terça-feira, 18 de julho de 2017

Húmus

Feita das espécies me compus
Neste campo fértil de húmus
Troglodita de resíduos e verminoses
Embarquei num mastro rumo
ao rio
Neste fundo do rincão macio
As dentaduras caídas ao largo
Espécie de contrato com o malfadado
Entrega do que faltou 
As areias da enseada prantearam
Levantaram-se para me suspender
Já de barro puro já não sou
Contaminada de insetos e pus 
Pés tardios em andanças mil
Mãos partidas em comboios e navios
Ruminando entre hálitos e salivas
Nocivas falas, grunhidos inatingíveis

Eis o homem!
Composição febril!

Saco de batatas em patente dissolução 
Degradação dos dias o tempo não engana
Perde-se mais ainda, nas vaidades mundanas
E os vírus do fracasso e do temor
Se assenhoreiam deste passo largo
Que é deste corpo falho e macio?
Que é do sabor, paladar, linguajar?
Em horas terrestres que os sombrios passeiam
Em noites de geada, de vento e de peste
Acumulam os nervos mensagens atrozes
Levando ao regaço do epitáfio 
A mensagem única 
Que rasga a sublimidade, a pele macia
Do pêssego e veludo
O húmus atingido e fecundado 
Retorna, retorna humidificado
Faz novo rosto, contorno, utopia
Um novo homem, face a face 
Unhas frias, boca silente, aguardente
Brota das terras e dos conglomerados
Imagem infantil engano para crescer


E passa boi, passa boiada
Leva-se, assim, às madrugadas.


k.t.n. in vermifugando

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