sábado, 12 de julho de 2014

Cecília














Levei Cecília para passear.
Não se cabia de contente/.
Enfeitou cabelos, trançou flores
Despiu-se de todas as cores
Era aquarela do Sol.

Entramos na floresta de marfim
Tesouros, arcas, pedrarias esquisitas.
Cecília titubeou! 
Exclamou: _Malditos! 
Escondem-se de mim!

Peguei-a pela mão.
Pus em seus finos lábios os dedos.
Disse-lhe das cores todas.
Ela não viu, ela não viu! 
Pobre Cecília! 

As margaridas todas exalavam rosas.
Pétalas caíam sobre o seu ombro...
Ela não viu! Ela não riu! 

Por um momento breve,
Passamos na piscina prateada.
Cecília se viu, também ao Sol. 
Pássaros volteavam, insetos cantavam.
Ela sorriu! Ela ouviu! 

Olhou para os lados,
Num calor inclemente.
A nudez como testemunha.
As cores voltaram marcadas na pele.

O alvo um arco-íris encolhido num lume.
Faiscava notícias das noites de Abril. 
Cabelos ao vento, tranças desmanchadas. 
O maior do rio é que Cecília sorriu. 

Ela voltou! 
Fiquei ao pé da montanha
Vislumbrando o lago de musgos
Cecília não me viu! Nunca mais nos vimos!
Será que sorriu?

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