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Veia cava

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Sou daquelas pessoas que não deixam dúvidas, Mas  respostas compridas, enormes, rasantes. Pingos de interrogação, uma paixão indiscreta. Um falo perdido e noites insones. Uma mulher falha, fatal   menos ainda . Que embola e embrulha os menores inglórios dias. Passeia pelas letras e repousa na preguiça alheia. A mulher que passa, que fica e que resmunga. Uma veia cava, profunda e insólita, comum. Arrebanho estrelas, escondo tesouros e cheiros Embalo feridas, dores e partidas, arremesso louros. De uma tristeza sentida, filtrada e coada. A mulher que brilha, que senta sobre a soleira. Lê o próximo livro e pede para a próxima poesia passar. Assim, sorrio, para mim! Sou uma mulher, que também passa! k.t.n.^&

Sexta-feira de agosto!

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Entrego-te as minhas forças. E durmo até amanhecer! Numa primavera forçada. De ecos e melancolias. Navego entre os cílios fechados. Encosto a porta. Deito as costas nuas. Enxergo o passado entre nuvens. O algodão dissolveu pássaros lacrimejantes. Só essência, pó e mistério. Uma tarde, apenas, de recolhimento. Horas forjadas de esquecimento. Deixo o remédio sobre o criado-mudo. Ainda existem móveis assim. Sobre a mobília exposta água em copo de vidro. E as forças se espalhando pelo corpo entregue. É tarde da última sexta-feira de agosto. k.t.n.^&

Soneto invertido

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A vida é uma festa! Deixe a música tocar! Fios de cabelo, hálitos e espermas, Analisar vãos e labirintos entre pernas. Esfacelar frios e bordas amarelas, Concatenar fatos, desencontrar e boatos. Assim, festa! Assim, dor! Assim, cor! Assim, ó!, Assim, é! Assim, ih! Esperança medíocre de todos. Da alta sinfonia eleger querubins. Passar dias afoitos e cansados. Enquanto a música toca, virar arlequins. Pousa tua mão na testa fria. Enruga a roupa velha, tua pele, mar de ver. Nas ondas do bar que bate, sofrem peixes, águas marinhas. A música toca no Oceano, dos teus olhos, em nossos planos. k.t.n.*

Agora

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    A vida me convidou para viver! Disse-lhe: Vou! Agora!    k.t.n.*&

Pólen

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Onde deixarei meus baús, meus sonhos e fitilhos? Onde deixarei as lágrimas escorridas e os gritos abafados de alegria? Digam-me! A mobília pesa, os ombros cedem, preciso logo da partida, desta que deixam pelo caminho os escaninhos de amor e dor. Olhem, são várias peças pesadas, juntei muita tralha e pequenos valiosos tesouros! Os olhos engordaram, a pressa aumentou o ajuntado. É uma judiaria não ter tempo de olhar um por um destes guardados, com a calma e atenção que merecem. Sorver cada minuto vivido, transcendendo alfazemas pelas roupas guardadas. Das anáguas, das peças camisolas, dos babies dolls, e pequenas peças do vestuário com algumas manchas que resistiram ao sabão em pó, com pequenos pelos visíveis lá, ou acolá, talvez de algum animação de estimação antigo, que sobreviveu ao tempo. Neste instante, os passarinhos cantaram, todos sobre a árvore gigante e acolhedora. Disseram trinados horríveis, estavam angustiados diante da dúvida do voo derradeiro... e a passag...

Cecília

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Levei Cecília para passear. Não se cabia de contente/. Enfeitou cabelos, trançou flores Despiu-se de todas as cores Era aquarela do Sol. Entramos na floresta de marfim Tesouros, arcas, pedrarias esquisitas. Cecília titubeou!  Exclamou: _Malditos!  Escondem-se de mim! Peguei-a pela mão. Pus em seus finos lábios os dedos. Disse-lhe das cores todas. Ela não viu, ela não viu!  Pobre Cecília!  As margaridas todas exalavam rosas. Pétalas caíam sobre o seu ombro... Ela não viu! Ela não riu!  Por um momento breve, Passamos na piscina prateada. Cecília se viu, também ao Sol.  Pássaros volteavam, insetos cantavam. Ela sorriu! Ela ouviu!  Olhou para os lados, Num calor inclemente. A nudez como testemunha. As cores voltaram marcadas na pele. O alvo um arco-íris encolhido num lume. Faiscava notícias das noites de Abril.  Cabelos ao vento, tranças desmanchadas.  O maior do rio é que Cecília sorri...

Voltando...

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A passos de tartaruga Como amor de viúva Cega brava e muda. Enxergando no campim Limão, aroeira braba Enfeite de flores e carmim. Um gosto azedo do leite Que cedo talhou no peito. Um informe secreto paulatino. E os passos não se alteraram Inertes sobre pernas dobradas As tartarugas passaram Os passos ficaram! Temerosos. Indiferentes. Ociosos. Arrogantes.  Pacíficos. Perdedores! Assim foi... E não se pode mais! A pressa urge e acelera o passo. Do Outono andante em busca da Primavera. É um rugido de folhas de caindo. Barulho de pétalas surgindo,  Encrespando nas crinas das árvores copadas Para em Setembro abrirem-se miúdas Enganando o Sr. e a Sra. Depois espanam ao vento  Longas pétalas e fartas corolas E o que ficou? Perdeu o espetáculo  Não colherá os frutos no próximo Outono Tece o linho de Apolo, Talvez folhas de amoras. O néctar servirá ao licor. Outra vez, apressa-te...