segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Textos mínimos


Onde a consistência das palavras? Deixo fragmentos mínimos. Assusta, ou me assustam? Preciso decidir esta questão mínima que assoberba os textos. Há densidade entre os pequenos pedaços de palavras, ou sílabas. Um grafismo pode ser uma ideia rica, riquíssima, atemporal, ou até numa rima pobre, ideal. Mas sou das muitas palavras, das que reverberam, encontram ressonância, solidez e se espargem no ar, viram borboletas de vida breve, mas retornam em bandos, em novas cores, roupagens vibrantes, em textos, textos, textos que não se calam, não se cansam. Aliás, cansam-me pessoas que não gostam dos textos mínimos, recortados, aflitos, ansiosos, que precisam seguir assim, para se aglomerarem e tomarem nova forma. Os textos, eles, precisam de remodelagem, assumir um caráter e posição. A tese se forma aos poucos, diria, muito pouco, anos talvez, muito estudo e determinação, amor ao assunto. Esta é a palavra: amor. quando bate quer falar, dialogar, consentir, sentir, tocar. Frágil rosto da vida, insensato em momentos, mas soberano.

sábado, 11 de novembro de 2017

Refresco





As flores dizem
O que a alma encobre.


Sutis, nobres, 
perfumadas.



diferentes, simples,

Alfazemas são!


k.t.n. in refresco

Sombra de eucaliptos


As forças do tempo desabotoam botões fechados.

Abrem as sépalas e pétalas corolas espantadas.


O tempo em desatino as colore de amarelo e âmbar

E caídas em solo fertilizam para as noivas flores se achegarem.


Idílio e fantasia se confundem com o passar dos carros pelas ruas.

A turba passa inerte e o reflexo de seus corpos denunciam cansaço.



As flores espreitam, espargem perfumes que se confundem com o carbono.


Tentam infrutíferas sobreviver ao hostil e inacabado planeta


Triunfam pelas grades e janelas, varandas e jardins de senhorinhas e senhorios insistentes.



São tantas, são tantas!


Muitas!



Elucubram razões, destoam em seu movimento kitsch e sacerdotal.



Sobrevivem! São fortes! Têm essência! Tem boTões a renascer.


Nova primavera e novos verões superarão invernos e outonos.



Virão em pencas, cachos, galhos, espetadas, paridas...



Olharão os seus olhos e, docemente, dirão:

_ Estamos aqui!


k.t.n. in sombra de eucaliptos

sábado, 21 de outubro de 2017

Veia cava

A minha veia, 

a minha voz

teias ferozes

nomes atrozes

cava, artéria,

animais e sangue


comida e ração


cadê a carne que estava aqui?
o gato comeu!


cadê o leite que estava aqui?
o cão bebeu!


e agora esta ração que sobra


transita no meu prato


com gosto de isopor


uma gota no oceano


e eu piro por um peixe


a lata de vinte anos


foi arremessada há quarenta


e a veia cava grita


a a artéria estrila


e o coração pede 


calma e furor.

Ninei no colo da vida

A vida me pegou,

mas não me botou no colo.

Tive trabalho, sonhos, doenças e alegrias.

Isto é vida,

Ninei no colo dela.


Pode ficar!

Sou das poucas que entraram aqui.

Mas fiquei!

Nos teus olhos, na tua boca, no teu cais.

Sambei na língua do tempo e me perdi,

Procurei outrora lamentos e ventanias


Encontrei! Encontrei! Encontrei!



Agora o pouco que resta é paz,



uma espécie de desavença com o espelho



Tirando rugas e pregas, devolvendo o brilho do olhar.



Porque entrei e não saí!


Insistente!
Muito!
Resistente!

De vidro, mas não quebrei, ralei, mas não parti.


E de mês em mês, ano a ano, décadas contadas,

espraio as mãos sedentas e secas

sobre a cama fofa e passo o creme com cheiro de criança

porque se enobrece e se esquece das urdiduras.

Sou das poucas! Já disse!

Pode ficar!!

sábado, 7 de outubro de 2017

Mediúnica

Teu rosto que empresta na lida dura
Teu rosto que emoldurei na formosura
Teu rosto que assomou para mim em frenesi
Aurora
Rosto de paz, rosto de amor.
Rosto de Lar.
Rogo de dor e dos pesares passados
Naufrágios assustados
Filhos partidos
Enlaces quebrados

Mas seu rosto frágil
rosto se disformou
se fez paz, se refez.
Tamanha a prece estendida.
Tamanho o fulcro de oração
Tamanho o infinito tracejado
Sr. Jesus, Tua paz e a Tua luz

Até o dia em pudermos nos ver, rosto a rosto, na espiritualidade Maior,

um amigo.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

My Poetry II

BRIM

A Bermuda Branca

Em lápis lazúli resplandece mas alá

As pessoas bronzeadas,

contornadas do brim branco

As pernas gordas, gostosas, cheias

Convite aos meneios...

Teus lápis-lazulis, teu jeito, tuas contas

Singra abaixo, peito  nu _ África Setentrional

Calores abissais, pelo, pelas pernas

Um colorido matinal.

k.t.n.

My Poetry

O mundo na corda bamba
Fez teu nome um samba
Acordou tão assustado
Por um tal beijo roubado
Insinuou polca e sexo
Pouco tamanho e muito riso
O mundo num dobrado
Quis teus gestos, teu enfado
E de fato em fato branco (brinco)?
Trouxe-te o nome, a brisa, o canto.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Estou

Não me apresse!
Estou aqui.
Não me force,
Preciso do tempo.
Não me esqueça
Estou na parede.
da cal, da tinta,
da vela, da lida.

Foca de passagem





A foca, 

a foice

o caminho
o martelo
o ramo,
espinho,
rosa e rio,
rio só.

Foca de passagem
Astro sem asas.
Janelas entreabertas.
Nuvens esparsas.

No colo uvas
No nariz o olor
Rosto sem cor
Vida sem fato.

Cheiramos o olfato
Fugidio e inodoro
Gosto de lata
na boca fica.

A foca passa
E dança para a bailarina.

k.t.n. in força.

Presságio


Estou indo. 

Sei, preciso ir.

Seguir nesta ânsia sem frenesi.
Neste quieto demorado, seguir.

Preciso, 

Preciso, 

Ir, ir, ir...

Quando gostaria de parar.
Costurar todas as roupas.
Plantar as hortaliças principais.

Bordar
Ler,
Escrever.

E este ir inquieto 
não me deixa quieta.
Preciso deste tempo
 de muito tempo
 e não há e não há.

Não dou conta!
Este ir,
Ir, ir, ir...
Aborrece-me.

Gostaria de parar na beira da estrada.
Na borda da rua, 
Numa esteira e nua
Conflagrar o tempo indigesto.

Parada e quieta.
Quieta e parada.
Só as mãos artesãs tecendo.
Fios de prata e de lã quente.

Assim...

Gentil e compassiva.
Compreendida, abraçada.
Magra dos infortúnios e
 muito gorda das ideias.

E a solidão daria passagem 
Aos astros-reis que permeiam noite e dia
Estrelas, Luas e Sois, 
belas nuvens carregadas de trovões.

E este ir, ir, e ir...
Ficaria quietinho dentro de mim.
Olharia todas as belezas já vistas.
As possíveis e alentadoras.

E não iria, 
não iria, 
ficaria.

E numa provável noite de verão,
morna e esquálida forma,
Deitar-me-ia numa rede,
Desfalecida e inclemente
Pedindo docemente,
É chegada a hora!


Beije-me!

k.t.n. in estranho presságio.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Réstias

Me dá um raio de noite / para dizer-lhe que beleza é esta / que caminhos diferentes acompanham / talvez uma faísca abrasadora / uma réstia de luz que penetra em qualquer telha / Dá-me então, suas mãos fortes e lúcidas / encantadas de estrelas / observatório de luas. E esta festa toda, carimbada do rubro afeto / desencadeará na noite eclipse lunar / pedras e seixos rolando / até que o dia abrasador estenderá o fogo fátuo e preciso. 
k.t.n. in volta.

domingo, 24 de setembro de 2017

Quem?

Quem é você que veio / No meio desta meia-noite soturno / Cabras deslocadas em pastos sombrios / Uma recalculagem de espadas e espinhos / pontiguadas feras soltas no intervalo deste sono :

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Prata e rosados



Meus olhos prata derramam-se em talheres de cozinha taciturnos. 

O brilho ecoa pela sala, traz respostas imediatas, brilhantes. 

Um limo de amor eternizante pelo caminho.

 A seda era carmim. 

Os lábios rosados e os brilhos prateados.

 Incendeiam amor! 

domingo, 3 de setembro de 2017

Gato!



É noite! 

O gato me espreita 

e eu espreito o gato. 


Não sei em qual rua, 

mas sei que está lá 

e me olha 



e eu o procuro, 

gato dos meus olhos.

k.t.n in dias*

sábado, 5 de agosto de 2017

De mim

E quando não puder ser amor, que pelo menos seja silêncio.

Desejo


Há um desejo intenso de viver/ na plenitude que o humano possa ser capaz / atravessar atmosferas e átomos / resolver a questão/ Há no ar o cheiro de mistério / recusa da passividade / ardor querendo brotar / e não é dia de domingo.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Trovinha de querer bem!





E se a poesia te deixar


Agarre-a com toda a força!



Não a deixe partir de ti



Tanto bem tanto querer



Que esta vida por viver



É saudade e não tem fim



Registre com olhos e afins.



Trabalhe com a régua 



Transferidor e compasso,



Papel e tinta no jeito

Palavras e frases no peito.


k.t.n. in provinha besta

terça-feira, 18 de julho de 2017

Narinas

Um pão,
uma narina
a tangerina
abre

cura e secreta
esparge
o sumo

libera voláteis
gomos carnudos
deita a pele
rugosa

depois de seca
na boca
homem.


k.t.n. in sumo

Húmus

Feita das espécies me compus
Neste campo fértil de húmus
Troglodita de resíduos e verminoses
Embarquei num mastro rumo
ao rio
Neste fundo do rincão macio
As dentaduras caídas ao largo
Espécie de contrato com o malfadado
Entrega do que faltou 
As areias da enseada prantearam
Levantaram-se para me suspender
Já de barro puro já não sou
Contaminada de insetos e pus 
Pés tardios em andanças mil
Mãos partidas em comboios e navios
Ruminando entre hálitos e salivas
Nocivas falas, grunhidos inatingíveis

Eis o homem!
Composição febril!

Saco de batatas em patente dissolução 
Degradação dos dias o tempo não engana
Perde-se mais ainda, nas vaidades mundanas
E os vírus do fracasso e do temor
Se assenhoreiam deste passo largo
Que é deste corpo falho e macio?
Que é do sabor, paladar, linguajar?
Em horas terrestres que os sombrios passeiam
Em noites de geada, de vento e de peste
Acumulam os nervos mensagens atrozes
Levando ao regaço do epitáfio 
A mensagem única 
Que rasga a sublimidade, a pele macia
Do pêssego e veludo
O húmus atingido e fecundado 
Retorna, retorna humidificado
Faz novo rosto, contorno, utopia
Um novo homem, face a face 
Unhas frias, boca silente, aguardente
Brota das terras e dos conglomerados
Imagem infantil engano para crescer


E passa boi, passa boiada
Leva-se, assim, às madrugadas.


k.t.n. in vermifugando

domingo, 16 de julho de 2017

Trovinha de querer bem!

E se a poesia te deixar

Agarre-a com toda a força!

Não deixe partir de ti

Tanto bem tanto querer

Que esta vida por viver

É saudade e não tem fim

Registre com olhos e afins.

Trabalhe com a régua

Transferidor e compasso,

Papel e tinta no jeito

Palavras e frases no peito.

k.t.n. in trovinha besta, meu deus!!

Olhos antropófagos



















Tenho olhos tão cansados
De olhar imensidão vazia
Pessoas frias em vaidades
Umbigos em forma de coração

Mostram os dentes, riem, sorriem

Mal se contentam com o almoço e o jantar.
Querem todas as fatias, comem o fígado
Antropófagos alheios do vão caminhar.
Engolem bocas, olhos, braços


As mãos se enroscam e querem sair.

Como arteiras e sorrateiras
Sozinhas e fazendeiras
De tecidos e rendas e doces-de-leite


Estes olhos fatigados

Emprestam ao arco-íris seus dobrados
Fazem de conta que o bicho não comeu
Dá-se em receitas,
Vira um homem, vira um breu
As pessoas passam as pupilas pulam


Um despautério ...


Acho que um destes olhos é menino

E o outro menina, não se entendem
Um rosa e outro azul, mesclando-se
Tintura falha, visão turva, o rio desce.
A velha da esquina em prece,
Na sua tez a nau desaparece.



Era um conto, era uma vez.


Pululam dentro do armário,

Resgatam os miasmas das tosses
E o amor arrefece, ri-se do caldo
Que entornado cresce.



k.t.n. in olhos