quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Solilóquio

Há um fazer profético que seduz e a luz difusa.
Em meio às incompreensões e resoluções antecipadas.
Não defende, não reparte, não partilha.
Discrimina, separa, engana.

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De onde este saber dissimulado?
Esta cara lavada teimada.
Queimada do Sol do meio-dia.
Anuncia rugas esplêndidas de margaridas partidas.
É um saber divinizante, preocupante, espargido.

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Hora da recolha.
Disseminação não é escolha.
Pura ira.

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Verte ao brilho, ao cândido original, ao real.
Verte ao lusco-fusco profundo anunciante.
Ao verdor das esponjas acácias que trafegam pelas ruas cantando.
Às esperas profícuas de tanta vida germinando, tanta vida-sêmen.
Tanto amor em pólen e abelhas.

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E verte do rosto o suor.
E veste a camisa maior.
E caminha.
E soletra.
A velha música em notas cadafalso.

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A derradeira noite domingueira trouxe aos olhos o clamor correto.
Trouxe a vida inquieta e discreta.
A paz a melodiosa canção ternural,
a fragmentária indução.
Dedução pura.
Noção exata.

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Mata que te mata e cria,
Transforma e corrige.
Cria e corre e se chega.
E se chega!
É noite ainda.
O dia somente amanheceu preguiçoso, é noite ainda!

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Afasta o cálice noturno, joga o vinho e põe a água.
Veste a velha companheira e levanta-te.
Percebes em tua face costurada a sutura.
Alivia e corrige.

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É tempo ainda, há sempre um tempo, há sempre horas.
Fatídicas e conceituais incertas, pressurosas e inquietas.
Longínquas se aproximando.

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Ruminam as cores.
Destilam bordados.
Desfiam dobrado.

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É noite ainda, é noite apenas.
Acorda!

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k.t.n. * in solilóquio.

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