segunda-feira, 1 de abril de 2013

Estado de neve

Dentro deste espetáculo eu me pertenço.
Qual palhaça dos seus dedos molhados.
E aqueço o fogão longe de mim.
E me deito.
Vorazmente dentro do tempo.
Peço permissão aos deuses todos.
Páro o tempo e invento.
Histórias compridas para fazer dormir.
Navalhas de palavras para descer à mortalha.
Lenços lavados.
Palavras contadas.
Gestos ousados.

As mãos.
Os pés.
O que houve neste tempo,
Nesta espera desatinada.
Um corpo, uma emoção.

Duas pessoas, três, um mundo justo.
Infindo, porque espera o fim.
Que nunca vem e nos trai.
E esperamos e não vem.
E trai e nos distrai nas fontes eternas.
Das águas voláteis,
Que o caçador encontrou em floresta nada tropicais.

O machado corta a lenha.
O fogo assa os beijus.
A vida segue mansa e insana.
Engana e ama.
Pede e retira.
Desfaz e sempre, assim, deste jeito,
Tranquila, refaz!

k.t.n. in estado de neve.

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