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Entre tecidos

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Os quilos que perdi, a pele que se afrouxou, olheiras perdidas no rosto, por dentro um não sei quê de estar quieta, parada, sem contar o tempo, só permanência, esvaziando vãos, ocos, meandros de nervos, estrias, ossos e peles com alguma gordura. A ideia do tempo passando é irreal, a folhinha conta, mas os olhos não. Algo doce e estático, a energia frouxa, pensamento em transe de calma. Algo se transforma, o futuro imaginado não tem representatividade neste momento, é só uma sombra do passado. Há um esgarçar de peles e células, que se recompõe em outras formas, esperançosas e cautelosas, confiantes, conformadas e certas de um novo tempo, onde tudo será medido, pesado, avaliado com critério, sem desperdícios. E este tempo que não passa... ele não precisa passar, existir é algo momentâneo e frugal, como a manhã silenciosa que não avisa que chegou. O café cedeu lugar ao chá, os pães recheados às torradas com geleias. O chocolate ainda tenta avançar nas noites dando um peso que não c...

Para Fernanda Balbinot Carvalho

E te beijo com a areia e com os pés. /  E te beijo com carinho e devoção. /  Ainda beijo entre os olhos e cabelos. /  Entre as pálpebras cerradas. /  O carinho e o desvelo./  Beijo-te sempre e em mãos ágeis corredeiras. /  E mais além, quando cansadas sentarem-se ao largo. /  Beijo além, nas areias desta praia /  Como ninguém, confesso à lua e à chuva rasa. /  A s estrelas todas contadas /  Do céu da terra e do infinito./  Palmilham em estradas iluminadas /  Para uma Fer, uma menina e moça, a nova estrela.  E te beijo! 

Hoje

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Hoje chegou, agora! Graças!  Na segunda as coisas acontecem,  as reais.  Bjs.

Dá para acreditar?

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Nunca mais serei a mesma, nunca mais. Disse isso para que pudesse acreditar e levar adiante o peso do que ficou mal resolvido. O certo seria nunca mais confiar, sempre e nunca, pois mudamos e cantamos conforme a música e outros mudam mais, conforme camaleões. A maturidade não ensina, cometemos os mesmos erros, embora os sinais, os sinais, inevitáveis e que fazemos de tudo para não ver, ouvir, sentir. Dói menos. Não, dói mais, depois muito mais. Então, acreditar no que se vê, no que se ouve, no que se sente e nunca mais acreditar no auto-engano, no que potencializamos para seguir em frente, numa máscara assustadora, que craquela amarelecida e cai. Quem ausentou o seu coração? Quem se ausentou? O que nunca esteve, só tangenciou, cutucou suas águas fundas com o anzol, pescou o que pôde e se foi, a limpar o seu peixe e as suas mãos, porquê vestígios. Melhor não. Pé ante pé, sai sorrateiro e fecha a porta, macia, como o andar do assaltante dentro da casa habitada e leva e leva e ninguém vê...

Colóquio sobre a paz

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A paz  pelas palavras.  Precisamos escrever. Dialogar, discutir para estabelecer a paz. A aparente calma não é a paz.  O lago obscuro carrega no seu interior gérmens de agonia. O mar revolto transcende nossos pensamentos e reelabora nossas palavras, ... pois as leva e traz as num continuum.  O mar é amigo das palavras, ...joguemos-las ao Mar e não ao vento. k.t.n.* in palavras, palavras, desatando nós.

VidAcalma

A vida que acalma a vida. Há vida que acalma a vida Há olhos intensos nesta chama Um pedaço de mim em ti passeia. Uma cama, mucama, incendeia Ojeriza ao nunca dantes visto Um poeta cruza o muro O arrebol espreita Tormentas quebram-se na areia O aprendiz se move. A faca treme-lhe nas mãos. Um poeta dorme, O mundo cochila Ventania encomendada Lavando almas roubadas A minha pressa não te chama Tenho olhos que não se prendem Metade de mim sente A outra pressente e dorme.

In Si

Tenho todos os segredos do homem em mim numa paz cruel e inacessível, trancada em muros construídos ao acaso não quero mais a rosa, fiquei com os espinhos. Uma luta diária e serena neste caminho observo os que passam, poucos os que ficam numa lealdade solitária em seus aposentos folheando seus livros de história, narrativa pessoal Intransferível pergaminho, linhas sinuosas as minhas retas, retilíneas, esbarrando nas verticais as paralelas não se tocam, as paredes altas o fosso em andamento, as folhas e flores margeando. Um eterno ir e vir, a caverna escura e luz a fome que me completa e sacia o escudeiro e sua feroz espada regressa não há tangentes e violões na sala Espécie de fauna e flora que se alternaram nas estações do dia a força da natureza compõe e o muro levanta-se e protege o que fica, divide, separa assalta os olhos, não se pode ver além. k.t.n in si