sexta-feira, 4 de julho de 2014

O tempo

O tempo passa indiferente 
por nossas dores e alegrias. 
Não respira. 

Transcende o órgão complexo do corpo.
Energiza e pulveriza, organiza e tiraniza! 
Ah, o tempo! 

Quem dera fossem de amoras! 
Tempos de quintais,
varais,  mas males muitos. 

Precisa fincar a pá e gozar dos grãos torrões.
Em volúpia libertina  solfejar areiões. 
Assim, 

-dá ao outro o alento, 
-doce veneno da morte iminente 
-de um caminho sem fim. 

Quem dera adivinhar os seus segredos! 
Faria diferença? 
Oh, não! 

A graça da vida está no caminho do tempo.
Obsceno, nada fraterno
Desertifica-nos os ossos, libera as toxinas. 

Gruda nossas albuminas e células 
em ventríloquos de loucos palhaços. 
Minhas verdades? Aonde foram? 

Norte, Sul, Leste ou Oeste? 
Ninguém sabe. 
Nem o douto tempo, Sr. Absoluto,

Findo no nada!.

Imagem:  Pawel Kuczynski

2 comentários:

Omalah disse...

Amei,,,muito linda!!
Parabéns

Kátia Torres disse...

Obrigada, Omalah!
Sempre bem-vindo! :)