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.saudades.

Saudade é uma conta pequenina Rola dos olhos tão menina... Busca em botão teu olhar tão meu. Saudade é uma foice traiçoeira Chega mansinho, sai ligeira... Não se comove de quem se doeu. Ah, saudade, tão palavra, tão incerta Rouba o tempo às bonecas... Empresta ao rosto o filho teu. Saudades são só tristezas em meio à cânticos. São altiplanos afundando em pranto. São alegrias que não morreram. Porque em meu nome e em meu ser Há de viver e reviver instantes. Cada passado recordado como o mais fino dos bordados... Da fina linha, retrós em fio........... de saudades costumeiras. Enfim, das tardes das Marias dezoito horas. São, no momento, heroínas lembranças. São vãos tormentos em baú remexido. É a certeza de que o futuro chegou. É a beleza da vida que foi... ... e a alegria da vida presente.

Das antigas...

Lavraram o campo. Puseram a mesa? Chove com certeza, Novo jardim em crescendo Homem se refazendo Olhar contempla, coração sustenta. 'Vai que vai' não se arrebenta. Não se arrepende. Só surpresa! k.t.n.

Renovação

Há um projeto eficaz que permeia uma mente por certo audaz. Há esta audácia de mudar, esperança na chegança, uma poesia em luz do dia. Uma chuva fina regando os olhares, flores esperando em semente o plantio. São mudas, são caladas, são esperançosas da escolha. Estão secretas e bem guardadas a muitas chaves em tesouro compartilhado. Trouxe uma delas, segredei em meus cofres, tranquei em meus armários. Não podes esperar, talvez haja pressa na transmudação das flores das 9 horas. Uma incógnita pressente a iminente solidão, um malfadar de escolhas, uma presença estranha, um amassado de embrulhos, são sementes aturdidas, esperando breve escolhida ... A terra se rebate em pedregulhos espalhados, envereda pelos olhos, termina pelo olfato. Assiste o 'embrólio'e sortilégio, generosa, só padece à espreita da boa escolha. São sementes são somente variedades, muitas cores, dissabores, muitas formas, vãos amores. Ajeita o trato, afina a cova, não morre, não... o inverno conserva sementeira...

Para Marie Thereze - O violão

Entre a corda e o violão Entre o samba e a canção Seu olhar enternecido, encoberto pela ferida. Sem entrever-se o guarnecido, ensaia a flauta dos dedos no violão embevecido. Espera e canta. E canta e espera. A doce quimera, o dia que passa, o Norte que amanhece, o mote que não esquece. Tem Fernando, tem Pessoa, tem meus lagos enormes lagoas de minhas lágrimas derramadas, tem meus versos e meus tristes jeitos. Entre as proas enormes cinzas, enormes fagulhas a saltar dos olhos. A embotar-lhe os sentidos, a arrancar do dedilhado, meu nome, meu doce nome sentido. k.t.n.

Para Fabrício

Saudades de um filho que não partiu, mas como parte o peito! Saudades do meu pedaço, das mãos mais lindas que estes olhos puseram vista. Saudades do seu rosto, dos seus olhos, do seu andar, da sua indiferença em atenção Saudades de Fabrício já sentidas. Saudades do meu pedaço, anjo louro. Branquinho, sorridente, criança meiga, alegria presente... Saudades, meu filho, saudades imensas, nem bem te ausentas e já sinto. Nem te vais e já pressinto. Nem te apartas e já invito a imensa volta ao coração materno. Soltar laços, desfazer contratos, assumir novos retratos, meu filho amado, és prenúncio de homem em barba por fazer, em riscos por correr.... Volta pra casa, antes da partida, volta pra casa, antes da despedida...antes do anoitecer. Põe os teus olhos mais umas vezes em tua mãe... Acerca-te os teus lados, ajeita os cabelos desalinhados... Provoca em riso minha fúria em brincadeira adoslescente. Joga-me no chão, puxa-me, dá-me tua mão... as mãos mais lindas que estes olhos puseram vista...

Título

Sem título, sem tempo, com muitos livros, atordoada, informações, conformações, saudações pela saudade imensa do exílio, expatriada fui! Na longevidade dos teus olhos, do tempo que esparramaste no caminho, na quietude de teus passos, o homem, o sonho, a razão perpetua, alfineta-me, torna-me esguia, esquiva e admirada da tortura fria. É uma pressa, é um compromisso, é um firmar, é nada, é tudo. é o exílio, é o exílio, é esta doença fria,é esta dor vazia, é o inesperado, o sangue fraco, a anemia gotejada de tuas mãos a tarefa, a tarefa reinante em passos amantes, o desejo e o belo, tuas barbas sedosas, teus lábios mais que carnais, frutíferos anzóis pescando macios, rendendo-me em noite fria, fantasia... Por quê? por que eu? por que tu? por que névoas ensandecidas neste marrom febril, por que rosa em teus dedos frágeis, porque tuas pernas torneadas fraquejaram no suporte quando fortes suspenderam o gozo e o grito amoroso desvão. És fatídico, és pontual, és humano e serial. és desprotegid...

Palácio Real dos bem-aventurados

Ei, meu?! Você, que se acha demais, Olhe para trás, o que está aí? Provavelmente, nada, nada antes de 'su persona'. Olhe para a frente, rapaz, oriente-se. Olhe onde nasce o Sol e perceba que não é um. Olhe para a multidão, encaixe-se nesta solidão, tome um gim, uma tÕnica. Se não for suficiente, um bom gole de aguardente e mande embora a presunção. E a sua forte enganação. Caia na real, no palácio não passa de servil, nem dá para lhe emprestar um bom-bril... nem forças para as panelas, quanto mais o fosso dos jacarés, sua habilidade já foi de primeira, deixou-o sozinho a virar camareira. Ajeite os lençóis reais, o edredon da rainha, acomode as almofadas da princesa, se é meu camarada para isto ainda serve. Aproveite o espelho, o grande espelho Real e mire-se de frente, de trás e de trejeito, analise o perfil, veja a magreza da sua vileza, esta leveza não passa do seu grande vazio. Ainda dirá:_ Estou com frio! Conselho: 'se fosse bom, não daria de graça', pague primei...