terça-feira, 9 de março de 2010

Vieste

Intentaste tristezas partidas e incendiaste as fagulhas perdidas.
Escravizaste meus ombros cansados, em tuas mãos crispadas e ofegantes.
Deixaste a cama macia e vieste ao léu, tão longe em visões tardias
Mas, vieste!
Não importa a partida, importa que vieste!

Olhaste o breu e o espanto, admiraste a pequena tez coberta.
Farfalhaste em dobrado o meu canto, aspiraste na flauta incendiante.
Partiste. Levaste. Comigo uma parte. Contigo uma miragem.

Foi Orfeu, que diante do breu cantou legando ao inverno o vazio.
Foram tuas hostes, teus pecados, no meu encanto um puxado.
E a donzela ferida caiu, suas vestes sangrentas cingiram,
lentamente um nome em fronte.

E o moleque feliz saltitante, gritou, bradou:
_ Minha vez chegou!

k. in obra.

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