Tenho olhos tão cansados De olhar imensidão vazia Pessoas frias em vaidades Umbigos em forma de coração Mostram os dentes, riem, sorriem Mal se contentam com o almoço e o jantar. Querem todas as fatias, comem o fígado Antropófagos alheios do vão caminhar. Engolem bocas, olhos, braços As mãos se enroscam e querem sair. Como arteiras e sorrateiras Sozinhas e fazendeiras De tecidos e rendas e doces-de-leite Estes olhos fatigados Emprestam ao arco-íris seus dobrados Fazem de conta que o bicho não comeu Dá-se em receitas, Vira um homem, vira um breu As pessoas passam as pupilas pulam Um despautério ... Acho que um destes olhos é menino E o outro menina, não se entendem Um rosa e outro azul, mesclando-se Tintura falha, visão turva, o rio desce. A velha da esquina em prece, Na sua tez a nau desaparece. Era um conto, era uma vez. Pululam dentro do armário, Resgatam os miasmas das tosses ...