quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2013

Há um langor tão denso nas pálpebras semicerradas
Pesam horrores assustadas
Pedem calma e melancolia
Nestas noites todas divididas em cílios suspensos.

Uma canção, talvez, pessoas, quem sabe.
Os olhos se fecham à claridade ofuscante
A busca da prece se faz num último instante
E se recompõe do lastro de fel

Ajeita máscaras todas, azedas máscaras
Nacaradas do malte e mel
Glaceadas de azul turquesa
Resplandecem parte do ceu

Estranha miragem na paisagem
Modificações de estrelas cadentes
que queimam os cabelos nauseabundos
Defectos e desregranhados
No lençol da manhã, mortalha.

Feroz agulha e precipício
Pedras pontiguadas ferem
Desterram fronhas, embrulham toalhas
e desaquecem o fogareiro.

Lume.

Tão discreto, nem se nota escondico sob os alforjes
O pano branco enegrece e vermelha
O lume toma corpo é labareda
Assim os homens vão estrada à fora.

Pensam conquistar baías e arquipélagos
Não conhecem o seu próprio rosto
E face a face se entregam nesta ignorância
E fogem. E fogem!

Estão amedrontados com a própria imagem
Distorcida e inacabada.
Problema de um certo Deus.
Forjou o aço e se esqueceu dos diamantes.

k.t.n.& in 2013

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