domingo, 24 de maio de 2015

Emparedados

Imagem: Fernando Scaval

Relógios emparedados esbugalhados olhos
Nas paredes emprestadas aos quadros
Taciturnos regem o oceano de quem navega
Cavalgam seres inimagináveis e retorcidos.

Fiquem nesta oca parede, saiam dos pulsos.
Liberem as pressas dos oprimidos pelo burburinho.
Dilatem pupilas e deixem ver o sol, o astro-rei
Afoguem seus ponteiros em água doce.

Estas agulhas pontiagudas que seguem
Dia a dia, par a par, noite a noite, sol a sol
Espetam a alma do pássaro livre

Aprisionam borboletas, figurinhas de meu Deus.
Vertem sangue sem nunca atingirem a veia
Vaiam o espetáculo diuturno semanal.


Emparedados fiquem.
Sem socorro pasmem!
Relógios quem de ti precisam?
São homens carregados.
Pilhados, imprecisos.
Os presos, esfaimados.
Que ora vivem, ora morrem em suas horas.
Apressa o dia da libertação.
Carta de alforria a todos!
Século XXI, LIBERTAÇÃO


k.t.n. in liberdade

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