domingo, 15 de dezembro de 2013

Ecos de Natal











Vozes... quantas vozes fazem ecos!
Solidão entre becos.
Paisagens ferozes enlouquecidas.
Trazem nos sacos
Próprias vidas.

Vorazes vozes dos violinos capazes.
Viram poeira e grãos de mostarda.
Sujam o avental o talhe de madeira.
A boneca da menina.
A esfinge de vermelho.

E nas horas mortas da cozinha.
Assa o bolo e a farinha.
Coze o pão, derrama o leite.
Limpa o azedo da carne fria.
Embolia que não se freia.

Passa o carro na rua direita.
Continuam os ecos tortos.
A voz renitente e fria.
Soou Maria a prece,
Jesus ouviu,


É Natal outra vez!



k.t.n.* in festa &

2 comentários:

Adriane Garcia disse...

Show de poema. O Natal acontece, mas a voz do mundo, precária, rouca e em grito continua. Poesia é antena do tempo presente. Parabéns.

Kátia Torres disse...

Oi, Adriane Garcia! O mundo grita em ecos abafados. Obrigada, pela sua voz-presença!

Kátia