domingo, 18 de abril de 2010

VERmeLHO

Não tenho lápis, não tenho cor, não tenho Sol, não tenho espelho.
Só trago esta face vermelha, escondido laranja, desbotado amarelo.
Não tenho filhos, não tenho amores, não tenho cores, só tenho o vermelho.
Intenso, profícuo, majestoso, imponente, desejo intenso vermelho.

Não tenho mapas, nem partidas, nem chegadas, nem bússola.
Tenho caminhos, idas, muitas idas, gps em dias de trânsito parado.
Placas riscadas, apagadas, desoladas e um PARE em Vermelho.

Eis o que tenho.

A figura, no rosto, o carmim, desiderato, destilado,
feito fel, intenso venerado, atroz, cospe lama, desce a fama e encarna de Vermelho, sem dama lilás, sem jardim, sem margaridas, intenso só.
Nas faces rubras destoa meu branco intenso, da anemia ferropriva, carnívora que me devora,

Vermelho!

Estranha e demagógica nuance, perfeita em transe, perfeita em risco,
em minhas faces, as múltiplas imagens, o teu rosto pálido, o meu amarelo riso,
o 'vivant en passant',
vermelho acrobata dos sonhos, Realidade da praia mais próxima, no primeiro arrebol de abril.

E nesta dança sem jogo,
Nesta prancha e desgosto, corto leste-oeste-sul,
Derramo meus tristes gostos e te tinjo também de Vermelho.
E assim, enlaçamos as mãos postas, nem tão frias, mas dispostas.
Percorrer caminhos idos, idos-futuro sem passado.

Não olhas para trás e te vais na cor do ferro, ferrenha, estranha...
destilando o vermelho...
intenso do teu golpe, ferramenta jaz posta,
do teu lado tão Vermelho, em faces de pálido agosto.

E nesta brancura doentia, das mãos pálidas, unhas róseas
É que te espero tão tardia, alcançar meu microscópio e olhar na vítrea Rosa,
O reflexo dos teus espelhos nos meus olhos tão vermelhos, rasos d'água.

k.t.n.*

2 comentários:

Stella disse...

Escrita extremamente feminina,de grande impacto emocional.Vermelho é tão rubro quanto a vida!Parabéns,Kátia!...Todos os escritos do Blog são maravilhosos!Beijossssss

Kátia Torres disse...

Obrigada, Stella... és companheira de caminho... obrigada!

k.