terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Natal silente

E o dia de Natal finda / Solitário e cheio de promessa de alma vazia / A noite rompe os mistérios / Entrega ao berço do menino suas histórias / E ele frágil e pequenino / Carrega as dores e os pecados do mundo / O maior entregue à sua sorte / No horizonte a estrela de Davi desce / esplendorosa alimentada pelas preces / O homem, este homem que não se vê, continua mais Menino / que este doce bebê! É Natal ainda? / Calou o sino, as vozes todas. O céu anuncia novo movimento. / Pestanas levantam-se e buscam o firmamento / Deus menino, anjo sagrado, esperança dos homens, mantenha sua graça!


sábado, 5 de dezembro de 2015

Procura


Procura-se um amor!
Que seja paciente, bondoso,
não o, suficientemente, bíblico.

Que esteja aos pés,
não rastejante
como os felídeos neotropicais.


Que passe à altura,
Sem que atinja
as asas do condor e gaviões.

Que esteja nos cumes,
como o edelweiss
em Bariloche ou nos Alpes Austríacos.

Mas que não murche
tão rapidamente como
a flor do amor uma noviça rebelde.

Este amor deve vir,
mansamente como o lago
e impetuoso como as ondas do mar.

Com brilho e vontade,
fogo, determinação
e algo assim como a rede de fim de tarde.

Manso como os coqueiros do nordeste,
Suave como a brisa do verão,
Aquiescente como a donzela apaixonada.

E esta procura branda,
há de se encerrar.
Os olhos dormirão em paz! 

k.t.n. in procura

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

a c a l a n t o


Durma / que o acalanto é doce / aquece a cama / que a alma pousa/ 

deixe o amanhã / esquece o corpo / deixe cair / é dia sobreposto.


k.t.n.*& in alma

Fina e gostosa a chuva vai




Fina e gostosa

Chuvinha fina, gostosa, goteja na laje.
Meus pensamentos se esvaem com as gotas que caem.
Longe os tormentos passearam.
Hora de dormir, levar o sono ao relento da manhã.




A chuva insiste em gotejar meus pensamentos.
Dispersos em águas fraternais.
Entrego ao Pai, ao Filho e ao Espírito.
Meu santo nome em gotas imortais.



Ó vida futura que se derrama pelas calçadas.
O vento não geme, espreita a delicadeza deste som.


Um fio entre fios d'água caindo.
Lava telhados, lava paredes, 
lava os rios.

Um devagar, um sem pressa,
 a monotonia.
Da água batendo 
destilando poemas e amores estivais.


Vamos torcendo roupas esticadas em imensos varais.
Chuva depressa, chuva ligeira, chuva esparsa.



Acende em meu peito hora perfeita, 
delicadezas.
A paz que procuro no silêncio 
da noite.
Entra Dezembro, traz novo alento, 
lua e cetim.E um anjo dourado resplandece na palma.


E a chuva gozando
desce em prata ilumina frestas.
Ponho a dormir, a sonhar e em vaguidão
Nada específica um cálice a transbordar.




         k..t. n. in ritmo de chuva de verão

sábado, 21 de novembro de 2015

Inversos II

Planto uma semente e espanto o tempo!
Planto uma planta e espanto a semente.



No chão e na terra, piso a performance.
Do plantio correto e da terra fertilizada.




Escoo os excertos de lamentos.
Escorre a água na terra arenosa e drena,


os sonhos, o menino, o pedaço de céu,

da árvore e dos arrebóis.


Reclama o Sol.
Digita a Lua.



Hora de dormir,
Vicejar o verde dos nossos olhos.


k.t.n. in trégua.

Repositório de tempo.

Tudo estranho,tudo novo
e estranhamente perturbador.
A novidade que se avizinha
avilta a mente.

O contato com a pele nova
seduz e amedronta.
A matéria enferma
pende do asfalto cruel.

Lima a língua e
tesiverja sobre falácias cruentas.
O homem sábio se afasta, 

atinge o cume.

Exalam espinheiras, 

bagos de jaca e jatobás.
E o machado corta, 

o machado corta!

Uma lua brinca
e um Sol se esconde.
A criança atravessa a rua
e é pique.

Um velho cospe,
saliva e engole as próprias.
Nada de novo,
na velha guarda estranha perturbadora.

E tudo brinca de novidade,
espantando velhas saudades.
Quem dera a búrica azul
caísse no buraco certo.

Mas o gude da bolinha
se espana e se espalha.

A mãe grita um poema longe
e as bonecas se espalham.
Fazem festa para os grilos do porão.

De novo a velha guarda volta ao tempo e repete:
_ Tudo estranho, tudo novo
 e estranhamente perturbador!

Ao longe, o homem fuma da sacada.
Seu short cai pela barriga saliente,
a fumaça se esvai.

Diz de si para si:
_ Mais um dia que se vai!
Não se perturba, é a ordem.

Mas a velha guarda não descuida
e repete o tempo.
Repete a ordem
 acha tudo novo,
estranhamente novo
e ensolarado na noite sangrenta de Paris!

k.t.n. *& in repositório de tempo.

Fora de ordem.



A mulher que passa,
levou o seu pensamento.
A mentira da mulher que passa,
levou o seu juramento.

O homem que nunca passou,
 machucou-se em pregos e cercas.
A dor do homem inerte,
esvaiu-se em sangue que não jorrou!

A pisada mais forte ficou no sapato,
na sola da prensa no chão
Embaixo espinhos e tocos.
Cimentos e cal espalhadas.

A mulher levou o nosso pensamento,
passou e não voltou!
A verdade da mulher que passou,
não era mais que ilusão.

Tantos os engodos
 os anjos enganados!
A tola que se foi,
e a tolice que ficou,
empataram no ar de abril.

Era um tempo de gerânios,
de cumes e cuspes mil.
Um ar primaveril,
fora de ordem, fora de jeito.

O homem passou! A mulher passou!
Que é do tempo que ficou?!

k.t.n.*& 

Inversos



 Não tenho flores hoje!
Gastei-a com os tempos!

Não tenho hojes!
Gastei-os com as flores!

Não tenho ideia nem franja!
Cortei-as com o tempo!

Não tenho tempo e ideias!
Cortei-as com a franja!

A tez ficou curta.
O navio profundo!

A mulher sem saída!
O navio sem chegada!

Os ramos partiram!
Enroscaram-se no leme.

O que era do navio?
Um menino em prece ao vento!

Não tenho flores hoje!
Gastei-as com o pensamento!

Tenho pensamentos gastos!
Restos de flores murchas!

Testa emprestada às rugas!
Do tempo os vincos todos.

Tartarugas que passaram.
Saltando pedras escalando cumes.

Tanto verso e tanta cruz!
Inversamente nesta luz!

...

Pois, não tenho flores hoje!

k.t.n. * & in Inversos

sábado, 14 de novembro de 2015

Minas não há mais!


A lama de Minas Gerais sorri para nós.
Metáfora de um Brasil que ri dos seus.
Dor das perdas imensas anos sem fio.
O rio, o rio, o rio que era Doce.
Escorre e serpenteia até o Oceano...
Deixa-nos aturdidos diante da Real
Quanto tempo se escondeu?
Quanto doeu? Esfacela aos nossos olhos.

Triste sina Mariana, meninas Marinas.
seus filhos peixes soterrados.
Mumificados ante a bestialidade.

Ó filhos de Minas, coração do Brasil.
Terra de Drummond, Adélia e Adriana.
Inconfidentes teus filhos tremem.
Nunca mais.
O rio é doce e morre no mar.

k.t.n.&*


Inesgotáveis

Indo, mas volto para o sono eterno dos dias.
Infindáveis.
Inesgotáveis.
Amparados na quietude dos pássaros do quintal.

k.t.n.&

sábado, 10 de outubro de 2015

Silêncios ensurdecedores

 Há silêncios que ensurdecem.
Terríveis em gritos.
Ódio aos silêncios perversos, premeditados.
Ódio ao que fecha a sua boca na soberba e no orgulho!

Estúpido o homem que se cala em demasia.
Verme rastejante observador das falhas alheias.
Bem-vindos os dotados de línguas cheias,

saboreiam salivas,
cospem sílabas,
compõem hinários de palavras!
Sejam chucros, ou dotados,
douram no palavrear
o gosto soberano da vida!
Bendita palavra!

&@&$

Tessitura



Quando se desiste da vida,
palavras e  poesia vão embora.
Triste sina do poeta
Perde-se, não em palavras.


No vazio indecifrável,
cuja retinas não batem em sons.
A maior grandeza desta alma
é delinear tintas em ideias soltas.


Nestes caminhos rotos
pessoas tecem o limiar do linho.
Há uma confluência inesperada, 

sutil e automática.





Poeta e Palavras!
Mudas e mortas não transcendem,

Esteta precisa chorar, lamuriar.
Alegrar-se, entediar-se! 


Porém, há de pontilhar
letras em sílabas e palavras.
Sejam amargas, ou doces.
Tristes, ou alegres.
Precisas, ou imprecisas.
Decentes, ou indecentes.
Exatas, ou inexatas.


Ou um carrossel
em que se misturam as essências humanas.
Profanas!

Leite derramado de olhos verdes furados,
furacão.
Nada religioso, ou litúrgico.

A não ser a pressa da consagração da tessitura.
Oh! Arde e fica!
Chora e passa!
Vibra e entristece!
Mas é alma de poeta!

k.t.n.*& in solilóquio

Caligrafia





Se fosse decorar o meu ambiente hoje:


Tiraria todos os quadros

Escreveria as imagens na parede.


Faria de uma própria Arte Letra!

Antes, um curso de Caligrafia!

k.t.n.& in mudança

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Vento e fuligem

Vento e fuligem

Escuto ao longe o vento que passa pela minha janela
Penso que é fuligem do meu pensamento.
Espano espasmos e esquadrinho memórias.
A casa geme ao soar da aurora.

Enterro a desdita e procuro a maldade
Sem endereço e local, porém deixou rastros.
Converso com o vento que lê meus pensamentos.
Faz volteios, rodopia, leva poeira, leva poeira.

A casa limpa, a mesa posta, o jardim sereno e descoberto.
A aragem que chega, a manhã que descortina em orvalhos.
Rebentos chegam, fornalhas fogem.

Um luar brando evoca luas acetinadas quais fantasmas
A tez sente a voz do vento que voa volátil versando poemas
A poeira virou terra plantada em flores.

k.t.n. * in volta.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Furacão

Saudades doem mais do que olho cego em furacão
Aninham-se num lugar chamado peito e adoece
Pertencem aos sentidos graves das foices
Torna o passo lento uma vaguidão inespecífica

Um caldo grosso que de vez em vez entorna
Pacientes e calmas como o andar de uma serpe
Esperam e bebem lentamente nosso licor
 

São saudades sentidas e sós!
Um pouco mais e viram nós.

Amoreiras ressequidas pelo vento imberbe
Sorve as forças, liquida o tempo, paralisa e ferve.

Doidivanas carecem remédios e auscultação
Fervem! Seja Janeiro, Março ou Fevereiro!

Os lugares sujos contemplam luas brancas
Em nome das saudades, das torpes e tiranas!

k.t.n. in eu saudade

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Das línguas sibilantes!



Há silêncios que ensurdecem. Terríveis em gritos. Ódio aos silêncios perversos, premeditados. Ódio ao que fecha a sua boca na soberba e no orgulho! Estúpido o homem que se cala em demasia. Verme rastejante observador das falhas alheias. Bem-vindos os dotados de línguas cheias, saboreiam salivas, cospem sílabas, compõe hinários de palavras! Sejam chucros, ou dotados, douram no palavrear o gosto soberano da vida!

 Bendita palavra! 

&@&$

k.t.n. in arrefece!

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Pílulas brocadas

A vida me doura.
Douro a pílula.
Enveneno águas.
Engulo sapos.
Finjo cimentos.
Arrebento palavras.
Entorno gamelas.
Gesto obscenos,

Na via, na rua, no passeio público.
Na casa, na sala, na bruma.

Garotas nervosas.
Meninos irrequietos.
Homens altivos,
Mulheres ativas.
A vida me presenteia.
Olho de esgueio.
O parto perverso,
Jateou a lua prata!

Na cama, na janela, pela cortina.
No mar, no cais, na praia.

A pílula me doura.
Como cimento,
Devolvo artifícios
Jeitosos carprichos.
Armo o quadril,
Espeto a rosa.
Amparo margaridas.
Sento-me na praça.

k.t.n. in loco.

Sobre perfumes e flores

Onde as flores estão,
quero estar também!

Vida e alma!
Perfume e vias!
Onde estou?
Onde estão.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Concreta










Tom




Imagem: Fernando Scaval

Quem sabe a cor que tem um poeta?

Será que ele empresta o tom?

k.t.n. in ?!@#%

domingo, 23 de agosto de 2015

F9oi!






Quem disse que seria fácil! ?


Mas foi!








k.t.n. in facilidades

Sobre pássaros e gaiolas!



Tirem as gaiolas da cabeça das mulheres.


O que elas querem são pássaros


Dos mais canoros possíveis!


Bom dia!

Eis que a vida se encarrega de flores! Traz no bojo a notícia tão esperada. Sintetiza moléculas de passado, faz retinir luzeiros de esperança. Vida leve. Vida breve. Extensa jornada. Do teu pai e da tua mãe um passo, do teu caminho um instante!

Vida
















A vida me espera, mas estou sem pressa!

...

Companhia

Ultimamente, tenho estado muito comigo, muito... assim, bem de pertinho.
Estar consigo é uma forma de amor.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sossego

Antes tinha a pressa do mundo.
Agora não mais!
O sossego me espanta neste aconchego.
A cama macia, convidativa desacelera batimentos.
O vento manso contribui, este ar invernal, pouco sol
A letargia silente dos que pediram perdão.
A verve solta de um laço partido.
Como um navio a vagar ao sabor das marés.
Sem motor, só velas, só velas...
Um perfume baila no ar e as sereias se vestem.
Um fuzuê encantado é festa no mar.
E a pressa não há.
Bailar, bailar nas retinas dos olhos.
Deixar os amores e folhas caídas serenamente
Velarem sobre os olhos.


k.t.n. in refazimento

domingo, 21 de junho de 2015

Tristeza

Imagem: René Magritte
Algumas coisas me assustam, de tal modo que fico estarrecida e amedrontada.
As pessoas em grupo remetem a uma melancolia sem precedentes, qual gado espalhado pelo pasto, pronto para ser recolhido ao final da noite.
A esperança se fia em calda de ponto de quebrar vendo os homens se regozijarem por tão pouca moeda.
O frio lateja no dedo machucado, a hora de escrever não obedece, pois o estômago dá voltas espiraladas, sufocadas.
O grupo, o grupo, o grupo! Que força tem estes senhores que vêm do nada?
Aliciam cúmplices e caminham felizes...
Deixando atrás de si restos de escuridão, migalhas de pensamentos e raios fugitivos nas colinas ...
A solidão, a casta solidão me alicia. Refugio-me só, fora do grupo, da manada pisante e procuro fechar os olhos, lamentar pouco e tento dormir.
Talvez no sono possa descobrir. Um sonho de paz, quiçá, na parede desenhado.
Um soutien mais ameno, que me deixe livre, uma lingerie desgastada pelo tempo, que cubra o meu corpo cansado destas bacanais de vivenciar o homem e seus grupos.
As manadas ruminantes, triunfantes ao final do dia.
É tanta dor, tanto desgosto, que fulmina os olhos vítreos da boneca sobre o criado-mudo.
Volto-me às pelúcias! Conversar com elas, entender-me com as cores destas peles sintéticas.
Algo assim, patético, mas essencial. Humanos! Humanos! Que bicho estranho somos!
Deixemos o candeeiro aceso, talvez dois, três.
Deixemos nossas mãos pendentes, os lábios silentes e secos à espera do nada.
Uma foice. Uma adaga. Um adágio popular.
Somos grandes e espalhamos miséria.
Somos pequenos e dormimos até a próxima primavera

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Amor em tela


Se eu amar, mesmo assim, se eu amar, será pouco! Não basta, amor nunca basta, é exigente, meticuloso, anda de mãos dadas com a pressa e o sempre por fazer!Amor que esgota, para se renovar, fenece para acordar mais forte, resiliente. Na dureza brota terno, lacrimoso, na desdita fica à espreita para brotar, na ausência, escondido brincando de mocinho. O amor é uma fábula criada por animais famosos. Não faz final, é infeliz neste quesito. Sempre exigente, parcimonioso, cheio de armadilhas e alçapões. Quando caímos lá estava ele, envolvendo-nos com suas benesses. Uma festa em sorriso de criança, que nenhum adulto ressentido há de apagar! Um calmante de brisa marinha, que sopra de Oceano a Oceano, multiplicando os peixes. Por isso, que amar não basta! Há de amar e de se amar sempre, inesgotavelmente sempre! Não podemos fugir, as armadilhas do amor são inúmeras. Nosso coração, mesmo cansado e aflito a ele se entrega, vencido! E resta-nos amar, amar, amar. Incondicionalmente. Esta é a lei. Quer fugir? Tente! Voltará, amando mais. Não sou Vieira, mas sinto esta tessitura estelar de palavras de amor. Assim que é nos dias. Assim que é nos momentos. Até o final. No final, saberemos. O segredo é que ele não chega. Não existe, mas o amor, ah, este sentimos, ressentimos, acompanha-nos. Aprendemos a produzi-lo, reproduzi-lo e em larga escala. Sábio este Senhor! Ele manda! Resta obedecer. k.t.n. in breve prólogo sobre o amor.

  A todos que amam, sem vestir a envergadura torpe que esconde o verdadeiro e sublime amor. Que se deixa transbordar e viver nele. Que sabe-se forte na sua fraqueza, e ser grande no imenso e confortante amor.

 
 E quando eu não mais amar, aí sim, é que estarei, imensamente, amando. 

contradições do Sr. Gerente Amor.




terça-feira, 26 de maio de 2015

Melancias não são melancólicas

  Foto: Letícia Santiago

Onde havia saudades, plantei um pé de couve.
Porque couve é assim, nem todos gostam.
Espanta alguns insetos e atrai outros.
A saudade não ficou satisfeita e trouxe no bojo a lembrança.
Resolvi plantar outra muda.
Esperei dias até encontrar a certa.
Pensei, pensei! E agora?
Oras, conseguir espantar a danada da saudade com a senhora Lembrança seria mais fácil.
Ledo engano, continuei a pensar.
Insetos e pragas, besourinhos e cochonilhas, preciso espantar!
Ai, ai! Um suspiro forte, mas profundo.
Para a lembrança, esta terna lembrança, decidi!
Plantar melancias!
Saborosas, imensas, bolotas enormes do céu em verde.
Inesquecíveis, pesadas como algumas memórias.
Muita água, muito oceano para pisar.
Então resolvi: melancias têm cara de lembrança.
E fui semear. k.t.n. in agradecimento.

domingo, 24 de maio de 2015

Emparedados

Imagem: Fernando Scaval

Relógios emparedados esbugalhados olhos
Nas paredes emprestadas aos quadros
Taciturnos regem o oceano de quem navega
Cavalgam seres inimagináveis e retorcidos.

Fiquem nesta oca parede, saiam dos pulsos.
Liberem as pressas dos oprimidos pelo burburinho.
Dilatem pupilas e deixem ver o sol, o astro-rei
Afoguem seus ponteiros em água doce.

Estas agulhas pontiagudas que seguem
Dia a dia, par a par, noite a noite, sol a sol
Espetam a alma do pássaro livre

Aprisionam borboletas, figurinhas de meu Deus.
Vertem sangue sem nunca atingirem a veia
Vaiam o espetáculo diuturno semanal.


Emparedados fiquem.
Sem socorro pasmem!
Relógios quem de ti precisam?
São homens carregados.
Pilhados, imprecisos.
Os presos, esfaimados.
Que ora vivem, ora morrem em suas horas.
Apressa o dia da libertação.
Carta de alforria a todos!
Século XXI, LIBERTAÇÃO


k.t.n. in liberdade

domingo, 17 de maio de 2015

6 de maio

Boa tarde! Acordei feito madame, sorvendo o café a goles lentos, de pijama, voltando agora para o meu cantinho para fazer leituras na internet, na certeza de que logo o meu pedido de aposentadoria será publicado. Quero curtir muito os cafés da manhã, pelas bananas, ou fatia de pão engolidas depressa para estar na escola no horário (sete dentro da sala da aula) e, em muitos dias, terminando o período às 23:00 h. Quero dormir muito, recuperar o sono perdido, depois ler todos os livros empilhados, escrever os textos ainda retidos na memória, brincar com o meu Bob sem pressa, falar com os filhos sem lamúrias, viajar, estudar, dançar, nadar, sentir-me livre sem as amarras dos ponteiros do relógio. Amo meus alunos, adoro o que faço, mas há uma hora em que precisamos retornar para casa e iniciar uma nova etapa. Ainda manterei pouquíssimas aulas em outra escola, porque parar de vez, seria um colapso, para quem correu tanto, entre cozinha, mercados, açougues, cabeleireiro (?), fisioterapia, ginástica (?), serviços domésticos dentre tantos outros a serem enumerados. O dia das mães se aproxima e este terá um gosto especial do dever cumprido, talvez, duplamente, com os filhos criados batendo suas asas fora de casa. Esta alegria e esta fase quero dividir com os amigos, os do face e os poucos que mantemos ao longo da vida. Reencontrar os antigos, rever prioridades e poder me dedicar ao trabalho solidário. Antes, bem antes, quero ainda dormir muito, descansar, feito adolescente. E agradecer, agradecer.

Sobre mulheres e poetas

O que seria das mulheres sem os poetas?
O que seria dos homens sem poesia!
A mulher e o poeta.
As mulheres e a poesia e o poeta.
Faces do mesmo lado,
antípodas que se encontram em movimentos.
A natureza frágil e sutil
necessita das palavras fortes e visionárias.
 Mulheres e poetas, poetas mulheres.
 ... Equação que se dilui. Fogo fátuo que se acende.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Memória

Se te tenho na memória,
é para desafiar o tempo!
Não te detenhas,
nela há o que convém.

Como um farto almoço de domingo,
Terminado com a fruta da estação.
Não te detenhas,
minha memória fica.
Podes partir

k.t.n.*$
...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Quem tem medo da noite?

"
Coquelicot d'un jour" Ophélie Moreau Huile sur toile 80x80


A noite invade a Terra.
Tira o torpor e o azedo.
A tinta esquisita e o fardo.
Desterra almas inquietas.

Afasta o poeta das letras.
Deixa o pensamento sufocante.
Apossar-se das nervuras.
O amante se enrosca ...

Letras letárgicas lentas.
A noite inóspita tira vestes.
A Lua, planeta mórbido, cobre.
Sorri solitária e perdida.

Sonhando no firmamento.
Da própria escuridão.
A noite não sorri, esconde-se.
Prateada, insone, preguiçosa.

Inquietos os panfletos da cidade.
Voam de calçada a calçada.
Amanhã varridos, um outro dia!


k.t.n. in quem tem medo da noite?

quinta-feira, 19 de março de 2015

Noite



Noite findando...
Um Oceano vaza.
Na travessa um olho.
A tez fria observa.
Os traços na testa
Enfeitam a imagem.

O que escapa aos olhos
Permanece quieto
Entre-dentes-calado.
Fingindo a história
Das matrioscas
Escondendo-se.

A noite vaza...
Vazia e incerta
Até que o barulho
O incômodo chamado
De um celular atônito
Rompe a certeza
De que seria de paz!

k.t.n.^^

domingo, 8 de março de 2015

Vida

Há uma vida dentro de mim.
Outra fora.
De vez em quando elas se encontram.
Vez ou outra fazem festa.
Acho que cada uma se detesta.
Incompatíveis opiniões formadas.
A vida que vai, ... a via que fica.
A espera mortal, ... dentro o infinito.
E dispersa na noite,
Uma das vidas agita e se mostra.
A outra morre pequena.
No Sol se levanta, é a vida do outro,
fazendo poema!

k.t.n.*

Mulher II

Mulher, teu nome principia na palma de nossas mãos.
Muitas Marias concebidas e em nome do Rei nosso perdão.
Atiramos ao fogo a lenha que acende amor, lágrimas e compreensão.
Divinamente belas, divinamente personificadas, divinamente divas.

M de Marias, V de vitórias, C de Cecílias e Celinas,
Num alfabeto inteiro não caberiam tantas cedilhas e letras.
Tanto trabalho e afeto, a dor combatida, a alegria rendida.
Mulher, sou mulher! Na forma do sexo, no jeito de ser.

Somos mães, esposas, companheiras, professoras, certeiras.
Olfato, tato, visão e paladar, sinestesias sem fim.
Vida de mulher é assim: um sentir-se plena e faiscante nesta plenitude.
Um orgasmo na Terra, um olhar para o céu, nem sempre serenas.

Atribuladas, guerreiras, dos filhos a primeira, santa concepção.
A ti, neste "teus dias", flores, amores, paz e encantamento.
A vida decide, você fica, pois permanece no amor.
Permanece porque acredita, é forte e lancinante.

Mulher, parabéns!!

k.t.n.* Sou mulher!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Boca do tempo

o tempo supera o tempo, sopra na boca do infinito e dispara contra o relógio, deixe o tempo maldito contar as suas horas no tempo certo
ou incerto tempo
k.t.n. in reviravolta

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Pedaços






Amor em versos.
Pedaços em prosa.
Vida, assim!

Meio boba.
Assim tola.
Em prosa ou verso!

k.t.n.*&

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Na pia



Minha poesia ficou na pia.
Sem dia.
Molhada.
Sem nada.
Vazada.

  
Olhos furados revelaram-na.
Estátua.
Perfeita
Tão dura.
Sem nada.


O dia ficou na vazia.
Sem pia.
Sem nada
Tão duro.

E o pássaro passou rente.
Ao mármor.
Ao tanque.
Ao sol.


k.t.n. sem poesia

sábado, 17 de janeiro de 2015

Post

Kátia Torres Negrisoli Amar! Amar o partido, o já ido e o que há de chegar!

Rasgando

Vim para rasgar.
Colocar o pó no ar.
Definir o meu lugar.
Entestar o meu papel.

Não gostou desta lembrança?
Lambe pó, rasgue sabão
Quem manda em mim sou eu!
E bem livre desta prisão.

O ar rarefeito escasseia.
Na divertida troca de trato.
O feio se esbalda em testas.
As minhas sem rugas dobradas.

Quem manda em mim sou eu.
Cala boca já morreu!
Je suis Charlie em Maria.
Kátia em tarde Adamantina.

k.t.n.*&

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Furor

Preciso do furor das palavras.
As santas caem.
As honestas e profícuas raras.

As palavras acertadas e desonestas.
Que furam e perfuram espelhos tonteados.
Há a dúvida da lei e da espécie.

Mas palavras são palavras.
Não precisam ser maquiadas.

k.t.n. in verso legítimo

Trovinha besta

A tarde vem.
A tarde cai.
Inventa e vem.
Mas não vai.

Tardia em mim.
A chuva de verão.
Ardia em mim.
O sol da estação.

Rima pobre.
Rima rica.
Quem pode mais?
Se a tarde vai?

A tarde vem.
A tarde vai.
Leva meu bem.
A dor, meus ais.

A estrela sobe.
A lua desce.
Incendeia o Norte.
O Sul esquece.

A tarde brava.
A tarde estrela.
Arde em tarefas.
Em ardósias quentes.

Na tarde que vem.
Na tarde que vai.
Um pouco do meu bem.
Um pouco dos meus ais.

k.t.n. in pranto que sai.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Das palavras

Sou das palavras e muitas!

  Sou das palavras! E não são poucas!

k.t.n.*

Selfies

Um dia,  riremos das 'selfies', das fotos, deste tempo.
Quando o encantamento narcísico exagerado quebrantará-se em águas de lagos menos poluídos?

Olhos e pupilas dilatadas verão a fina flor do afeto largada ao lago. O homem neste gênio falho poderá voltar-se para as Helenas e horizontes.

Cortinas descerrarão e envolverão o corpo humilhado de forma tênue e branda. E o homem renascerá em outros homens, vítimas de si mesmos. Algoz de sua própria voz. Nosso corpo físico se desintegrará e lançado às chamas do divino superará sofrimentos e enganos, preciosos momentos de lucidez.

Um dia riremos das selfies, ouvindo o canto dos anjos.

k.t.n.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Tim-tim!

Vi uma luz!
Há uma luz.
As poesias voltaram!

k.t.n.*& in amor