domingo, 2 de novembro de 2014

Mimesis

              Pat Erickson. 

Há uma tristeza no ar. 
Quando a boca quer calar, 
o que a fala oculta.

 As palavras todas intraduzíveis. 
Perfeitas sílabas sem fonemas.
Um tormento sem remendo. 

Estrelas pontiguadas ferinas. 
É a palavra não pronunciada. 
O texto soluçado e estanque na garganta.

Nada se compara à dor vivente. 
A insídia e pérfida traição. 
Da dilapidação da língua circundante. 

Em espiral genérica em gaze estuporada. 
A argamassa do texto arremessado, 
ao dissabor das ondas da maré. 

Um homem, o que é? 
Um homem, o que faz? 
Um homem, um ser! 
Precisa exercer! 
Constelações de expressões, arte e mimesis.

k.t.n. por um Dia de Finados*&

Um comentário:

Amor em Vermelho disse...

Uma poesia profunda e belíssima!
Parabéns, Kátia!