segunda-feira, 14 de junho de 2010

Uma estrela

Os dias não são sempre iguais, alternam-se em feridas e cicatrizes, em desvãos e pedaços, em alegrias e euforias, em paz e amor.

Os dias pertencem aos que cedo se levantam, aos que cansados continuam, aos que desacreditados permanecem, aos que ofendidos se decretam a lei do esquecimento.

A certeza da imensidão profunda, da descoberta iniciante, faz-nos trilhar, buscar, ativar.

A esperança, a fé, a constância, companheiras inseparáveis, anunciam a boa-nova, anunciam os olhos brilhantes, a face rosada, o alinho.

A face da amargura cede espaço aos doces tingidos de figo, aos doces pintados de abóbora, aos de verde-mamão acolhidos.

E recebemos e devolvemos e tornamos a receber.

A caixa é esta. Carregada de surpresas, não tão difícil de se levar.

Bom dia , a todos!

k.t.n. in rabiscos d'alma*

Um comentário:

Fanzine Episódio Cultural disse...

Lágrimas de Areia

Lá estava ela, triste e taciturna.
Testemunha de efêmeros conflitos,
Com um olhar perdido no tempo,
Não exigia nada em troca
A não ser um pouco de atenção.

Sentia-se solitária, oca,
Os homens admiravam-na pelos seus dotes.
As crianças, em sua eterna plenitude,
Admiravam-na muito mais além...
... Mais humana!

De sua profunda melancolia
Lágrimas surgiram.
Elas não umedeceram o seu rosto,
Mas secaram o seu coração,
O poço da alma,
Aumentando cada vez mais
A sua sede.

Lá ela permaneceu; estática, paralisada!
Esperando que o vento do norte a levasse
Para bem longe dali!

O dia começou a desfalecer.
Seu coração, outrora seco e vazio,
Agora pulsava em desenfreada arritmia.
Desespero!
A maré estava subindo...

Em breve voltaria a ser o que era:
Um simples grão de areia.
Quiçá um dia levado pelo vento,
Quiçá um dia... Em um porto seguro.


Do livro (O Anjo e a Tempestade) de Agamenon Troyan