domingo, 23 de outubro de 2016

Camões provinciano

Ah, quanto gostaria
de escrever um poema imenso
Decassílabo oitava rima
de mares nunca dantes navegados

Oito mil versos mais oitocentos e tantos
Alternados, intercalados, interpolados
Como queria este imenso caudal de textos
Uma sentença palavrória encantada
Para tecer redes e enlaces intuitivos
Ganhar mar e amplidão nesta celeste esfera.

Mas quedê coasmões? Assim singelas e quietas
Não se põe a fazer, não reza, não pede, não insiste
Cala-se!
O verso não compõe.
Chora!
Lágrimas inteiras que não caem, não pingam na roupa.

Como formar, então o gigante mar?
Jamais, jamais, ... lágrimas caladas não fazem versos
Nem canção, nem métrica, nem rima.
Est o mal!
Não aprender a chorar!
Por um soluço e um lamento!
A face desinquieta e o clamor do vento!
Venha!
k.t.n. in desassossego decassílabos.

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