domingo, 16 de julho de 2017

Olhos antropófagos



















Tenho olhos tão cansados
De olhar imensidão vazia
Pessoas frias em vaidades
Umbigos em forma de coração

Mostram os dentes, riem, sorriem

Mal se contentam com o almoço e o jantar.
Querem todas as fatias, comem o fígado
Antropófagos alheios do vão caminhar.
Engolem bocas, olhos, braços


As mãos se enroscam e querem sair.

Como arteiras e sorrateiras
Sozinhas e fazendeiras
De tecidos e rendas e doces-de-leite


Estes olhos fatigados

Emprestam ao arco-íris seus dobrados
Fazem de conta que o bicho não comeu
Dá-se em receitas,
Vira um homem, vira um breu
As pessoas passam as pupilas pulam


Um despautério ...


Acho que um destes olhos é menino

E o outro menina, não se entendem
Um rosa e outro azul, mesclando-se
Tintura falha, visão turva, o rio desce.
A velha da esquina em prece,
Na sua tez a nau desaparece.



Era um conto, era uma vez.


Pululam dentro do armário,

Resgatam os miasmas das tosses
E o amor arrefece, ri-se do caldo
Que entornado cresce.



k.t.n. in olhos

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