segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Chuva de Natal

Ouvi tanto o barulho da chuva
Que meu amor me ouviu.
Chamou-me entremeios os pingos.
Dançou, amou, cantou.

Respingou carne em cheio.
De recheio em recheio,
Rebordou-me.

As vestes ficaram encharcadas
O lençol, companheiro, desfibrou-se.
Entre linhos e janelas
Pontiguadas as arestas

Pingos perolados intensos caíam.
Chuva, benesse n.alma algúrios
Pássaros repousantes náufragos
Trouxeram após o entardecer

Galhos pequenos e floridos
E a dormência acordou.
Sentou-se pé ante pé,
Nos cílios dos olhos abertos

Acobertaram-me, desfizeram-me...
Intensamente, em meio a líquidos
Uma forma nova, angulosa.
Tomar no cálice sagrado

Púrpuras rosas d.águas
Entre espinhos inacabados
Teu nome aureolado.

Saído do forno.

Para Wagner compôr Bethoven,
Amigo de longa data.

Kátia

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