sexta-feira, 11 de julho de 2014

Voltando...

A passos de tartaruga
Como amor de viúva
Cega brava e muda.

Enxergando no campim
Limão, aroeira braba
Enfeite de flores e carmim.

Um gosto azedo do leite
Que cedo talhou no peito.
Um informe secreto paulatino.

E os passos não se alteraram
Inertes sobre pernas dobradas
As tartarugas passaram

Os passos ficaram!
Temerosos.
Indiferentes.
Ociosos.
Arrogantes.
 Pacíficos.
Perdedores!

Assim foi...
E não se pode mais!
A pressa urge e acelera o passo.
Do Outono andante em busca da Primavera.

É um rugido de folhas de caindo.
Barulho de pétalas surgindo, 
Encrespando nas crinas das árvores copadas
Para em Setembro abrirem-se miúdas
Enganando o Sr. e a Sra.

Depois espanam ao vento 
Longas pétalas e fartas corolas
E o que ficou?
Perdeu o espetáculo 
Não colherá os frutos no próximo Outono


Tece o linho de Apolo,
Talvez folhas de amoras.
O néctar servirá ao licor.


Outra vez, apressa-te!
Passos de tartaruga.
Não faz sentido.

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