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Ao cristalino distante

Amo... amo àquele que me vem e não conheço. Amo aquele que me vem e não defino. Amo este que me bate à porta e me traz a incerteza. Amo sua doença, seu bem-estar, sua cor, sua tez, sua insensatez. Amo quando entende minha impulsividade em tentar entender. Inclusive, sua gesticulação e sobrecenho. Amo a diferença, a falta de confiança e a dificuldade de estar ao lado. Acima de tudo, amo esta vida que nos tracejou caminhos em comum Amos seus olhos castanhos-brilhantes-lampejantes! Amo seus escritos, sua contribuição à vida! E esta que aparece em pequenos lampejos aos olhos do meu cristalino distante. Eia, Terra errante, eia e avante! Somos grãos de areia, tu és grande enquanto partilhas, tu és o que me faltava nos dias desditos. Obrigada! Ao poeta escolhido dos dias! Saúde e alegria! Kátia

Selo

Canto a paz, canto o amor, a imensidão... O entendimento, o selo dos envelopes concluídos Que serão abertos em boa hora. O selo das marcas deixadas em veludos inigualáveis de papel timbrado. Canto o registro dos fatos marcantes dignos de memoração. A altivez necessária para o refazimento e a palestra dada no momento oportuno. Canto ainda... o louvor aos que deixaram o seu legado em prol de paz, A falência dos desfalecidos pelo caminho .... A amizade construída e à solidariedade restabelecida. k.t.n. Amor in marcas!

v O l t @

Se te tenho em meu colo o que fazer com a criança? Se te tenho em minhas retinas, o que fazer com a lembrança? E se tenho dentro de mim, o que fazer com a imensidão? E se tenho ainda mais, quanto mais, muito mais... dormirei contigo, sentindo o algodão macio, da tua pele que tornou... k. in volta

d i a

Fiz os doces, reguei as plantas, colhi as amoras. Enfeitei a mesa, tirei o pó, arrumei o armário. Cozinhei, limpei, lavei, passei. E o dia se foi, junto ao sol poente. A noite veio e trouxe ar de melancolia e cansaço dormente. Havia muito por fazer, a dor do pulso, a dor dos olhos, as olheiras. O cansaço das tarefas, o curvado ombro, a face quieta. A boca cansada das palavras todas ficou mais emudecida ainda. Vieram as estrelas pintar o céu. Veio a imaginação povoar o sonho. Quem sabe um dia, quem sabe, lá no horizonte onde o Sol se põe mais cedo. Uma rede, um coqueiro, um homem inteiro, uma mulher possa se despir sozinha. Sem cobrir a parte mais íntima e dizer: _Estou aqui! K.t.N.

Doce festa!

Em dias de festa, corto o doce principal e bebo o vinho em taça genial. Espero pelo café sem rum licor, a amêndoa e o chocolate pequeno, ao lado da xícara teu sabor! Em dias de festa, visto o brim, deito o cetim. Na pequena boca o meu lábio teu carmim. Vou serena e tranqüila e visito o altar das rosas. Encontro lírios, beija-flores, o teu rosto sãos amores. Em dias de festa, teço o manto e enrolo a seda canga em dorso. Entorço o laço, entorse em tornozelo. Carrego nos ombros o marrom de um dia inteiro, Descarrego no champagne regado a morangos em cerejas martini vodka festival. Não há anjo angelical, não há serestas, não há violas... Há um povo festival. Festas são primitivas dos encontros dos suores, dos rostos molhados da longa desdita, festas... que dias!! Por isso não vou! K.t.N.

Virei, poetizar, virei ...! *

E se me der vontade de poetizar, virei! Com você, para você, ou sem você. Se me der vontade de descompôr as palavras, Sobre você, por você, apesar de você, Virei!* E nesta insanidade premeditada, direi: Com as palavras pensadas, com as palavras jogadas. Rimarei. Ou não rimarei. Não importa! A verdade é a necessária e valorosa amiga. Das crianças e das Santas poetisas. A vaidade das palavras traz a vida. Em sabor, em lavor , deveras amor. E se me der vontade de poetizar virei. Ainda, se me der vontade de sonhar, concretizarei. Do sonho a maior verdade é o inexato. Do consciente o maior desejo é o incontido. Da força das letras, o grande encanto, É esta necessidade premente de fingir docemente, Que esta saudade que se sente é gentil e companheira. Por isso, se me der vontade de poetizar virei. Para não estar só, trazer você comigo, um trato antigo. Uma vontade nova. Uma rosa vermelha de anos e um desejo novato de instantes. k.t.n. in sono... 08/04/2010

VERmeLHO

Não tenho lápis, não tenho cor, não tenho Sol, não tenho espelho. Só trago esta face vermelha, escondido laranja, desbotado amarelo. Não tenho filhos, não tenho amores, não tenho cores, só tenho o vermelho. Intenso, profícuo, majestoso, imponente, desejo intenso vermelho. Não tenho mapas, nem partidas, nem chegadas, nem bússola. Tenho caminhos, idas, muitas idas, gps em dias de trânsito parado. Placas riscadas, apagadas, desoladas e um PARE em Vermelho. Eis o que tenho. A figura, no rosto, o carmim, desiderato, destilado, feito fel, intenso venerado, atroz, cospe lama, desce a fama e encarna de Vermelho, sem dama lilás, sem jardim, sem margaridas, intenso só. Nas faces rubras destoa meu branco intenso, da anemia ferropriva, carnívora que me devora, Vermelho! Estranha e demagógica nuance, perfeita em transe, perfeita em risco, em minhas faces, as múltiplas imagens, o teu rosto pálido, o meu amarelo riso, o 'vivant en passant', vermelho acrobata dos sonhos, Realidade da praia ma...