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Colóquio sobre a paz

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A paz  pelas palavras.  Precisamos escrever. Dialogar, discutir para estabelecer a paz. A aparente calma não é a paz.  O lago obscuro carrega no seu interior gérmens de agonia. O mar revolto transcende nossos pensamentos e reelabora nossas palavras, ... pois as leva e traz as num continuum.  O mar é amigo das palavras, ...joguemos-las ao Mar e não ao vento. k.t.n.* in palavras, palavras, desatando nós.

VidAcalma

A vida que acalma a vida. Há vida que acalma a vida Há olhos intensos nesta chama Um pedaço de mim em ti passeia. Uma cama, mucama, incendeia Ojeriza ao nunca dantes visto Um poeta cruza o muro O arrebol espreita Tormentas quebram-se na areia O aprendiz se move. A faca treme-lhe nas mãos. Um poeta dorme, O mundo cochila Ventania encomendada Lavando almas roubadas A minha pressa não te chama Tenho olhos que não se prendem Metade de mim sente A outra pressente e dorme.

In Si

Tenho todos os segredos do homem em mim numa paz cruel e inacessível, trancada em muros construídos ao acaso não quero mais a rosa, fiquei com os espinhos. Uma luta diária e serena neste caminho observo os que passam, poucos os que ficam numa lealdade solitária em seus aposentos folheando seus livros de história, narrativa pessoal Intransferível pergaminho, linhas sinuosas as minhas retas, retilíneas, esbarrando nas verticais as paralelas não se tocam, as paredes altas o fosso em andamento, as folhas e flores margeando. Um eterno ir e vir, a caverna escura e luz a fome que me completa e sacia o escudeiro e sua feroz espada regressa não há tangentes e violões na sala Espécie de fauna e flora que se alternaram nas estações do dia a força da natureza compõe e o muro levanta-se e protege o que fica, divide, separa assalta os olhos, não se pode ver além. k.t.n in si

O homem dorme

O que ai de mim neste momento? Fuga, arte e pensamento? Não sabemos. Todos tolos estamos. A ideia do que passa foge A permanência se esgota na passagem O que era saudade se diluiu As águas fugiram pelo rio E o que ficou? Um vento soprando ao longe, O relento na madrugada morna A viração no cais O rio, grande rio que segue A cobra d'água e o olho Furacão se aproximando  Um homem dorme Uma mulher passeia Crianças brincam Bonecas sorriem E neste ai e outros esgotamentos a menina do bordado perdeu a trança a brisa refresca a memória Naus atravessam oceanos Ideia inacabada e aventureira Um homem dorme Uma menina passeia. A flor cai. k.t.n.in cais.

Largo

Passei pelo largo Deixei o recado.

Prisão

O espelho, o espelho que me segue, complacente e mordaz. Está ali, inerte, parado, olhando-me de esgueira. Penetra-me  os recônditos, suga-me e devolve a metade provável do eu. Uma lição a não se esquecer. Dolorida. Vulgar. Costumeira. E na volúpia das manhãs e noites, no claro e no escuro, volteio e olho nele os olhos que sugam. Penetro, avanço, destilo  trincos, preencho os vãos e vou-me nesta aventura a soterrar-me, mais uma vez, dentro dele. Espelho de face, de corpo,  de ol hos, de boca voraz e impiedoso. Tento voltar, tento voltar, inútil. Fechou-se o tempo. Fechou. Só o claro fora, da janela espraia, brilho tênue e salgado,  como as lágrimas vertidas. E ele canta para mim. Agora deu de cantar, em cada manhã uma canção. Em cada noite um  poema, estratagema. e me observa dormir, dono do meu sono, vislumbra-me no sonho. Abusado, sem receios, atormenta- me na noite, seja fria, seja quente.

Quarenta e oito

Bradam os contemporâneos:  _Quero um dia de 48h00!!!