos