sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Presença de Outrora

Presença de Outrora
Houve um tempo em que queria dormir.
Dormir todos os sonhos do mundo
E acordar sem ter o que me lembrar
Apertar os olhos até as pestanas se encolherem
E referendar o maior amor presente.
Houve um tempo que queria o pressentimento
Perto, muito perto, quase perto, quase dentro.
E neste tempo muito vago, perdi-me nas horas
Vagas horas, mortas inteiras, ao mar e marés
Nas ondas cheias levaram sonhos, conchas e estrelas.
Adormecendo no som que batia nas areias,
Nas portas, nas taramelas, nas fechaduras.
Estes olhos apertaram, apertaram, apertaram
Muitos dias, muitos meses, muitos anos, muitas rugas.
Saltaram órbitas, giraram com a lua, transcenderam
... com o Sol ...
Ah, tantos olhos vistos, tantas vistas e sobrolhos
Não havia como dormir, sempre era hora de se levantar.
Tanto tempo, tanta gente, tanta hora, tanto dia.
A rede se encolheu, o lençol esgarçou, o travesseiro caiu.
Histórias contadas ficaram sem graça
E se adormecia ao som do orvalho e era hora de acordar.
Aviso colado na porta, relógio com hora marcada.
Saltar, sair, solfejar na sôfrega silente solidão sem sono
,,, sem Sonho.
Este abecedário esticado nos olhos de quem quis ver
Um tanto abobado conturbado posou de estátua.
Fina estirpe, ganso alegre e a casa, a casa, a casa.
O caderno, a fita e o cabelo. ... o Desejo.
E queria, e queria, e queria, a vida, o sonho, a lua.
Um dia de ser tua e todos os dias de ser minha.
Porque para isso fomos feitos, do barro e das horas.
E dormir é o que nos resta, dormir e acordar.
Dormir e acordar.
Dormir e acordar
dormir e acordar
dormir
acordar
dormir.
k.t.n. in sono no tempo. Presença de Outrora

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